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Os Amantes: Amar, AMOR!

  • Foto do escritor: Michele Costa
    Michele Costa
  • há 3 horas
  • 2 min de leitura

Depois de dois anos de hiato, Os Amantes estão de volta e com novo álbum. Amar, AMOR! (2026) carrega a urgência e a saudade, duas características presentes no trio formado por Jaloo e pela dupla paraense Strobo (Léo Chermont e Arthur Kunz). Ao longo de dez faixas, o grupo retoma aquilo que sempre esteve no centro de sua identidade e, ao mesmo tempo, abre espaço para novas possibilidades.


Em Amar, AMOR!, o trio retoma a música paraense como ponto de partida, mas se permite atravessá-la por outras referências e possibilidades. Brega, tecnobrega, indie rock dos anos 2000, pop japonês, eletrônica e diferentes ritmos brasileiros se encontram ao longo da narrativa, criando uma sonoridade que se movimenta entre o familiar e o inesperado. É como se, depois do intervalo, a banda voltasse ao lugar de onde partiu apenas para descobrir que ainda havia muito mais para explorar.


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“Notícia” abre o álbum como uma espécie de anúncio desse retorno. Curta e introdutória, a faixa prepara o terreno para “Acho Que Enlouqueci”, em que o amor já surge acompanhado de uma dose generosa de descontrole. A canção expõe que existe algo de vertiginoso na experiência de gostar de alguém quando o sentimento passa a ocupar espaços demais. A música transforma essa sensação em impulso e dá ao disco uma de suas primeiras doses de intensidade.


A urgência reaparece em "Obsessão", que leva o sentimento para um território ainda mais insistente. Em seguida, “Rock Doido” amplia a energia do disco e deixa as guitarras assumirem um papel central. A faixa carrega ecos do rock dos anos 2000, mas os atravessa com a personalidade paraense que orienta o projeto. Já a canção que dá o nome ao álbum, funciona como uma síntese da proposta. 


“Rosa” desacelera o passo e encontra uma atmosfera mais íntima, enquanto “Além de um Sonho Bom” mergulha ainda mais nessa dimensão. São momentos importantes porque impedem que o álbum transforme o amor em uma experiência de excessos permanentes. Os diversos sentimentos abordados em Amar, AMOR! ressalta como é complexo esse sentimento avassalador. 


A presença de “A Primeira Vez” aprofunda ainda mais essa relação com a memória. Composição de Tony Brasil, conhecida na voz de Ana de Oliveira nos anos 1990, a canção retorna pelas mãos de Os Amantes em uma versão que preserva sua ligação com o imaginário romântico paraense, mas a desloca para o universo sonoro do trio. A escolha não parece gratuita. Em um álbum que olha simultaneamente para aquilo que foi e para aquilo que pode vir a ser, revisitar uma canção marcada pela memória afetiva da música paraense é também reconhecer de onde parte essa nova fase.


No fim, o novo álbum parece dizer que amar continua sendo uma escolha. E, em tempos de cinismo, escolher sentir talvez seja a forma mais radical de permanecer vivo.



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