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Holly Brickley: Lado B

  • Foto do escritor: Michele Costa
    Michele Costa
  • há 7 horas
  • 3 min de leitura

No início dos anos 2000, a cena indie ganhou espaço ao apresentar uma alternativa ao domínio do pop comercial. Bandas como The Strokes, Arctic Monkeys, The Gossip e Interpol ajudaram a popularizar um som marcado por produção crua e influência do pós-punk e garage rock. Impulsionado por blogs especializados e pelo MySpace, o movimento ampliou o alcance dos artistas independentes. Mais de duas décadas depois, os ecos daquele tempo continuam ressoando - como é o caso de Lado B (Rocco, 2025), de Holly Brickley. 


No livro, traduzido por Marcela Isensee, Brickley utiliza a música para contar a história da jovem Percy Marks. Lado B começa com a protagonista em um bar do campus de Berkeley falando de música, como de costume. Alguma música de Hall & Oates começa a tocar no jukebox, e Percy - que não possui talento musical, só muitas opiniões sobre o assunto - não consegue evitar analisar a canção, apesar de saber que quase ninguém tem paciência para essa conversa. Porém, naquela noite, o cara ao seu lado, o músico Joe Morrow, parece disposto a passar a noite ouvindo o que a garota tem a dizer.


" - Não ando com músicos.  - E por que não? - Ele deu uma risada, caminhando de costas em direção à porta.  Porque músicos me dão uma inveja insuportável."

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Holly Brickley Lado B
(Créditos: Divulgação/Reprodução)

Escrito em primeira pessoa, o romance acompanha as percepções de Percy sobre canções, bandas e sobre si mesma. Além das referências musicais, a protagonista expõe inseguranças, experiências amorosas, a relação distante com os pais, a enorme dívida estudantil e o início da carreira como escritora e compositora. Ao longo das páginas, Percy também ajuda Joe - um músico em ascensão - a aprimorar suas composições, enquanto tenta atravessar a barreira emocional construída entre os dois para transformar amizade em romance. 


Desde o lançamento da obra, Holly Brickley vem sendo comparada a Sally Rooney. A associação faz sentido em alguns aspectos, principalmente pela atenção às relações afetivas e aos dilemas de jovens adultos. Ainda assim, as duas escritoras seguem caminhos distintos: enquanto Rooney mergulha em silêncios e conflitos internos mais densos, Brickley aposta em uma narrativa mais leve, espirituosa e energética, conduzida pelo amor à música. 


Percorrendo diferentes períodos da vida dos personagens, Lado B acompanha tanto o amadurecimento de Percy quanto as transformações da indústria musical. Apaixonada por canções, a protagonista atravessa mudanças de comportamento e consumo cultural, oferecendo comentários irônicos e divertidos sobre tendências, internet e a profissionalização da influência digital. 


Mais do que um romance sobre música, Lado B é uma história sobre pertencimento, obsessões culturais e conexões humanas. Holly Brickley transforma referências sonoras em memória afetiva, criando uma narrativa capaz de dialogar com quem viveu o auge da cena indie dos anos 2000 e também com leitores que entendem a música como parte essencial da própria identidade. 


"(…) Para mim fica claro agora que Jarvis Cocker, o vocalista do Pulp, criou o indie sleaze quando ainda éramos adolescentes - ele criou todo o conceito, a atitude, a estética e pelo menos parte do som, e dez anos depois minha geração agiu como se tivéssemos inventado isso."  

Com tradução para 15 idiomas, Lado B também ganhará uma adaptação produzida pela A24, reunindo alguns dos nomes em ascensão no cinema contemporâneo. O elenco contará com Drew Starkey (Queer) e Cailee Spaeny (Priscilla). A trilha sonora será realizada por Blake Mills, responsável pela trilha da série Daisy Jones & The Six.

©2020 por desalinho.

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