• Michele Costa

Dia do Samba: os 10 melhores álbuns do gênero

Durante o curso "Música Popular" que ministrou na Casa do Saber, Zuza Homem de Mello contou a história da música brasileira do jeito que só ele sabia fazer: entre ritmos, palmas, nomes, dados. Zuza relata a cultura brasileira de forma didática e gostosa, fazendo com que seu aluno fique ansioso por mais.


Na primeira aula, Zuza abordou a ascensão do samba, relatando, primeiramente, o maxixe, que fez muito sucesso lá fora (que foram trazidas pelo povo africano); para, mais tarde, transformar no samba. Como exemplo, para mostrar aos alunos, o musicólogo traz dois compositores e cantores para compreensão do tema - são eles: José Barbosa da Silva, mais conhecido como Sinhô, e João de Barro, o Braguinha.


Não demora muito para falar sobre Noel Rosa, uma das grandes paixões que carregou durante a vida. Segundo ele, o músico "fixou o samba com letras e forma musical", definindo o samba que conhecemos. E ele acerta em cheio, mais uma vez! Junto com Ary Barroso, o músico transformou a música brasileira para sempre.


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No fim das contas, o samba é muito mais do que apenas um gênero musical - é uma religião, um grito desesperador da população negra e também uma festa. Desse modo, o samba é resistência!


Para celebrar essa data tão importante, fiz uma lista de álbuns para serem ouvidos nesta quarta-feira e também em outros dias. A seguir, você confere os 10 álbuns para compreender, dançar e encaminhar para o amiguinho - afinal, nada melhor do que o samba para esses dias esses monstruosos que estamos vivendo.


Adoniran Barbosa 1974 - Adoniran Barbosa

No meio da ditadura civil militar, Adoniran Barbosa lança "Adoniran Barbosa (1974)", uma obra-prima para o que o país estava sob domínio dos militares. Ao lado de Xixa (cavaquinho), Miranda (violão), Theo de Barros (violão) e Marçal (percussão), o músico retrata o desenvolvimento de São Paulo, cidade que com o passar do tempo, fica moderna, cheia de prédios, também transformando os cidadãos, principalmente os mais velhos, que não esperavam um avanço tão rápido, cruel. Destaque para a música "Saudosa Maloca".


Eu Não Sou Santo - Bezerra da Silva

Bezerra da Silva nunca teve espaço para a sociedade cruel que viveu (vivemos): morou na rua, era analfabeto, negro, pobre e tinha fome. Com o auxílio de Jackson do Pandeiro (outro mestre!), o músico entra para o ramo musical, cantando os problemas sociais dentro das comunidades, relatando as dificuldades de ser excluído da sociedade. Tornou-se um santo, como mostra a capa de seu LP. Daí surge o “sambandindo”, que mistura samba, críticas e malandragem boêmia, características do Rio de Janeiro daquele tempo.


Cartola 1976 - Cartola

Falar de Cartola é difícil: além de abordar a emoção, falamos de um Deus (em maiúsculo!). Quando a luz o fim do túnel diminui, seu samba aparece e nos guia. Cartola é outro sobrevivente desse Brasilzão. Com "O Mundo É Um Moinho", "Aconteceu", "Minha", "Preciso Me Encontrar", "Cartola (1976)" é um disco perfeito, sem nenhuma reclamação. As composições de Cartola vão muito além do cotidiano, elas são poesias.


Marinheiro Só - Clementina de Jesus

Assim como Cartola, é difícil falar de Clementina de Jesus. Separo em duas partes a minha defesa: 1) mulher, com uma voz poderosa. 2) trabalhava com dedicação, entregava-se completamente à música, mas foi esquecida. Clementina nunca recebeu os aplausos que merecia - por isso é tão difícil falar (ou melhor, escrever) sobre ela.

Seu álbum "Marinheiro Só" foi dedicado para Caetano Veloso, que fez o arranjo da faixa que leva o mesmo nome do álbum. Esse disco é uma celebração ao povo negro. A indicação fica com o livro "Quelé, a Voz da Cor: Biografia de Clementina de Jesus", onde conhecemos a história da cantora que mudou o samba.


O Samba é a Corda… Os Originais, a Caçamba (Os Originais do Samba)

Formado na década de 60 no Rio de Janeiro, Os Originais do Samba ganhou destaque pela música "Do Lado Direito da Rua Direita". Além das letras e harmonias, o grupo era conhecido pelo batuque que fazia, enquanto cantava, com o pé. Tudo que faziam, seja dentro ou fora do palco, fazia sentido, dando outra potência ao samba do grupo.


Sorriso de Criança (Dona Ivone Lara)

"Sorria mais criança pra não sofrer", canta a Primeira-Dama do samba. Em seu segundo álbum, a sonora de uma roda de samba de terreiro é mantida, entregando uma sonoridade autêntica (para não dizer raiz, como os jovens). As composições foram feitas ao lado do parceiro Délcio Carvalho, repetindo o sucesso de "Samba, Minha Verdade, Samba, Minha Raiz" (1978). Destaque à música "O Meu Amor Tem Preço", samba feita por Dona Ivone Lara - inclusive, um dos mais bonitos que já vi.


Brasil Mestiço (Clara Nunes)

Clara Nunes era tudo em uma única pessoa. Em "Brasil Mestiço", a cantora mistura samba, forró e a essência da MPB, entregando a mistura que o Brasil é - como já diz o título. Clara era fã de histórias, por isso, conheceu o país para misturar crenças, culturas, mitos e sentimentos. Outra obra-prima para a música brasileira!


De Pé no Chão (Beth Carvalho)

Quando alguém me pergunta sobre Beth Carvalho, respondo que é tudo. A sambista passou da “área” de deusa e tornou-se tudo, ou seja, alegria, perseverança, domingo, samba, amor e muita, muita, muita, muita alegria. Lançado em 1978, no mesmo ano em que houve o primeiro desfile de escolas de samba na Sapucaí, o álbum “De Pé no Chão” traz de volta Cacique de Ramos, fundado em 1960, bloco carnavalesco que dá voz aos sambistas que não tinham o destaque merecido nas competições dos sambas de enredo. Ao misturar sua arte com um grupo, Beth está entregando nova atribuição ao samba: ele é coletivo, para todos, sem discriminação. Beth é tudo!


Jeito Moleque (Zeca Pagodinho)

Uma coisa não podemos negar: Zeca Pagodinho continua com jeito de moleque. Rindo, brincando e vivendo como se não houvesse amanhã. O impacto de ter participado do bloco Cacique de Ramos é visto nos primeiros discos de sua carreira. A música “Se Tivesse Dó” é a melhor música presente em “Jeito Moleque”.


Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida (Paulinho da Viola)

Em 1970, Paulinho da Viola ganhou destaque ao lado de Jorge Ben Jor. Inclusive, dá para compreender a comparação entre os dois. A faixa-título foi uma homenagem à Portela, sua escola, tornando um clássico dentro da escola.

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