Conheça: Ganwalk
- Michele Costa

- 24 de abr.
- 2 min de leitura
Depois de alguns anos como integrante e fundador da Furta Flor, Ganwalk retoma sua trajetória solo reunindo as vivências acumuladas nesse período e transformando experiências em novas formas de criar e apresentar sua arte. O retorno deu voz a "Calma", single que chega acompanhado de uma proposta interativa capaz de aproximar público e obra de maneira incomum.
Mais do que uma nova faixa, "Calma" se apresenta como extensão do processo de autodescobrimento do artista. Para acompanhar o lançamento, Ganwalk criou um site em que o ouvinte pode interagir em tempo real com a canção, explorando diferentes camadas sonoras enquanto escuta. A iniciativa dialoga diretamente com a estética da música e reforça o interesse do artista em experimentar múltiplas linguagens.

Em sua forma não mutável, a música inicia em um transe de efeitos e ambiência e, aos poucos, violão, percussões e sons orgânicos - assobios e elementos da natureza - conduzem a música para um território mais melódico e tradicional. Essa transição cria uma tensão entre o digital e o orgânico, uma cisão que pode "enganar" os ouvintes mais distraídos e que ficam apenas com a impressão da primeira metade do single.
Essa identidade marcada por uma psicodelia conectada à natureza já estava presente nos trabalhos de Ganwalk com a Furta Flor. Com a banda, lançou um EP ao vivo e um álbum em 2025, além de dividir palco com nomes como Tangolo Mangos, Tagua Tagua e Ana Frango Elétrico. Na carreira solo, porém, o artista amplia esse universo ao incorporar a programação como ferramenta criativa.
No site criado para o lançamento, o público pode remixar "Calma" por meio de controles que alteram eco, velocidade e distorção, além da possibilidade de ouvir a faixa ao contrário. A proposta transforma a escuta em experiência participativa e aponta para um caminho em que música e tecnologia deixam de ocupar espaços separados.
Este primeiro lançamento de 2026 inaugura uma série de faixas acompanhadas por experiências interativas. A proposta é construir, ao longo do ano, um álbum fragmentado que culmina em uma exposição dedicada a investigar e discutir as relações entre o orgânico e o digital.




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