• Michele Costa

A nitidez sonora de Flávia K

Flavia K tem motivos para comemorar: acaba de lançar o "Nítida", seu novo EP, entregando uma mistura entre o indie soul e o R&B alternativo para os amantes da música. O novo projeto traz 5 canções, entre releituras de clássicos e autorais, ao vivo. Desse modo, a artista resgata suas inspirações femininas e fortalece sua veia artística, como explica: "Criei este projeto para que fique Nítida a minha verdade artística".


Sua história começa na infância, quando começa a aprender tocar piano. Mais tarde, estudou piano clássico e piano jazz na Fundação das Arte de São Caetano do Sul (SP) e desde então, tem aplicado os dois ritmos em suas canções. Seu talento a fez ser convidada por grandes artistas para dividir o palco, como é o caso de Ed Motta, Wilson Simoninha, Jair Oliveira, Luciana Mello, William Magalhães (Banda Black Rio) e Marco Mattoli (Clube do Balanço). Além disso, a cantora participou do show "Estação Melodia", tributo ao grande Luiz Melodia, que aconteceu no Sesc Pinheiros. Acabou dividindo palco com Paula Lima, Chico César, Anelis Assumpção e Elisa Lucinda.


Mesmo sendo jovem, Flavia K conta com uma década de carreira. Influenciada por Steve Wonder, Ed Motta, Djavan, Anita Baker, Ella Fitzgerald e Prince, Flavia sabe onde quer chegar e continua batalhando para que outras musicistas conquistem os espaços que sempre desejaram.


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Você começou a tocar piano na infância e desde então não parou mais. O instrumento está muito presente em suas canções. Queria saber mais sobre a sua relação com o piano, um instrumento tão doce, que traz tantos sentimentos para os ouvintes.

Pelo motivo de ter começado a tocar tão cedo, é meio automático pra mim [risos]. É no piano que eu componho, produzo, tenho novas ideias e passo meu tempo livre, tocando e cantando. Então, ele é meu segundo instrumento, pois o primeiro é a voz. Mas sem ele, acredito que meus trabalhos e criações ficariam muito mais limitados ou dependentes de algum outro instrumentista para criar as harmonias.


Você já fez releituras de diversas canções. Qual o seu processo no momento de escolher o artista e a música?

Sempre procuro escolher músicas que eu gosto, que me identifico. Também procuro composições que eu consiga colocar minha personalidade para deixar a releitura dentro da minha característica como artista.


Para apresentar "Nítida", Flavia K compartilhou em seu canal do Youtube, desde fevereiro, vídeos semanais para apresentar os singles. Ao lado do tecladista Diogo Ville, a cantora faz uma performance livre, entregando-se por completo. O cenário também chama atenção; foi inspirado nas apresentações do Tiny Desk e conta com LPs de Elis Regina, Nana Caymmi, Prince e Cesar Camargo Mariano - inspirações da artista.


Você divulgou um single toda semana. O que podemos esperar de "Nítida"? Inclusive, como você chegou a esse título?

Pensei no EP "Nítida" como algo que eu gostaria de ouvir depois de um dia de trabalho ou numa tarde de domingo. Meu objetivo é levar esse clima relax para quem vai escutar. A ideia do título é representar o conceito do EP: a naturalidade, visceralidade e clareza da minha identidade musical e artística.


Você tem apresentado suas canções de um jeito mais caseiro, mais íntimo. Como foi para você se apresentar em lives, sem público, sem a aglomeração que a gente tá acostumado?

Inicialmente foi um pouco estranho, demorei pra me acostumar com o contato com o público através do chat [risos]. Agora, já me acostumei e amo ter esse contato mais pessoal com a galera.


"Janelas Imprevisíveis" foi lançada em 2019, no disco que leva o nome da mesma canção. Agora, você relançou com uma melodia diferente. Como foi o processo e o porquê de criar uma nova leitura para essa canção?

"Janelas Imprevisíveis" é uma das músicas do meu repertório que mais amo cantar, sinto que nela tenho mil possibilidades para mudar um pouquinho a interpretação quando canto. Por isso, resolvi colocá-la no "Nítida", para poder levar ao público mais uma dessas possibilidades.


Ainda falando de álbum, você percebeu diferenças no seu estilo musical desde o momento que você começou a cantar profissionalmente até agora? Muita coisa mudou?

Com certeza! Até porque comecei a cantar profissionalmente com 12 anos, então todo o processo de formação de identidade musical já foi na vida profissional. Apesar de que acredito que o artista é mesmo uma "metamorfose ambulante", está sempre mudando, evoluindo, pensando e repensando. Musicalmente falando, na adolescência eu ouvia muita coisa "old school". Hoje, eu também ouço muitos artistas novos e de diferentes gêneros, então, isso com certeza influencia muito na música que faço hoje.



Como é o seu processo de criação? Você tem mais facilidade em criar a letra, a melodia ou a harmonia?

Normalmente, eu começo pela harmonia, defino uma estrutura, depois a melodia. Aí, gravo uma guia e levo para algum parceiro letrista escrever em cima da composição instrumental. Às vezes, acontece de chegar alguma letra e eu criar a música em cima da ideia, mas é raro.


Estamos há um ano em pandemia e em isolamento social. Como tem sido o confinamento para você? Continua criando? Durante essa fase, a música mudou de sentido para você?

No início, fiquei um pouco congelada na parte criativa, tentando assimilar tudo o que estava acontecendo. Agora, já criei uma rotina em casa e voltei a criar, inclusive, já estou pensando no meu próximo disco! Essa fase de pandemia me fez aprofundar mais ainda na música e também me aprimorar mais, porque estou tendo mais tempo de introspecção em minha arte.


A gente sabe que não é fácil ser artista, principalmente nesse período conturbado… Queria saber como é ser artista feminina na área cultural.

É mega difícil! As mulheres musicistas têm menos oportunidades e menos credibilidade. Nós temos que provar nosso talento e nossa capacidade o tempo todo - é um trabalho árduo e exaustivo.


Para finalizar, queria saber o que esperar de ti no futuro. O EP já está saindo [a entrevista foi feito antes do lançamento, “Nítida” já está disponível], queria saber se podemos esperar mais surpresas no decorrer deste ano.

Terão mais lançamentos neste ano, com certeza! E já podem esperar um novo álbum para o ano que vem!


O álbum "Nítida" está disponível em todas as plataformas musicais.

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