Conheça: Lucas Filmes
- Michele Costa

- 27 de abr.
- 2 min de leitura
Acompanhado de seu violão, Lucas Filmes compartilhou o cotidiano em Neurose Fantasia (2025). O EP do músico paulistano soa como uma conversa entre amigos em uma mesa de bar, ao explorar temas corriqueiros com leve tom irônico. Agora, Lucas dá continuidade à própria narrativa, porém de maneira mais sensível.
"Pai" e "Quanto Amor", lançadas neste mês, abordam a perda de seu pai, falecido em 2024 em decorrência de complicações de um câncer de pâncreas, e funcionam como registros emocionais de antes e depois da despedida.

A primeira canção surgiu durante a cirurgia para retirada do tumor. A música carrega a tensão de quem espera notícias, desejando apenas mais tempo ao lado de alguém amado. Entre delicadeza e melancolia, Lucas Filmes transforma a angústia em canção, como quem tenta suspender o tempo por alguns minutos. Já "Quanto Amor" foi escrita no dia seguinte à morte do pai. A faixa percorre a dor do luto e revisita os anos de enfrentamento da doença dentro da família. Em vez de se prender somente à ausência, o artista escolhe cantar o vínculo, a memória e tudo aquilo que permanece quando alguém parte.
Leia também:
As canções contam com a colaboração de Chico Bernardes, responsável pela gravação e mixagem, além de tocar bateria e chocalho. Os registros versam sobre a iminência e os rastros do fim, de modo que o artista expõe ao ouvinte um honesto retrato de vulnerabilidades.
Desde cedo, a música ocupou um lugar de importância na vida de Lucas Filmes. No entanto, mesmo em contato frequente com bandas e instrumentos, o artista levou tempo para reconhecer a possibilidade real e palpável de construir uma carreira. Somente após o diagnóstico de câncer do pai, em 2021, é que se viu confrontado por desejos antigos e pela chance de encarar novas perspectivas. "Entendi que a vida é muito curta pra ter medo. Então, larguei a faculdade e decidi dedicar meu tempo exclusivamente à criação", diz.




Comentários