O cinema Anticolonial de Sarah Maldoror
- Desalinho

- há 23 horas
- 2 min de leitura
Entre os dias 21 de fevereiro a 22 de março, o Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB-SP) recebe a mostra inédita O Cinema Anticolonial de Sarah Maldoror, dedicada à cineasta franco-guadalupense considerada uma das primeiras mulheres negras a filmar no continente africano. Com entrada gratuita, a retrospectiva reúne curtas e longas-metragens que evidenciam a relevância de Maldoror na história dos cinemas negros e do cinema realizado por mulheres.
Nascida na França, filha de pai guadalupense, Sarah Maldoror (1929-2020) foi uma figura central do cinema anticolonial. Ao longo da carreira, construiu uma filmografia com mais de quarenta títulos que documentam e ficcionalizam as lutas de libertação em Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde, além de abordar temas como imigração, engajamento político e pensamento decolonial. Sua obra é marcada pela combinação entre rigor político e sensibilidade poética, com atenção especial à subjetividade humana e ao protagonismo feminino nas insurgências africanas.
Com curadoria de Lúcia Monteiro, Izabel de Fátima Cruz Melo e Letícia Santinon, a mostra é considerada uma das mais abrangentes já realizadas no Brasil sobre a diretora. Ao todo, a programação reúne 34 obras, sendo 19 dirigidas por Maldoror e outras 15 assinadas por diferentes realizadores.

A abertura acontece no dia 21 de fevereiro, sábado, às 17h30, com a exibição da versão restaurada de Sambizanga (1972), premiado no Festival de Berlim e um dos títulos mais reconhecidos da cineasta. Baseado em novela de Luandino Vieira, o filme narra a prisão injusta de um homem suspeito de integrar um grupo revolucionário. Após a sessão, a economista e socióloga Henda Ducados, filha caçula de Maldoror, participa de um bate-papo com o público. A primogênita da diretora, Annouchka de Andrade, fundadora da associação The Friends of Sarah Maldoror and Mario de Andrade, também integra a programação e participa de uma conferência sobre Sambizanga no dia 26 de fevereiro.
A retrospectiva de O Cinema Anticolonial de Sarah Maldoror inclui ainda produções nas quais Maldoror atuou como assistente, como A Batalha de Argel (1966), de Gillo Pontecorvo, além do documentário Elas, do argelino Ahmed Lallem, que terá sua primeira exibição na capital paulista. Também serão exibidos trabalhos de Chris Marker, como Sem Sol (1982) e o episódio 7 da série A Herança da Coruja (1989), que contam com imagens filmadas por Maldoror.
A programação propõe diálogos entre o cinema da diretora e a produção de cineastas negras da América Latina. A baiana Safira Moreira dirige a leitura dramática do roteiro inacabado As garotinhas e a Morte, um dos mais de quarenta projetos deixados por Maldoror. A mostra também exibe o longa Cais, de Safira, apresentado na última Mostra Internacional de Cinema, além de quatro curtas-metragens da realizadora.
Além das sessões, o evento promove cursos que aprofundam temas relacionados à memória, ancestralidade e preservação audiovisual. Memória e ancestralidade será ministrado por Lilian Santiago e Lúcia Monteiro. Já Restaurar arquivos em vídeo da televisão será conduzido por Nathanaël Arnould, responsável pela restauração da obra televisiva de Maldoror no Instituto Nacional do Audiovisual da França, ao lado dos professores Eduardo Morettin (USP) e Daniela Siqueira (UFMS).




Comentários