Entre histórias, risos e canções: Tom Zé abre o Buraco da Fechadura
- Michele Costa

- há 2 dias
- 2 min de leitura
Nunca sei o que esperar de um show de Tom Zé, já que o músico faz o que bem entende enquanto está no palco. Não é uma crítica, pelo contrário: é uma ansiedade para vê-lo cantar, celebrar sua trajetória e contar histórias ao público. A última vez que o vi foi em 2022, no saudoso Studio SP. Após a pandemia e alguns anos de isolamento, aquele show trouxe esperança depois de longos dias tristes. Talvez por isso eu nunca saiba o que esperar de seus espetáculos: eles evocam sentimentos e brincam com eles o tempo todo.
Fui ao Sesc Santo André para acabar com um atraso de quatro anos. Com ingressos esgotados, o show Buraco da Fechadura apresenta grandes sucessos de seu extenso repertório, cujo disco mais recente é Língua Brasileira (Sesc, 2022) - presente na lista dos melhores do ano. Embora o espetáculo se some a milhares de apresentações já realizadas, este trouxe um carinho único, típico do baiano: uma homenagem ao jornalista Renan Soares, do Diário do Grande ABC, que o entrevistou.
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Após os informes e anúncios do Sesc, Tom Zé subiu ao palco do teatro com um largo sorriso. Sob aplausos e gritos de um público formado por diferentes gerações, o artista explicou o funcionamento do show: primeiro entraria sozinho e, depois, os integrantes da banda. Em seguida, iniciou a leitura dos "versos" - como apresentou - dedicados ao jornal: "Diário do Grande ABC / Está presente pra ver / E o mestre Renan Soares / Já faísca pelos ares. / No palco de Santo André / O cantor tira o boné / E o verso entra na dança / Com reforço e confiança. / O cantor tira da bolsa / Um saco cheio de louça / E bebe com a plateia / Nove taças de geleia. / A turma de Santo André / Vai mostrar quanto me quer: / E anima nossa folia / Com calor e alegria. / Nessa magnificência / Salto e pulo de alegria / Mas não perco a consciência / E logo tô na folia."

Após a leitura, Daniel Maia (guitarra e voz) dividiu o palco com o músico para uma breve canção. Em seguida, Andreia Dias (voz) subiu para dar início oficial ao show. Por fim, Cristina Carneiro (teclado e voz), Felipe Alves (baixo e voz) e Fábio Alves (bateria) completaram o grupo e o seu "parto" - como disse no palco - começou. Entre uma música e outra, Tom Zé relembrou os tempos obscuros da ditadura civil-militar brasileira, a homenagem a Gil em "Jimmy, Renda-se" e como o amigo não achou a canção comercial o suficiente; além das inspirações em propagandas sobre o retorno de amores que o incentivaram a escrever "Amarração do Amor".
Em pouco mais de uma hora de Buraco da Fechadura, o músico fez a plateia rir com suas tiradas e esquecimentos, enquanto celebrava uma história tão divina quanto mágica.




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