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Noite Suite: Quase Estrela

Foto do escritor: Michele Costa
Michele Costa
há 3 horas
3 min de leitura

Entre guitarras que parecem se dissolver no ar, sintetizadores que ampliam a sensação de profundidade e melodias que transitam entre a delicadeza e a melancolia, a Noite Suite constrói em Quase Estrela (2026) um universo sonoro próprio. O primeiro trabalho do grupo baiano percorre diferentes nuances do dream pop, shoegaze e trip hop, combinando texturas atmosféricas e experimentações que evocam tanto a nostalgia quanto a vontade de explorar novos caminhos. Ao longo de sete faixas, a banda transforma referências diversas em uma experiência musical que convida à escuta atenta, sem abrir mão de momentos de luminosidade e movimento.


Composta por Bianca Gonzalez (voz, sintetizador, guitarra e piano), João Sarno (baixo, guitarra e sintetizador), Paulo Tiano (bateria) e Yan Franco (guitarra e voz), a Noite Suite aposta em uma dinâmica colaborativa, na qual os integrantes transitam entre diferentes instrumentos e funções. Essa liberdade aparece nos arranjos, que não seguem uma fórmula fixa e exploram combinações de timbres, ritmos e camadas instrumentais. O resultado é um repertório que encontra unidade na construção das atmosferas, mas preserva espaço para mudanças de direção e novas possibilidades sonoras.


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O percurso começa com “Promessa”, uma introdução instrumental que estabelece o caráter contemplativo do álbum. Com nuances que flertam com o city pop, a faixa prepara o terreno para “Sonho Qualquer”, na qual os vocais suaves de Bianca conduzem uma composição que ganha densidade gradualmente. As guitarras, inicialmente discretas, assumem maior presença ao longo da música, aproximando o grupo do shoegaze sem deixar que a atmosfera melódica se perca. Há um equilíbrio interessante entre a leveza vocal e a intensidade dos arranjos, característica que se torna um dos pontos de sustentação do trabalho.


noite suite quase estrela
(Créditos: Divulgação/Reprodução)

Em “Nitrax Nitrax”, a Noite Suite amplia essa construção atmosférica. As guitarras espaçadas e a presença do saxofone criam uma paisagem sonora que remete a uma espécie de psicodelia noturna, com um andamento que privilegia a imersão. Já “Sob a Luz” apresenta uma mudança de perspectiva ao incorporar referências da música brasileira das décadas de 1960 e 1970. A aproximação com a psicodelia dos Mutantes e as melodias que evocam o Clube da Esquina acrescentam outras possibilidades ao repertório, revelando que as influências da banda não se restringem ao universo do rock alternativo internacional.


Em “Outras Pessoas”, a banda encontra outro momento de destaque ao aproximar a densidade das guitarras do shoegaze de uma estrutura pop mais acessível. A combinação cria uma dinâmica envolvente, na qual as camadas instrumentais não comprometem a fluidez da composição. O encerramento com “Casa Doze”, por sua vez, desloca o disco para uma atmosfera mais eletrônica. Entre synthpop, britpop e elementos que flertam com o jazz, a faixa apresenta uma faceta mais dançante da Noite Suite e funciona como uma conclusão que amplia o horizonte sonoro apresentado nas músicas anteriores.


Um dos méritos de Quase Estrela está na maneira como o grupo aproxima referências distintas sem transformar o repertório em uma sucessão de exercícios de estilo. Há uma preocupação evidente com a construção dos arranjos e com a relação entre os instrumentos, mas também com aquilo que permanece nas entrelinhas das composições. As guitarras não aparecem apenas como elemento de sustentação, mas como parte da atmosfera que conduz as canções. Os sintetizadores acrescentam profundidade e movimento, enquanto os vocais se integram às melodias sem disputar protagonismo com os instrumentais.


Mais do que apresentar uma identidade já delimitada, Quase Estrela revela uma banda em movimento, interessada em descobrir até onde suas próprias possibilidades sonoras podem chegar.



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