Holy Fuck: Event Beat
- Michele Costa

- há 2 horas
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A pista de dança não é somente um espaço de celebração para Holy Fuck, o espaço também serve como um laboratório para criar e expandir a sonoridade. Em Event Beat (2026), sexto álbum do quarteto canadense, a dança nasce do atrito: baixos repetitivos, sintetizadores instáveis, guitarras distorcidas e batidas mecânicas convivem em um ambiente permanentemente à beira do colapso. Em vez de buscar refrões ou melodias confortáveis, o grupo encontra força na repetição, na textura e na construção gradual de atmosferas.
Desde sua formação, no início dos anos 2000, o Holy Fuck desenvolveu uma sonoridade que desafia classificações fáceis. Misturando rock experimental, eletrônico, krautrock, pós-punk e improvisação, a banda transformou equipamentos analógicos, ruídos e instrumentação ao vivo em uma assinatura própria, distante da música eletrônica tradicional e igualmente afastada do formato convencional do rock.
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A personalidade segue presente em Event Beat, no entanto, há um controle maior sobre as dinâmicas, permitindo que as composições respirem antes de explodirem em camadas de sintetizadores ou em ataques de percussão. A abertura com "Evie" já apresenta essa proposta. O baixo conduz a faixa com firmeza enquanto os sintetizadores oscilam entre o minimalismo e o caos. "Broken Roots" amplia esse conceito ao transformar um groove aparentemente simples em um exercício hipnótico de tensão contínua.
Em algumas faixas o disco desacelera, como é o caso de "Gold Flakes" que assume um caráter mais contemplativo, lembrando que o ouvinte precisa de um respiro para voltar a se jogar na pista.
Mais de duas décadas após sua formação, o grupo demonstra que continua encontrando novas possibilidades dentro de uma linguagem que ajudou a construir. Em vez de repetir fórmulas ou suavizar seu experimentalismo, Event Beat reafirma a vocação do Holy Fuck para criar música que desafia expectativas sem abrir mão do impacto físico. É um disco que faz dançar, mas principalmente faz permanecer atento, como se cada faixa escondesse um novo detalhe entre seus ruídos e batidas pulsantes.




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