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  • Foto do escritorMichele Costa

As fases de lua de LAZÚLI

Durante o mês é possível acompanhar as mudanças da lua, que transita pela lua nova, crescente, cheia e minguante. Suas transformações impactam nas vidas dos indivíduos - como foi o caso de LAZÚLI, projeto de Ju Strassacapa, que enxergou, encarou e aceitou as diversas facetas que possui.


Sua personalidade, marcada pela consciência e sentimentos, a guiou para criar "De Lua" (2022), seu primeiro disco solo. Com 14 canções, o álbum surgiu após os diferentes processos que a fez resgatar vivências e sua espiritualidade - que segue protegendo, orientando a cantora e auxiliando outras pessoas. “Senti um chamado de que minha arte e a minha voz são minha medicina, meu serviço ao mundo”, comenta.


Abordando temas como espiritualidade, gênero e sexualidade, LAZÚLI compartilha sua essência entre diferentes sonoridades, fazendo com que o ouvinte entre em sua dança que cura.


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Quando você descobriu que precisava iniciar um novo projeto para expandir e compartilhar suas vivências?

Há uns 5 anos já sentia esse anseio dentro de mim, mas levou tempo para eu mesma estar pronta para trazer tudo isso à tona, inclusive, músicas que existiam antes, não fizeram mais sentido quando de fato comecei a trabalhar neste projeto solo.


Cada música do álbum apresenta uma faceta diferente da sua personalidade. Como foi o processo de descobrimento das diferentes luas e o momento de compartilhar com o público as músicas?

O nome do disco já existia bem antes dele. "De Lua" já estava dentro de mim, justamente como reconfiguração da expressão muitas vezes usada de maneira despectiva para descrever alguém emotive ou com humor variável. Essas diferentes facetas sempre se apresentaram em mim e consequentemente nas minhas criações, mas mesmo assim levei um tempo para aceitar essa grande variedade durante o processo de produção/gravação do disco. Nos shows às vezes eu sinto uma insegurança por não saber como tantas vibes diferentes vão reagir dentro do público, mas geralmente as reações são positivas e justamente por isso, por caminhar por tantos mundos.


Em "Me Aconteci" você canta: "me aconteci, me manifestei, me existi". Quando você abre os olhos, o que você enxerga?

Me enxergo presente, aceitando o momento agora, que é tudo o que existe, e portanto é perfeito, e minha manifestação no agora é o melhor que pode ser, é tudo o que há.



"Outono" é a canção mais dançante do álbum. Como foi brincar com a sonoridade? Falando ainda em "Outono", uma frase me chamou atenção: "sem mais medo do câmbio - e o que é que pode vir depois do fim? o novo". Como você vê o novo?

Vejo o novo como um eterno desabrochar da vida, a gente sempre acha que tem controle sobre como as coisas fluem, mas só temos de fato algum controle sobre a maneira como reagimos ao que se apresenta dentro e fora de nós. Sinto que estou sempre mudando, me transformando, tornando-me, pois a vida é movimento e qualquer ser humano atento a isso pode vir a entender que o mais leve a se fazer é aceitar a impermanência, a transição das estações. O novo para mim é na verdade o reencontro com o meu espírito, meu coração, com a verdade mais profunda do meu ser. Foi muito massa descobrir essa sonoridade com as manas que co-produziram esse disco comigo, passamos por vários caminhos até chegar aí e eu amei.


Além da ancestralidade, o que mais te inspirou a fazer "De Lua"? O álbum aborda espiritualidade e reflexões. Ao lançar "De Lua", você teve algum tipo de cura?

Tenho compreendido que de nada vale aprender, crescer, descobrir ferramentas para viver melhor e mais consciente se não compartilhamos isso com o mundo. Essa é minha maneira de compartilhar o que aprendo e recebo de enseñanzas, pela minha arte. Este disco foi o primeiro movimento desse ser mensageiro, LAZÚLI. Tive muitas transformações internas sim, e sigo tendo, cada vez que canto essas canções, suas mensagens me atingem de maneiras diferentes, assim como ao ler uma mesma história em diferentes momentos da vida, ela nos atinge de maneiras distintas pois estamos em fases outras, e certos aspectos que poderiam ter recebido menos atenção antes, saltam aos olhos agora. Sinto isso sempre que as canto, como se ouvindo ao mesmo tempo de fora e de dentro.


Este ano, LAZÚLI realizou, através do edital ProAc - São Paulo, uma live session, onde entoou "Chamo Minhas Ancestrais", "Pomba Gira" e "Intuição". De bônus, a cantora apresentou uma versão renovada de "Triste, Louca ou Má", que faz parte do repertório de Francisco, el hombre.


LAZÚLI mostra que durante a vida, não vale a pena ficar no raso, ou seja, existimos.

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