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A virada de Virgo Virgo

Foto do escritor: Michele Costa
Michele Costa
há 10 horas
12 min de leitura

Entre a melancolia e a pista de dança, Virgo Virgo constrói uma trajetória marcada pela experimentação sonora e uma identidade artística própria. Cantora e compositora carioca, a artista transita por diferentes referências musicais para transformar inquietações pessoais em canções que exploram contradições, afetos e amadurecimento. Em seu trabalho, a introspecção não representa necessariamente um lugar de permanência, mas um ponto de partida para descobrir outras formas de expressão.


Desde seu primeiro lançamento, o single "Close to Her" (2018), Virgo Virgo desenvolve uma linguagem que aproxima diferentes territórios sonoros, transitando entre o rock e a música eletrônica. Suas canções partem de sentimentos particulares para investigar questões mais amplas, como identidade, pertencimento e a dificuldade de encontrar equilíbrio em meio às próprias contradições.


Essa relação entre interioridade e movimento ganha destaque em Vergine (2021), EP que explora a melancolia e a introspecção enquanto abre espaço para diferentes experimentações musicais. Em "Vilão", por exemplo, a vulnerabilidade aparece associada à síndrome da impostora, enquanto o remix assinado por Sé da Rua desloca a faixa para a pista de dança. A transformação evidencia uma das possibilidades mais interessantes da música da cantora: sentimentos que parecem exigir recolhimento também podem encontrar expressão no corpo, no ritmo e no encontro com outras pessoas.


A aproximação entre música brasileira e sonoridades eletrônicas também faz parte desse percurso. Em "Virada", seu novo single acompanhado de videoclipe, a artista explora o sambass, subgênero que combina elementos do samba e da bossa nova com o drum’n’bass. A escolha sonora acompanha uma obra dedicada às transformações, à superação e à descoberta do próprio valor.


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Você começou sua trajetória musical em 2018, com “Close to Her” e um EP autointitulado. Olhando para esse início hoje, o que permanece daquela Virgo Virgo e o que você sente que precisou deixar para trás para chegar à artista que é agora?

Olha, eu precisei deixar bastante coisa pra trás. Eu diria que sou outra pessoa mesmo. Esse EP foi um grande teste pra mim, pra tudo. Eu queria muito começar a construir a minha carreira e eu sabia o tipo de artista que eu queria ser, mas eu tinha muito medo. Então, eu lancei esse trabalho e eu, propositalmente, escolhi não colocar músicas tão autobiográficas nele porque primeiro eu queria saber como eu me sentiria subindo num palco e cantando qualquer coisa que fosse, como eu reagiria às críticas que chegassem, como eu lidaria com a minha imagem estampada por aí etc… É como um ator que pega aquele papel que ele praticamente nem fala só pra entender como funciona um set, como ele vai se sentir se vendo na câmera, como os olhares das pessoas vendo ele vai impactá-lo, e por aí vai. E, por mais que eu não me veja tanto refletida nele, eu posso dizer que ele cumpriu o papel de me ensinar o que eu precisava pra poder seguir em frente, afinal, eu olho pra tudo isso que eu falei que precisava “testar” e eu digo “quero continuar, isso é pra mim”. Então, quando eu olho para aquele momento eu vejo uma menina muito insegura lutando contra todas essas inseguranças pra poder seguir seu sonho e hoje em dia eu sou uma mulher que fez o sonho virar uma profissão, uma empresa, não tá só focada em si mas no que o público quer e gosta também, já teve muitas das suas dúvidas respondidas enquanto outras foram surgindo e que reorganizou sua doçura, ingenuidade para poder dar lugar a uma frieza necessária para construir essa carreira.


Vergine é um trabalho bastante autobiográfico e atravessa referências que vão do rock ao eletrônico. O que aquele EP representava para você no momento em que foi lançado e como você o escuta hoje?

O Vergine pra mim é uma etapa muito importante, porque foi quando eu me dei um grande voto de confiança. Eu estava muito deprimida na época que o gravei e, além do trabalho, a única coisa que me tirava de casa eram as idas ao estúdio para gravar esse EP. Foi nesse momento que me permiti fazer o que eu quisesse artisticamente, é daí que nasce “Tour”, por exemplo, uma canção que escrevi em cinco idiomas e, que, no que tange a produção e melodia, é uma música muito única. E tudo o que eu fiz nessa época eu queria que fosse muito original, que só pudesse ter saído da minha cabeça mesmo e não tivesse nada por aí que se assemelhasse. Quando olho pra trás eu vejo uma artista muito corajosa, muito fiel a sua própria visão, embora ainda bastante crua pro business da coisa. É um momento muito importante porque foi quando eu entendi que eu não precisava esperar por alguém que fosse decidir as coisas pra mim, mas que eu mesma tinha discernimento o bastante pra fazer isso. Quando eu escuto ele hoje, não vou mentir, eu me admiro… E é claro que eu ouço o que precisava ser melhorado, o que eu podia ter feito melhor etc, mas num geral é um trabalho do qual me orgulho muito. Eu demorei um tempo pra entender que eu havia transformado a dor que eu estava sentindo em um trabalho muito bonito, que trouxe muito movimento e alegria pra minha vida. Todos os artistas fodas que eu conheci, que contribuíram para “Virada” ser o que é, o Vergine foi com certeza a carta de apresentação. Foi um trabalho que me levou pra fora do Brasil, que me fez ganhar dinheiro com música pela primeira vez e eu pude dizer “Nossa, eu sou profissional disso mesmo”.


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(Créditos: Vine Ferreira)

Há algo interessante no contraste entre a melancolia de suas letras e a possibilidade de criar músicas que também convidam o corpo a se movimentar. Você pensa na música como um lugar em que tristeza e prazer podem coexistir?

Sim, eu acho que vários sentimentos podem e devem coexistir, na verdade. Algo que estou sempre refletindo sobre é como a gente poderia consumir mais música que abordasse temas que vão além dos que a gente já tá acostumado, como amor, decepção, coração partido, desejo por outra pessoa, etc., que são sentimentos universais, eu entendo, mas se a gente pega o tema “triângulo amoroso”, o ponto de vista na música geralmente é de quem tá sendo corno, quase nunca da amante ou da pessoa traindo, né? E eu acho que é porque as pessoas têm dificuldade em assumir que nem sempre a gente vai ser o mocinho na história, às vezes a gente é sim o algoz. E eu acho que é legal a gente consumir o ponto de vista da pessoa que diz “fui traída, tô mal” tanto quanto da pessoa que canta “traí mesmo porque não tava feliz e não me arrependo, foda-se”. Eu, como ser humano, estou sempre procurando formas de viver coisas que me tragam perspectivas que nunca viriam se eu não tivesse saído do lugar, justamente para trazer essas perspectivas muito únicas para minha arte. No Vergine, por exemplo, eu cantei sobre a dúvida como algo muito interessante em “O Que Será Que É?”, em “Remington” canto sobre alguns temas, entre eles, sobre como a quase extinção do manuscrito com a chegada da máquina de escrever pode ser uma analogia à perda de identidade e padronização nas redes, em “Vilão” sobre a complexidade que é você estar inserida em contexto que te julga por se apaixonar por um cara branco sendo uma mulher negra, enfim, eu acho importante falar sobre o que quase ninguém tá falando, a partir de uma escrita singular, pessoal. “Virada”, por exemplo, é uma música em que o eu-lírico tá questionando “Por que você acha que eu, que vivi tantas transformações, que tive que amadurecer tão rápido, que passei por tanta coisa vou me abalar com a sua rasteira?”


"Quando eu olho para aquele momento eu vejo uma menina muito insegura lutando contra todas essas inseguranças pra poder seguir seu sonho e hoje em dia eu sou uma mulher que fez o sonho virar uma profissão."

Seu trabalho transita por diferentes territórios sonoros, sem parecer muito interessado em permanecer dentro de um gênero específico. Você começa uma música pensando em uma sonoridade ou a sonoridade aparece a partir daquilo que você quer dizer?

Eu gosto muito de transitar entre os gêneros mesmo e a sonoridade geralmente aparece depois. No caso de “Virada” foi diferente porque eu sabia exatamente o que eu queria fazer no disco todo que era mesclar elementos da música brasileira, principalmente samba e bossa nova, com música eletrônica e mais especificamente jungle e drum’n’bass. Todo o álbum foi feito a partir dessa perspectiva, não que toda música soe exatamente como a canção “Virada”, mas o encontro dessas duas coisas foi um grande fio condutor pro álbum. No passado, a produção já era algo que eu ouvia na cabeça enquanto escrevia a música, mas o resultado final sempre ficava meio diferente do que eu imaginava: às vezes pra melhor, outras pra pior. Foi quando eu entendi que pra esse projeto eu precisava de uma direção bem clara e coesa. E deu muito certo. O produtor de todas as músicas, o Baroque Angel, é um anjo de verdade que entendeu completamente o que eu estava querendo passar e não mediu esforços pra me entregar exatamente o que eu queria. As músicas bebem desse encontro que falei - às vezes mais brasileiras, outras mais eletrônicas - e a produção é sempre o ponto alto.


O eletrônico aparece como uma possibilidade de expansão da sua música, especialmente quando pensamos no remix de "Vilão (Sé da Rua Remix)". O que a pista de dança permite dizer ou experimentar que talvez uma canção mais introspectiva não permita?

Eu começo a remixar as músicas com essas artistas e a caminhar pro lado eletrônico da força quando eu percebo a diferença que faz no palco pra mim. Eu entendi que no palco eu preciso dançar e isso influencia muito as minhas produções hoje em dia. E me interessa muito esse paradoxo da música melancólica que encontra nas batidas eletrônicas um lugar pra acontecer. Quando eu decidi remixar o Vergine, por exemplo, eu queria que a vibe dos remixes fosse completamente diferente da vibe das canções originais e eu queria também levar pro palco a minha energia naquele momento que não era mais depressiva; eu tava feliz, tinha me mudado pra São Paulo e feito muitos amigos, minha carreira começava a crescer, tava fazendo parceria com artistas que eu amo, enfim… Eu queria cantar uma versão do Vergine que refletisse isso. Não era mais aquela menina no quarto chorando, sabe? 


A sua obra parece nascer muitas vezes de estados internos bastante específicos. Você precisa estar vivendo determinada emoção para conseguir escrever sobre ela ou consegue revisitar sentimentos antigos durante o processo?

Não, não preciso estar vivendo uma emoção pra escrever sobre ela. No álbum Virada, que vai sair ano que vem, tem uma música que eu canto sobre um casal que decide abrir a relação e rola um arrependimento, enfim, é uma canção chamada “Artilharia” que dentro do disco pra mim é uma crônica carioca muito inspirado em Nelson Rodrigues. E eu não vivi isso, mas eu conheço pessoas que viveram, conheço finais parecidos e eu tenho formação em Literatura, o que me traz muita criatividade na escrita, uma bibliografia enorme pra se consultar, etc. Eu não costumo escrever sobre sentimentos antigos conscientemente, mas inconscientemente acontece bastante. A composição tem isso de servir como um processo terapêutico profundíssimo, muitas vezes eu componho algo que não é sobre nada muito específico, aparentemente, e depois a ficha cai e eu entendo “Ah, isso é sobre aquela situação, nossa…”, e a música “Virada” é um exemplo disso. A música não é sobre uma coisa só, mas uns dois anos antes de escrever “Virada” eu vivi uma situação de uma amizade muito profunda, de uma década, que acabou. Na época, eu não senti muita tristeza nem compus nada sobre, até que depois que eu fiz “Virada” eu entendi que a música tocava nesse desconforto também, que tava ali guardadinho dentro de mim ainda e precisava ser digerido. 


Em “Canto”, você coloca a própria voz como uma espécie de orientação: “pra que mapa se tenho meu canto”. A música sempre funcionou como uma bússola para você?

Sim, mas não só a música. A música, a imagem, videoclipes, moda, performance, literatura… Tudo isso pra mim serviu como bússola. Eu não consigo ser monogâmica com a música - tem outras manifestações artísticas que eu amo demais -, mas eu diria que a música é o meu maior amor e que amarra tudo isso. Porém, eu estaria mentindo se eu dissesse que “Ai, a música me basta, a música é tudo pra mim”, porque não é assim. A música pra mim é fundamental, mas não pode ser só isso. Eu seria triste se eu só fizesse música e não tivesse envolvida no tratamento dos meus videoclipes, por exemplo, ou se eu não pudesse fazer um ensaio bafo pra acompanhar o que eu tô cantando. E outra coisa é que eu jamais cantaria se eu não escrevesse, tipo, um álbum como intérprete até vai, mas construir uma carreira na música só sendo compositora mesmo.


Em "Zodíaco" você canta "sempre levando um pouco de guerra para a pobre da paz". O quanto as contradições - entre guerra e paz, movimento e repouso, dúvida e certeza - são importantes para a sua composição?

Extremamente importantes porque o ser humano, incluindo a mim, é contraditório. A coerência geralmente leva a uma vida muito chata e de poucos riscos. Eu acredito que uma coisa complementa a outra, e não que são somente contraditórias - o que já é contraditório se parar para pensar. Eu acho que a gente precisa estar aberto a mudar de rota, repensar a estratégia, dar um giro de 180º e, geralmente, o lugar onde você termina é muito diferente do lugar onde você começou.


Em "Poema Mon Roi" você diz que “a minha carne viva tá em carne viva desde nas chamas me jogaram”. Ela segue assim? A imagem das chamas também pode sugerir destruição e renascimento. O que precisou ser queimado para que alguma nova versão de você pudesse aparecer?

Eu não me coloco mais em situações em que eu posso ser jogada às chamas e pra mim foi a melhor decisão. Nessa época eu precisei acionar mesmo o arquétipo da fênix e renascer das cinzas, mas o amadurecimento me ensinou que a intensidade que eu vivia as relações na maioria das vezes não valeu a pena, mesmo que eu tenha conseguido transformar a dor em força e beleza como no caso de “Vergine”, por exemplo, eu perdi muito tempo. Porque é lindo poder dizer hoje que eu pude aplicar a alquimia na minha vida, mas a verdade é que até conseguir transformar o ruim em bom, o dia a dia é muito doloroso. Não há porque sofrer se não for por algo que valha muito a pena.


“Virada” nasce da ideia de transformação e descoberta do próprio valor. Que transformação pessoal ou artística estava acontecendo quando você começou a escrever essa música?

Eu escrevi “Virada” no final de 2024 quando eu ainda morava em SP, mas sabia que precisava voltar pro Rio, porque estava muito pesado pra me manter em SP. Pesado de diversas formas. Daí, eu acho que eu fiz uma profunda reflexão sobre meu tempo em SP, a diferença entre quando eu cheguei e esse momento de partida, de uma cidade que me abraçou e me ensinou muito, e voltar a morar no Rio que é um lugar que amo mas que me traz um desconforto muito grande, por todas as questões que existem apesar da beleza do local. Ao mesmo tempo, eu me preparava pro meu show no Sesc Pompeia, que eu vejo como um marco na minha carreira até agora e que foi um show de encerramento da “era Vergine” para mim, tanto que nesse show eu canto “Virada” e outra música que também vai estar no disco e se chama “Obará”. Esse foi o momento que eu percebi que eu queria cantar sobre minha infância, sobre o Rio de Janeiro na minha visão, sobre querer dinheiro… O disco é sobre tudo isso.


O vídeo de "Virada" cria uma paisagem em constante transformação, em que identidade e mitologia cultural se sobrepõem. Como você queria que o público se sentisse dentro dessa paisagem?

Quando eu escolhi essas imagens brasileiras que aparecem no vídeo e vão de Maysa a Daiane dos Santos, eu procurei vídeos que traduzissem mais ou menos o que eu cantava na música. Então, não são só as imagens escolhidas mas a ordem que elas aparecem também importa. Pra mim, é um vídeo sobre memória, eu estou performando ali envolvida por memórias. Muita coisa aconteceu antes de eu nascer, outras eu pude ver, mas tudo ali é memória nacional coletiva. Assim como a música que também fala de memória, sobre alguém que se lembra de tudo na infância, que se pergunta o quanto o outro lembra do que viveu com ela, etc. Então, acho que quis trazer à tona um sentimento que não é nostalgia, mas talvez uma irmã da nostalgia, que vai sim trazer um aperto no peito mas ao mesmo tempo dizer “Nossa, olha a nossa história em imagens, a nossa iconografia… A gente é foda, a gente é tudo isso mesmo.”


Se Vergine estava muito associado à melancolia e à introspecção, “Virada” parece apontar para um movimento diferente: sair de dentro de si e ocupar o mundo. Você enxerga essa mudança na sua trajetória?

Com certeza, mas o mais bonito de tudo isso é que esse momento “Virada” só chegou porque quando eu estava no meu momento mais frágil eu reuni forças para lançar o Vergine, saí do Rio pra São Paulo, onde não conhecia praticamente ninguém, fiz minha rede de amigos e quando as pessoas viram o que eu podia fazer elas me deram oportunidade. Então, eu que sempre tive problemas de auto estima comecei a fazer grana de modelo, eu que sempre tive inseguranças em relação a minha voz como cantora, fui convidada a participar de projetos com gente enorme tipo o Marcelo D2, daí me mandaram pra Califórnia pra fazer networking porque me viram como uma artista que merece estar na mesma sala que o Tyler the Creator e Dave Free, principal parceiro criativo do Kendrick Lamar, cantei em festa de moda, em bloco de rua, no Sesc Pompeia… Tudo isso me provou que eu só preciso sair de dentro de mim e ocupar o mundo e aí eu posso ganhar o mundo. Isso é o que me trouxe a esse momento “Virada”.


Que outras "viradas" você ainda espera acontecer? 

Sendo sincera, eu quero muito que aconteça uma virada financeira na minha vida. O dinheiro pra mim é tão importante quanto a palavra e, como sou eu mesma que invisto na minha arte, eu quero ter muito mais pra investir muito mais. Acho que às vezes a gente fica dando muita volta pra dizer o óbvio: dinheiro importa muito. Eu espero que essa virada aconteça. Para mim, se a minha família e amigos estão bem, saudáveis, só me interessa a arte. Eu não preciso comprar uma roupa de grife toda semana, o carro do ano e tal… Eu quero mesmo é investir em um universo visual pro que eu faço musicalmente, ter acesso aos melhores equipamentos e profissionais, poder pagar todo mundo muito bem, etc. Eu acho que uma virada financeira possibilitaria outras centenas de viradas.



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