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  • Foto do escritorMichele Costa

Show: pagode novo

Atualizado: 14 de jul. de 2023

Celebrando o espaço físico (após dois anos e meio de isolamento), o pagode novo de Rodrigo Campos que mistura samba, bossa nova, cinema novo, o surrealismo italiano, tropicalismo e nouvelle vague, foi para a rua com os amigos Thiago França, Barulhista e Serginho Machado. Apresentado no último dia de junho, no Sesc Vila Mariana, o músico apresentou as canções filosóficas do último álbum.


Desenvolvido durante os anos de pandemia, "Pagode Novo" buscou (e encontrou) a essência das rodas de samba, mas com uma nova sonoridade - como é observado em "Meu samba quer dissolver”. Ao cantar: “Quero fazer samba / Como se fosse voar / Como se houvesse sentido / Como se fosse possível / A morte enganar", Rodrigo faz um paralelo dos últimos anos da realidade brasileira com o existencialismo de Jean-Paul Sartre e Albert Camus. Inclusive, o álbum segue as estruturas dos antigos trabalhos do músico, como "Conversas com Toshiro" e "Sambas do Absurdo", projeto musical que conta com a participação de Juçara Marçal e Gui Amabis.


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O samba se dissolveu no teatro, com um público que cantava timidamente, mas batia palmas com fervor. A roda se expande com a chegada de Maria Beraldo que dá o tom em "Fernanda na Mitologia", canção que abre "Pagode Novo", remetendo a diversas paisagens sonoras.


No entanto, é com "Silvia e o Medo" que o público mergulha no surrealismo de Rodrigo Campos. "Silvia caída no canto esquerdo do medo / O segredo era um dedo boiando no sol / Na piscina de sangue no meio da pia" me faz lembrar de "Um Cão Andaluz", de Luiz Buñuel e Sylvia Plath caída na cozinha, com o seu próprio medo, enquanto inalava o gás do forno.




Além de brincar com os gêneros musicais, o artista desperta sensações a partir da sonoridade do seu violão, misturado com sintetizadores, bateria, sax e flauta. Rodrigo cumpre o papel do sambista.


No decorrer do show, a roda do pagode novo é pausada para que o músico fale mais sobre o processo criativo e a importância do samba em sua vida. A conversa não é longa, afinal, não se pode desperdiçar um segundo; a música fala mais alto.


Repassando por canções dos álbuns anteriores, o show contou com a participação de Juçara entoou "Clareza" com emoção. Para finalizar o pagode novo, todos os músicos se juntam para "Atraco", lançado em 2021. Assim como tudo que é bom, o espetáculo acaba, mas a essência segue caminhando com a gente.

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