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Bruno Berle: Sem Fronteiras

  • Foto do escritor: Michele Costa
    Michele Costa
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

Não existe limite em Sem Fronteiras (Far Out Recordings, 2026). O título do terceiro álbum de Bruno Berle traz uma declaração com intenções: as canções atravessam idiomas, geografias e referências sonoras sem pedir autorização. Após turnês internacionais, o músico estruturou laços com diferentes vozes que saem do seu território. Gravado em Londres, Alemanha, São Paulo, Minas Gerais e Maceió, sua terra natal, o álbum transforma o deslocamento em conceito. 


Se em seus trabalhos anteriores - No Reino dos Afetos (2022) e No Reino dos Afetos 2 (2024) - o cantor explorava a intimidade dos afetos por meio de uma estética lo-fi e caseira, essa essência ganha novos contornos. Sem Fronteiras preserva a delicadeza, mas amplia seu horizonte criativo ao absorver diferentes paisagens sonoras, sem romper com a sua identidade. 


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bruno berle sem fronteiras
(Créditos: Divulgação/Reprodução)

Ao lado de Batata Boy, parceiro desde o início da carreira, Bruno Berle cria um ambiente em que cada instrumento ocupa um espaço preciso, dialogando com as letras. O violão continua presente, assim como o piano, enquanto sintetizadores, colagens eletrônicas e pequenas interferências ambientais surgem como elementos que expandem, e não sobrecarregam, a experiência. Dessa maneira, a produção entende o valor do silêncio, permitindo que as canções respirem antes de revelar os detalhes. 


Aliás, essa inquietação artística também aparece na estrutura das faixas. Bruno Berle evita repetir fórmulas que poderiam torná-lo mais acessível e prefere testar caminhos distintos ao longo do disco. “Não Posso Viver Sem Você” e “Manhã” trazem uma escrita mais direta e melodicamente acolhedora, enquanto “Vim Dizer” reduz tudo ao essencial, mostrando que existe beleza na simplicidade. 


Ao terminar a audição do disco, o ouvinte fica com uma sensação de um músico que transforma a instabilidade da vida em trânsito - hotéis, aeroportos, diferentes cidades e encontros - em matéria-prima para uma obra contemplativa, onde a vulnerabilidade nunca soa como fragilidade, mas como força criativa. É uma obra que nasce das experiências de um artista em constante movimento e encontra, justamente nessa ausência de fronteiras, sua maior qualidade: a capacidade de dialogar com qualquer ouvinte disposto a percorrer suas paisagens sonoras. 



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