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Kiss All The Time. Disco, Occasionally

  • Foto do escritor: Michele Costa
    Michele Costa
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Desde que iniciou sua carreira solo, em 2017, Harry Styles não tem desapontado. O quarto álbum de estúdio do britânico, Kiss All the Time. Disco, Occasionally (2026), marca não apenas o retorno do cantor após alguns anos sem lançar material inédito, mas também um deslocamento artístico que parece refletir um artista mais interessado em experimentar atmosferas do que em reafirmar fórmulas pop já consagradas. O disco chega depois de um hiato de quase quatro anos desde Harry's House (2022), período em que Styles se afastou parcialmente da indústria musical para repensar sua relação com a criação e redescobrir referências sonoras. 


Após o fim da boyband One Direction, Harry construiu uma trajetória marcada por reinvenções graduais. Seu primeiro álbum, Harry Styles (2017), ainda carregava o desejo de distanciamento da estética do grupo, apostando em um pop rock clássico que evocava referências setentistas. Já Fine Line (2019) ampliou o espectro emocional e sonoro do artista, equilibrando baladas confessionais e canções pop sofisticadas, consolidando sua persona de astro pop sensível. Esse processo culminaria em Harry's House, disco vencedor do Grammy de Álbum do Ano e responsável por hits globais como "As It Was" e "Late Night Talking". 


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Em Kiss All the Time. Disco, Occasionally, no entanto, o cantor parece menos preocupado com a construção de grandes sucessos radiofônicos e mais interessado em atmosferas noturnas, dançantes e, paradoxalmente, intimistas. O álbum reúne 12 faixas e foi produzido por colaboradores recorrentes como Kid Harpoon e Tyler Johnson, mantendo uma continuidade estética com os trabalhos anteriores, mas ampliando o repertório para elementos de disco. 


Kiss All the Time. Disco, Occasionally
(Créditos: Divulgação/Reprodução)

O resultado é um disco que oscila entre dois polos: a energia do clube e a introspecção do compositor. Faixas como "Aperture" e "Dance No More" evocam o pulsar da pista de dança, enquanto outras canções mergulham em reflexões sobre identidade, fama e vulnerabilidade - temas que atravessam a obra do britânico. A proposta parece dialogar com experiências pessoais vividas pelo artista durante o período de afastamento, quando redescobriu a liberdade criativa e a potência catártica da música de pista.


Se nos discos anteriores Harry Styles se apresentava como um herdeiro contemporâneo do pop clássico, agora ele se aproxima de uma estética mais contemplativa para poder viver as experiências da pista. A disco prometida no título surge menos como espetáculo exuberante e mais como clima: luz baixa, batidas suaves e um senso de liberdade noturna que transforma o álbum em uma espécie de trilha sonora para momentos de suspensão.


Essa mudança de tom também revela um artista em outra fase da carreira: em alguns momentos, o músico fica em segundo plano para que os sintetizadores e as batidas frenéticas ganhem espaço, como é o caso de "Taste Back". O resultado é um disco que não tenta provar nada: ele simplesmente existe como registro de um momento em que o cantor decide dançar, refletir e experimentar ao mesmo tempo.


No fim das contas, Kiss All the Time. Disco, Occasionally reforça aquilo que vem se tornando uma marca da trajetória do artista: a recusa em permanecer no mesmo lugar. O disco aponta para um artista que ainda parece curioso demais para repetir fórmulas, ou seja, alguém que prefere testar novos ritmos, experimentar climas e deslocar sua própria imagem dentro do pop contemporâneo.



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