Conheça: Dramamine

A Dramamine surgiu em 2020, durante o isolamento provocado pela pandemia, e encontrou na música um espaço para desenvolver um universo sonoro próprio. Originalmente concebida como projeto solo de Henrique Seibane, músico natural de Ji-Paraná (RO) e radicado em São Paulo desde 2017, a Dramamine ganha corpo como banda nesta nova fase. O grupo amplia suas possibilidades criativas ao explorar diferentes texturas e atmosferas, transitando entre sonoridades etéreas, melodias envolventes e elementos que evocam tanto o familiar quanto o estranho.
A identidade ganha força em Lullabies for Sleep Apnea (2026), EP que apresenta uma transformação sonora e estética na trajetória do projeto. O trabalho incorpora elementos pop e eletrônicos sem abandonar o caráter atmosférico das composições, construindo paisagens sonoras que oscilam entre a delicadeza e a inquietação. O single "Homeless" já antecipou parte dessa direção ao sinalizar novas possibilidades instrumentais e estéticas para a banda.
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O imaginário do EP também se alimenta do contraste entre a inocência e o desconforto. Inspirada pelo filme Skinamarink (Kyle Edward Ball, 2022), uma das faixas explora como imagens e lembranças associadas à infância podem assumir contornos inquietantes. Nesse território, aquilo que deveria acolher também pode despertar estranhamento, criando uma atmosfera que oscila entre o sonho e o pesadelo - como sugere a própria ideia de canções de ninar atravessadas por algo obscuro.
A produção de Lullabies for Sleep Apnea é assinada por Henrique Seibane e Gil Mosolino, músico ligado aos projetos Grisa e Bike, além de produtor da Applegate. A colaboração contribui para a construção de um trabalho que experimenta novas possibilidades sonoras e reforça a busca da Dramamine por uma identidade que ultrapassa fronteiras estilísticas.
Ao transformar sensações e imagens em matéria sonora, a Dramamine desenvolve uma linguagem que não depende apenas das melodias, mas também das atmosferas que as envolvem. Em sua formação atual, o grupo preserva o caráter contemplativo do projeto original enquanto amplia seus caminhos criativos, fazendo da experimentação um meio de explorar as ambiguidades entre conforto, memória e inquietação.




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