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Emicida Racional VL2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores

  • Foto do escritor: Michele Costa
    Michele Costa
  • 19 de jan.
  • 2 min de leitura

Após expor diferentes facetas de sua trajetória artística e pessoal, Emicida retorna às origens em um novo álbum que transita entre passado e presente sem deixar de projetar o futuro. Tendo os Racionais MC’s - grupo fundamental não apenas para sua formação musical, mas também para sua visão de mundo, de política e de sobrevivência - como principal referência, Emicida Racional VL2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores (Cecropia, 2025) se consolida como um dos trabalhos mais pessoais do rapper.


O ponto de partida do disco vem do verso "quando os caminhos se confundem, é necessário voltar ao começo", dito por Emicida na faixa que abre Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe (Laboratório Fantasma, 2009). Ao revisitar esse início, o artista retorna ao MC das batalhas, que rimava em qualquer espaço possível, e se reconecta aos marcos que o formaram como escritor e performer. A proposta, como o próprio músico já indicou em entrevistas, é olhar para trás não por nostalgia, mas por necessidade de entendimento.


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Emicida Racional VL2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores
(Créditos: Walter Firmo/Cecropia)

Com direção artística, musical e geral assinada pelo próprio Emicida, Emicida Racional VL2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores reúne dez faixas inéditas que atravessam temas como memória afetiva, luto, pertencimento e a experiência negra e periférica no Brasil contemporâneo. O álbum dialoga diretamente com Cores & Valores (Cosa Nostra Fonográfica, 2014), talvez o disco mais incompreendido dos Racionais à época de seu lançamento, por ser moderno demais para aquele momento. Ao se apropriar dessa estética, Emicida a incorpora ao seu repertório, utilizando códigos conhecidos para contar outras histórias.


"Bom dia né gente? (ou saudade em modo maior)" abre o disco como uma colagem de cerca de cinco minutos construída a partir de áudios de Dona Jacira, mãe do rapper, falecida no ano passado. Entre dúvidas cotidianas, pensamentos soltos, comentários e afetos, a faixa se encerra com o choro de Emicida, um registro direto e sem filtros de um luto ainda em elaboração. O piano de Amaro Freitas - presente nessa e em outras faixas - potencializa a carga emocional das letras. O pianista não é a única participação, Rashid e Projota, parceiros de longa data do músico, aparecem em "A mema praça" para revisitarem a confusão que marcou o show dos Racionais na Virada Cultural de 2007.


Combinando rimas afiadas e reflexivas com texturas sonoras que oscilam entre o tradicional e o contemplativo, o disco exige do ouvinte uma escuta atenta para absorver as múltiplas camadas de sentido que as letras oferecem - como é o caso de "Finado Neguim memo?". Dessa maneira, Emicida Racional VL2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores não se trata apenas de homenagear o passado, mas de vivê-lo, senti-lo e reinterpretá-lo para melhor compreender os desafios do presente e projetar caminhos possíveis para o futuro sem pressa, mas com profundidade.



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