Os 50 melhores álbuns internacionais de 2025
- Michele Costa

- 18 de dez. de 2025
- 10 min de leitura
Nossa seleção dos 50 melhores álbuns internacionais de 2025 reúne lançamentos que atravessam gêneros, culturas e estilos, mostrando que criatividade e inovação caminham lado a lado. Cada disco traz uma história, uma identidade sonora própria e a capacidade de surpreender, seja pelo lirismo das letras, pelas batidas inventivas ou pelas performances ousadas.
Entre nomes consagrados e revelações inesperadas, 2025 se consolida como um ano fértil para a música global. Este é o mapa sonoro de um período em que a diversidade não é apenas celebrada, mas indispensável - um reflexo do mundo plural em que vivemos.

King Gizzard & The Lizard - Phantom Island
Lançado em junho deste ano, o álbum combina seu rock psicodélico característico com arranjos orquestrais ricos e variados. Gravado junto às sessões do álbum anterior (Flight b741, 2024), o disco explora texturas mais suaves e introspectivas, transitando entre rock clássico, grooves setentistas e momentos cinematográficos, entregando uma viagem sonora criativa e emotiva.
Rosalía - Lux
Em Lux, Rosalía aprofunda sua pesquisa sonora ao unir pop contemporâneo, música eletrônica e referências de outras tradições. Com produção sofisticada e atmosfera intimista, o disco explora temas como desejo, identidade e transformação, reafirmando a artista como uma das vozes mais inventivas e ousadas da música pop atual.
Lorde - Virgin
Após se arriscar em uma euforia pop ensolarada com Solar Power (Universal, 2021), seu terceiro disco, Lorde retorna com Virgin (Republic, 2025), seu trabalho mais íntimo, introspectivo e sensual. Confira as impressões do álbum aqui.
The Mars Volta - Lucro Sucio; Los Ojos del Vacío
O retorno do projeto encabeçado por Cedric Bixler-Zavala e Omar Rodríguez-López se aprofunda ao utilizar uma linguagem mais caótica e experimental, mas o faz sem concessões. O álbum aposta em composições fragmentadas e climas sufocantes, destacando-se - mais uma vez - no lirismo político. Ao fundir rock progressivo, psicodelia e tensões de matriz latina, o disco investiga trauma, colapso e sobrevivência com rigor e excesso, reafirmando a banda como um projeto inquieto e necessário.
Pulp - More
More marca o aguardado retorno do Pulp após 24 anos com um álbum que mistura maturidade e autoironia, dando continuidade ao charme eu consagrou a banda nos anos 90. A elegância sonora e temas sobre envelhecimento, desejo e reflexões cotidianas revelam habilidade narrativa e produção meticulosa, funcionando como um retrato honesto de uma banda que cresceu - e envelheceu - com seu público.
Bad Bunny - Debí Tirar Más Fotos
O disco mostra o cantor em um momento de inflexão criativa, menos interessado em hits imediatos e mais disposto a refletir sobre memória, fama, problemas e identidade. O disco desacelera o reggaeton expansivo que o consagrou para apostar em climas introspectivos, letras confessionais e uma produção que flerta com melancolia e minimalismo.
Tyler, The Creator - Tap The Glass
Tap The Glass reforça Tyler, The Creator como um artista que domina a própria linguagem, mas também expõe seus limites. O disco aposta em produção polida, beats inventivos e letras afiadas, equilibrando introspecção e provocação com segurança quase excessiva.
Lady Gaga - Mayhem
Mayhem apresenta Lady Gaga em modo de confronto: um disco que abraça o excesso, o drama e a estética do caos como linguagem pop. A produção é grandiosa e agressiva, alternando momentos de impacto imediato com faixas que soam mais calculadas do que catárticas. Gaga segue vocalmente impecável e carismática, como foi seu show em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Turnstile - Never Enough
O álbum expande a sonoridade, indo além das raízes do hardcore. Never Enough é um disco mais ensolarado, emocional e acessível ao público (principalmente aqueles que não curtem a banda), feito para o verão e momentos de liberdade compartilhada - com guitarras flutuantes e influências que vão do shoegaze ao reggae, sem perder a vivacidade característica do grupo.
Jeff Tweedy - Twilight Override
Não é novidade que Jeff Tweedy seja um compositor inquieto - tanto em sua carreira solo quanto à frente de suas bandas. Em Twilight Override essa inquietação se transforma em método. Confira as impressões aqui.
FKA Twigs - Eusexua
Neste disco é possível ver FKA Twigs mergulhar ainda mais fundo em seu universo sensorial e emocional, criando uma atmosfera opressiva e sensual que mistura eletrônica experimental, R&B e avant-garde. O álbum transita entre o etéreo e o visceral, explorando temas de desejo, poder e vulnerabilidade com uma produção refinada, mas por vezes abstrata, que exige do ouvinte uma entrega completa.
Japanese Breakfast - For Melancholy Brunettes (& Sad Women)
A introspecção é o eixo principal, trocando o brilho pop de trabalhos anteriores por arranjos mais contidos e atmosfera contemplativa. Michelle Zauner, vocalista e guitarrista, investe em letras delicadas sobre solidão, desejo e amadurecimento emocional, sustentadas por uma produção elegante que privilegia silêncios, texturas sutis e melodias suaves.
Carminho - Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir
O trabalho reafirma Carminho como uma das vozes mais expressivas do fado contemporâneo, equilibrando tradição e sensibilidade moderna. O disco se constrói sobre interpretações intensas e arranjos sóbrios, nos quais o drama amoroso, o feminino, a dor e a resistência emocional são tratados com elegância e contenção.
Todos Mís Amigos Están Tristes - Carne
O primeiro álbum da banda chilena retrata um registro cru e emocionalmente exausto, onde o indie rock serve como veículo para falar de desgaste, intimidade e desconforto cotidiano. As canções apostam em letras diretas e arranjos que equilibram melodia e aspereza, criando um clima confessional que se sustenta mais pela sinceridade do que pela inovação. Uma surpresa e tanto!
YHWH Nailgun - 45 Pounds
O disco de estreia do grupo nova-iorquino é uma explosão de início ao fim. Explorando ruído, repetição e tensão como linguagem estética, o disco traz uma sensação constante de urgência.
Silvia Pérez Cruz e Salvador Sobral - Sílvia & Salvador
Amigos de anos, a dupla se uniu para celebrar a amizade e a música, escritas por amigos próximos. O show é melhor ainda, pois traduz os sentimentos do duo.
Hayley Williams - Ego Death at a Bachelorette Party
Diferente de outros trabalhos, Hayley está madura e centrada ao apresentar um registro mais irônico e fragmentado, usando o pop alternativo como espaço para tensionar identidade, exposição e expectativas alheias.
Candelabro - Deseo, Carne y Voluntad
Não é fácil ouvir o novo disco de Candelabro por conta de sua profundidade e intensidade. No entanto, quando se houve pela segunda vez é possível compreender a imagética religiosa e uma instrumentação ampla - que vai de seções de sopros a passagens quase progressivas - para articular crítica social, identidade e espiritualidade ferida dentro do Chile contemporâneo.
MIKE - Showbiz!
Desenvolvido em uma atmosfera nostálgica e fragmentada, o novo disco do rapper traz temas importantes para reflexões como, por exemplo, luto, dilemas do sucesso e espiritualidade.
Caroline - Caroline 2
Lifeguard - Ripped And Torn
O álbum de estreia do trio é uma explosão de energia pós-punk que revira influências do gênero. Apesar da produção intencionalmente crua e da estética DIY, o disco mistura ruído, guitarras cortantes e batidas nervosas em doze faixas ao mesmo tempo em que se arriscam em passagens experimentais e melodias surpreendentemente eficazes no meio do caos instrumental.
Rose Gray - Louder, Please
O disco de estreia da cantora britânica traz uma energia efervescente da cultura de pista com batidas house/club vibrantes e uma estética pop hedonista que remete aos anos 1980/1990, celebrando festas, liberdade e momentos intensos vividos com amigos e amantes.
Franz Ferdinand - The Human Fear
Após muitos anos repetindo a mesma fórmula, a banda escocesa surpreendeu o público com seu novo disco. Ao deixar de lado as influências que remetiam a Beatles e Queen, o Franz Ferdinand aposta em um álbum mais dançante e acessível, capaz de dialogar com diferentes gerações.
Florence and the Machine - Everybody Scream
Tendo o místico como pano de fundo, Everybody Scream funciona como um feitiço potencializado pela voz de Florence. Entre dança e tensão, o disco investiga o sagrado e o profano, o corpo e o espírito, o controle e o êxtase, a partir de uma sonoridade que mistura folk horror, ocultismo e poesia.
Folk Bitch Trio - More Would be a Good Time
O disco de estreia do trio combina harmonias vocais impecáveis com um lirismo afiado e intimista que transforma situações cotidianas de amor, desilusão e desejo em narrativas folk surpreendentemente vivas e modernas.
Black Keys - No Rain, No Flowers
Depois de anos sem apresentar um bom disco, a dupla, encabeçada por Dan Auerbach e Patrick Carney conseguiram encontrar uma narrativa para o novo disco. O duo deixa de lado parte da crueza do seu blues-rock inicial para abraçar um adult-alternative mais polido e radiofônico, misturando soul, funk e pop retrô com sua marca registrada de guitarras e grooves confortáveis.
Geese - Getting Killed
Getting Killed é um dos álbuns mais instigantes e elogiados do ano: fragmentado, imprevisível e cheio de ideias, o disco mistura rock alternativo com grooves nervosos, choros existenciais e explosões caóticas que parecem capturar tanto o medo quanto o humor absurdista do presente.
Lily Allen - West and Girl
É um retorno pop audacioso que transforma dor pessoal em narrativa musical com uma franqueza poucas vezes vistas em álbuns de grande alcance: escrito e gravado em tempo recorde após o fim de seu casamento, o disco mistura humor ácido, vulnerabilidade e melodias cativantes em faixas que vão do pop teatral ao dance-pop mordaz, explorando traição, disfunções amorosas e autoafirmação com honestidade visceral.
Panda Bear - Sinister Grift
É um disco que recalibra a proposta experimental do artista em direção a um pop psicodélico mais luminoso e acessível, privilegiando melodias clássicas e arranjos cuidadosamente trabalhados que soam ao mesmo tempo reconfortantes e levemente melancólicos, como se tristeza e otimismo dançassem juntos em cada faixa.
Lucy Dacus - Forever Is a Felling
Lucy mergulha de cabeça nos territórios íntimos do amor e da vulnerabilidade, trocando parte da crueza emocional dos trabalhos anteriores por uma sonoridade mais suave, chamber-pop e reflexiva que realça as complexidades do desejo e do afeto queer com detalhes líricos afiados e arranjos ornamentados.
Sharon Van Etten - Sharon Van Etten & The Attachment Theory
Darkside - Nothing
É um álbum que reflete com força o desconforto e a incerteza do agora, misturando improvisação e experimentação sonora para criar um som que é ao mesmo tempo misterioso e visceral. É uma obra ousada e tensa que recompensa a imersão atenta, mesmo que nem todas as peças se encaixem perfeitamente.
Annahstasia - Tether
Após o lançamento de alguns singles e do EP Revival (2023), Annahstasia apresentou, neste ano, seu álbum de estreia marcante que afirma a artista como uma voz singular da atualidade, apoiando-se numa combinação de folk, rock e chamber pop que flutua entre intimidade e drama emocional com arranjos acústicos lânguidos e produção sensível. A força do disco está sobretudo na voz visceral e ressonante da artista, cuja entrega transmite vulnerabilidade e potência com igual intensidade, sustentando canções sobre amor, dúvida e tensão relacional que pendem entre choque e ternura.
Sudan Archives - The BPM
The BPM é um disco audacioso que empurra a artista para uma zona ainda mais eletrônica e dançante, fundindo house, techno, drum & bass e Jersey club com sua assinatura de violino distorcido e vocais ambíguos para criar um cenário sonoro que é tanto festa quanto confissão íntima.
Oneohtrix Point Never - Tranquilizer
Oklou - Choke Enough
É um álbum intrigante e sofisticado onde a cantora funde texturas com arranjos inspiradores, criando uma sonoridade ao mesmo tempo etérea, introspectiva e cuidadosamente detalhada.
Maria Somerville - Luster
É uma obra que equilibra sonho e introspecção com uma elegância sensorial rara no cenário dream pop contemporâneo: sua sonoridade, que mistura shoegaze, ambient e elementos folk inspirados na paisagem de Connemara, cria um universo etéreo e evocativo onde voz e texturas nebulosas se entrelaçam como névoa sobre o mar.
Destroyer - Dan's Boogie
NAO - Jupiter
Cate Le Bon - Michelangelo Dying
Neste projeto é possível ver Cate Le Bom ampliando ainda mais seu universo sonoro idiossincrático, misturando art-pop, jazz e psicodelia com uma precisão fria e elegância inquietante. O álbum é marcado por arranjos intricados, letras enigmáticas e uma atmosfera que alterna entre o introspectivo e o teatral, colocando a voz de Le Bon como guia firme num território onde nada parece óbvio.
Earl Sweatshirt - Live Laugh Love
Live Laugh Love é um dos lançamentos mais envolventes e pessoalmente reveladores do rap em 2025, condensando em pouco mais de 24 minutos uma mistura de introspecção, humor abstrato e maturidade lírica que reflete sua evolução como artista e pessoa - agora pai e mais consciente de si mesmo. A produção crua e irregular, com batidas lo-fi e texturas quase dream-like, complementa a narrativa fragmentada e o fluxo livre de Earl, que transita entre memórias, ansiedades e observações cotidianas com uma poesia que é ao mesmo tempo enigmática e marcante.
Addison Rae - Addison
O álbum afirma Addison Rae como uma artista pop para além da persona digital que a projetou. O disco aposta em um pop polido, sensual e melancólico, com produção que dialoga com o hyperpop suavizado e o R&B eletrônico, revelando uma artista interessada em vulnerabilidade e autoimagem.
Wednesday - Bleeds
O álbum consolida o Wednesday como uma força singular no rock alternativo contemporâneo, combinando narrativa crua e visceral com uma paleta sonora que vai do creek rock e country-tinged ao ruído e post-hardcore mais explosivo. A vocalista Karly Hartzman continua sua escrita afiada, misturando humor e imagens pungentes com melodias que ora acalmam, ora ferem - criando uma experiência emotiva e catártica que se manifesta tanto em baladas introspectivas quanto em ataques sonoros intensos.
Sharp Pins - Radio DDR
Radio DDR de Sharp Pins é um mergulho nostálgico e contagiante no power pop e jangle indie que reconstrói com sucesso o espírito romântico e urgente da juventude através de guitarras cintilantes e refrães irresistíveis. Kai Slater consegue transformar referências explícitas aos Beatles, Kinks e Guided By Voices em canções que soam familiares e ao mesmo tempo pulsantes no presente, com hooks nominais que parecem uma coleção de grandes sucessos DIY.
Hesse Kassel - La Brea
Formada em 2022, pós-pandemia, a banda chilena surpreendeu o público com seu disco de estreia. La Brea é uma obra que mistura post-rock, art-punk e noise com ambição e intensidade raras - suas oito faixas longas e imprevisíveis transitam entre tensão caótica e momentos de euforia, criando um panorama sonoro que desafia e envolve o ouvinte do início ao fim.
Joanne Robertson - BLURRR
Black Country, New Road - Forever Howlong
Após a saída do vocalista por problemas de saúde mental, a banda precisou se reinventar. Não é fácil recomeçar um trabalho, mas o Black Country, New Road conseguiu. O disco traz uma sonoridade mais folk-pop e barroca, com banjo, cravo, flauta doce e harmonias rodopiantes que ora encantam, ora desconcertam.
Mumford & Sons - Rushmere
Após lançamentos frios, o Mumford & Sons conseguiu retornar às raízes do folck ao abraçar, mais uma vez, banjo, violões e harmonias amplas, entregando um álbum curto e bem produzido que evoca claramente os temas e melodias que marcaram seu som nos anos 2010.
Arcade Fire - Pink Elephant
Muitos acham um disco fraco, mas Pink Elephant transforma a introspecção e turbulência pessoal em música, fazendo com o que o disco seja um dos trabalhos mais polarizadores da carreira: a produção minimalista e os temas introspectivos que ecoam mudança e reflexão soam muitas vezes apagados ou desconectados da energia grandiosa que a banda dominava em álbuns anteriores.
The Weeknd - Hurry Up Tomorrow
O mais recente álbum do The Weeknd, é uma ambiciosa e cinematográfica despedida da persona pop que Abel Tesfaye construiu ao longo de sua carreira, expandindo a trilogia iniciada com After Hours e Dawn FM. O disco mistura sintetizadores grandiosos, batidas diversas e colaborações ousadas - de Justice a Lana Del Rey e Anitta - em uma narrativa sobre fama, fragilidade e autoanálise que alterna momentos empolgantes e elegantes com passagens prolixas e repetitivas.




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