• Michele Costa

Show: Corpo Sem Juízo

Atualizado: 17 de mai.

O setlist da DJ se encerra. A iluminação do Studio SP diminui. A banda composta por Mulambo (voz de apoio e participação especial), Diane (voz de apoio), Joan Cid (baixo), Evehive (DJ), Venus Garland (bateria), Malka Julieta (teclado e synths) e Apeles (guitarra) sobe ao palco, enquanto a plateia faz barulho. Alguns celulares já estão com as câmeras ligadas esperando o momento da artista subir. Uma breve fumaça passa pelos rostos - mascarados ou não -, então, em um piscar de olhos, surge Jup do Bairro, carregando um buquê de flores. Os gritos invadem o espaço. Jup para e observa seus músicos e a plateia lentamente. Os gritos e palmas continuam. Não demora muito para saber que o show será épico - consequência (ou não) de uma sexta-feira 13.


No EP "CORPO SEM JUÍZO", Jup passa por diversos ritmos com o objetivo de questionar e refletir sobre corpos e gêneros - ao vivo, não é diferente: a multiartista mistura funk e rap, indo do rock ao punk. Se no Lollapalooza Brasil apresentou um baile punk de favela, no Studio SP a artista entregou um show de rock xamânico.


O refrão de "Transgressão" foi cantado a plenos pulmões pelo público que já estava em transe desde que Jup entrou no palco. Em "Pelo Amor de Deize", a plateia pulava e enlouquecia com as vozes de Jup, Mulambo e Diane - o lugar ficou pequeno para o número punk anarquista da canção. "All You Need Is Love" tornou-se uma balada dançante. O ápice ficou por conta de "Luta Por Mim", manifesto sobre o genocídio negro; Jup diz que ninguém vai morrer - impossível não se arrepiar. O protesto continuou com "Ninguém Liga" de Mulambo. O show também contou com a presença de Rico Dalasam que apresentou "30 Semanas", seu novo single que mistura o rap com o pagode.


Jup compartilha as flores com a plateia e Rico, cada integrante da banda faz o seu próprio solo e é assim, entre corpos sem juízos (e elétricos), que o show acaba. Em mais de uma hora, Jup do Bairro exorciza os demônios e flutua junto com o ouvinte. O corpo está vivo e pronto para ocupar todos os lugares.





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