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Amanda Gabana: Me Chame pra Dançar

  • Foto do escritor: Michele Costa
    Michele Costa
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Me Chama pra Dançar (2026), primeiro álbum de Amanda Gabana, vai além do convite ao ouvinte: ela apresenta o seu universo, onde romances, desilusões e recomeços ganham forma por meio do pop brasileiro e de ritmos que atravessam o país. Entre uma faixa e outra, a cantora deixa um lembrete importante: a vida muda de compasso o tempo todo, e talvez a melhor forma de atravessar os diferentes capítulos sem deixar de dançar. 


amanda gabana me chama pra dançar
(Foto: Lau Baldo)

Atuando na cena musical de Porto Alegre desde 2020 - tanto em sua carreira autoral quanto como vocalista da roda de samba LGBTQIA+ Caçamba e trombonista de fanfarras da cidade - Amanda faz do primeiro álbum um cartão de visitas que revela, acima de tudo, uma artista interessada em derrubar fronteiras. O ponto de partida é o pop, mas logo ele se expande para abraçar guitarradas paraenses, brega, pagode, milonga e vanerão, desenhando um Brasil que conversa consigo mesmo sem perder o sotaque gaúcho.


Esse trânsito entre territórios é o grande acerto de Me Chama pra Dançar. Amanda Gabana não trata os ritmos brasileiros como citações ou ornamentos exóticos. Eles participam ativamente da narrativa, dando personalidade às canções e conduzindo emoções distintas. A faixa-título, ao lado da paraense Raidol, cria uma ponte direta com o brega de Belém. "Sarro" transforma a milonga em uma experiência quase performática, incorporando sapateado, castanholas, leques e palmas. Já o pagode ganha ainda mais significado com a participação da Caçamba, reafirmando a dimensão coletiva e afetiva que atravessa o disco.


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A produção de Kevin Brezolin, dividida com a própria artista, entende que o brilho pop não precisa suavizar a riqueza dos arranjos. Pelo contrário, cada camada instrumental amplia a sensação de movimento. O álbum parece construído para uma pista de dança onde convivem o carnaval, o inferninho, o baile e a roda de samba. 


A dança, que conduz a narrativa do disco, não funciona apenas como festa, ela também é resistência, reencontro e afirmação. Sob uma perspectiva LGBTQIA+, Amanda canta afetos com humor, sensualidade e vulnerabilidade, sem transformar essas experiências em discursos obscuros. Existe leveza, mas ela nasce da confiança de quem sabe que ocupar a pista também é ocupar espaço.


Me Chama pra Dançar não quer apenas embalar o verão que existe dentro de cada um, como anuncia sua apresentação, ele quer lembrar que, às vezes, a melhor maneira de atravessar uma história de amor é continuar dançando.



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