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  • Foto do escritorMichele Costa

A Roma de Fellini

No decorrer dos anos, um país pode se transformar. Na verdade, ele sempre se altera. Nada permanece da mesma forma. A Roma, presente em diversos filmes de Fellini, é um ótimo exemplo. Ao narrar a história das personagens, o diretor italiano traz a cidade que sempre sonhou para suas histórias, transportando o telespectador para aquele momento, vivendo com ele e demais intérpretes. 


Filmado em 1972, A Roma de Fellini (1972) é um filme autobiográfico, em que o diretor italiano retrata poeticamente a cidade que escolheu para morar. Sem ligação narrativa, a obra tem Roma como personagem principal e o alter ego de Federico Fellini que se transforma com as mudanças de takes - em um momento ele é uma criança, depois adulto e, em seguida, torna-se o grande gênio do cinema. Dessa maneira, A Roma de Fellini transita entre a comédia, a nostalgia, a sátira e o drama. 


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A infância é o primeiro tema que surge no filme. Após os soldados salvarem Roma, a cidade é ensinada para as crianças - é a partir dos ensinamentos que o pequeno Fellini fica encantado por aquela metrópole que anos depois tornou-se seu lar. Aliás, ao ver o trem ir embora, é possível compreender a necessidade do diretor sair de Rimini, sua cidade natal. Sua juventude fica para trás, pois A Roma de Fellini começa a narrar os próximos passos do antagonista na fase adulta. 


Teatro e cinema começam a se misturar, conforme o estilo do diretor. A partir de músicas e conversas altas, Fellini oscila entre o que já existiu e o que existirá, questionando como a cidade será no futuro. "E sobre a Roma de hoje? Que impressão deixa no visitante que chega pela primeira vez?", questiona. A resposta está nos símbolos que aparecem em cena: motos, ônibus, vândalos, passeatas, pessoas em situação de rua sob forte chuva, tanques de guerra, cavalos, fábricas, nômades e o início da modernização - passado e presente. 


Federico se mostra confuso com a nova sociedade e o movimento hippie. Ele segue as mudanças das gerações, mas se incomoda com a pressa das pessoas e as novas imagens que invadiram Roma. Dessa maneira, conclui que "tudo parece tão longe, tão diferente". No entanto, um ponto não muda: a atriz Anna Magnani continua sendo símbolo da cidade. 



No final de A Roma de Fellini, o escritor Gore Vidal surge e diz que "Roma é uma cidade de ilusões. É a cidade ideal para ver se haverá fim ou não". Impossível não concordar com a afirmação, afinal, na arte é possível viver intensamente na Itália.


Influenciado por Charles Chaplin, Roberto Rosselini e pelo psiquiatra suíço Carl Jung, Fellini se tornou em um mentiroso inato para tornar a realidade mais interessante do que ela aparenta ser. A Roma de Fellini não existe mais, mas suas ideias seguem vivas. 

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