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Show: Viagra Boys e Interpol

  • Foto do escritor: Michele Costa
    Michele Costa
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Após uma chuva persistente na última quinta-feira, 19, São Paulo esquentou com o encontro entre os Viagra Boys e o Interpol. Com ingressos esgotados, a Audio deixou de ser apenas uma casa de shows para se transformar em um organismo vivo, isto é, pulsante, suado e extasiado. O público (que, em alguns momentos, reclamou da falta de ventilação e da superlotação) não estava ali por acaso; estava empenhado em viver cada segundo daquele momento.


Os suecos do Viagra Boys abriram a noite com o tipo de caos político que não pede licença. A mistura de pós-punk, garage e deboche encontrou terreno fértil em uma pista já tomada por corpos em expectativa. O vocalista Sebastian Murphy, figura magnética e imprevisível, compreendeu rapidamente o que os brasileiros queriam e conduziu o espetáculo com um setlist que visitou o último lançamento - Viagra Boys (2025) - além de outros discos, criando um show intenso, marcado por moshs constantes, inclusive dos integrantes. o único ponto negativo do show foi os problemas de áudio que atrapalharam o solo de saxofone de Oskar Carls. 


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Se havia o risco de o Interpol soar deslocado após tamanha intensidade, ele se dissipou nos primeiros acordes. A banda optou por não competir e venceu justamente por isso. Em vez de reproduzir o caos, Paul Banks, Daniel Kessler, Brad Truax e Urian Hackney - que substituiu Sam Fogarino - sustentaram uma atmosfera densa, elegante e soturna, quase ritualística. A performance foi menos explosiva, mas não menos intensa: o público, ainda ofegante, se reorganizou em outra frequência, atento a cada detalhe, como se entendesse que ali se instaurava uma segunda camada da experiência.


Diferente do show de 2024, a banda nova-iorquina deixou de fora “Stella Was a Diver and She Was Always Down” para investir em outras canções. Sob os gritos de “lindo, tesão, bonito e gostosão”, Paul sorriu brevemente e retomou seu habitual ar misterioso. Daniel ganhou destaque ao assumir os vocais em uma música inédita, dando pistas sobre o próximo álbum, previsto para este ano. Em contrapartida, o som apresentou falhas durante os momentos de interação: quando o vocalista se dirigiu ao público, quem estava no mezanino teve dificuldade para compreender o que era dito.


Mais do que um simples sideshow do Lollapalooza Brasil, a noite na Audio revelou a potência dos espaços menores diante de bandas acostumadas a multidões. Ali, não havia distância segura entre palco e plateia. Cada suor, cada grito e cada acorde reverberavam de forma imediata, criando uma sensação de pertencimento difícil de replicar em festivais de grande escala.




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