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Conheça: Jovita

Foto do escritor: Michele Costa
Michele Costa
há 2 horas
3 min de leitura

Formada em São Mateus, na zona leste de São Paulo, a Jovita construiu sua trajetória entre ensaios, apresentações e a conciliação nem sempre simples entre o trabalho e a vida artística. Criada por João Faria (guitarra e voz), Guilherme Ramalho (bateria), Nicolas Farias (baixo) e Pedro Alencar (percussão e sintetizador), a banda encontrou na música um espaço para reunir referências diversas e desenvolver uma identidade própria. Depois de quase uma década de estrada, o grupo apresenta Jovita Vol. 1 (2026), seu primeiro EP, que sintetiza diferentes momentos dessa caminhada e aponta para novos caminhos sonoros.


A história começou quando três primos ainda pré-adolescentes se reuniram para tocar covers de rock e punk dos anos 1990. O que nasceu como uma experiência entre familiares, na garagem de casa, ganhou outras dimensões com o passar dos anos. Inspirada inicialmente pelo rock psicodélico, a Jovita passou a ocupar espaços da cena independente paulistana, ampliando seu repertório e incorporando novas possibilidades à formação original. O nome, uma homenagem à avó dos integrantes, preserva esse vínculo com as origens mesmo diante das transformações musicais.


Durante boa parte de sua trajetória, a banda se apresentou como um trio instrumental, explorando arranjos em que os instrumentos assumiam o papel de conduzir a narrativa das composições. Aos poucos, esse formato ganhou novas camadas: violões, letras cantadas ou recitadas, instrumentos de sopro e percussão passaram a integrar o universo sonoro do grupo. Nesse processo, referências como o Clube da Esquina e a Tropicália se encontraram com elementos da neo-psicodelia, do reggae, do hip hop e do dub presente nas periferias de São Paulo. Entre influências nacionais e internacionais, a Jovita construiu uma linguagem que não se limita a um único gênero.


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(Créditos: Jeferson Faria)

A história ganha forma em Jovita Vol. 1 que reúne composições de diferentes períodos da banda. A seleção apresenta a introdução instrumental "Isabela", duas músicas dos primeiros anos, "Terra de Aço" e "Solitude", uma composição desenvolvida durante o processo de amadurecimento do grupo, "Porão Perus", e uma das criações mais recentes do quarteto, "Não Deixe Afogar sua Liberdade" - a única com letra. O trabalho conta ainda com participações de Agustín Galaz, Caetano Farias, Mateus Alves (Mefius), Samuel (DFreitas) e Valentina Vieros, que acrescentam outras texturas à construção das faixas.


Musicalmente, o EP evidencia a maneira como os integrantes articulam suas contribuições. Os timbres e efeitos da guitarra de João Faria conduzem as mudanças de atmosfera, enquanto o baixo de Nicolas Farias e a bateria de Guilherme Ramalho estabelecem uma base rítmica que transita entre diferentes referências. A percussão e os sintetizadores de Pedro Alencar ampliam essa dinâmica, criando espaços para que vozes e instrumentos de sopro dos convidados se integrem à mistura. O resultado é um conjunto de composições que percorre diferentes intensidades sem perder a conexão entre suas partes.


Gravado no Polo Cultural Casa d’Herci, em São Mateus, Jovita Vol. 1 também carrega uma dimensão afetiva e territorial. A escolha do espaço reforça a relação da banda com o lugar onde nasceu e desenvolveu sua trajetória, evidenciando a importância dos espaços culturais independentes para a continuidade de projetos artísticos fora dos circuitos mais estabelecidos. A produção e a engenharia de áudio são assinadas por Guilherme França e Guilherme Ramalho, com mixagem de Lucas Vilaris e masterização de Guilherme França.


O lançamento integra um projeto dividido em dois volumes, gravados em diferentes espaços da cena independente de São Paulo. Enquanto o primeiro revisita composições que ajudam a compreender a formação e a evolução da banda, o segundo, previsto para 2027, foi registrado no Porão Perus, na zona noroeste da capital. Entre as lembranças da garagem, os palcos conquistados ao longo dos anos e as novas possibilidades de criação, a Jovita transforma sua experiência coletiva em música.



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