• Michele Costa

Mish: o duo plural que quer colocar todo mundo para dançar

Atualizado: Set 1

“O papel do artista é representar a nossa realidade”, diz Michelle Andreu pelo telefone. Ao lado de João Capdeville, eles são o duo Mish. O significado do nome? Não existe uma explicação definitiva, por isso, abordam tudo. “Mish é uma junção dos nossos compartilhamentos, das ideias, de músicas. Somos plurais”, ela explica. Mish soa como um apelido para a vocalista, já que contém as duas letras do seu nome e é ela que aparece mais. Em um momento da conversa, João diz que Michelle é o foco do projeto, porém “eu tô lá, mas por trás, fazendo os barulhos”.


A história da dupla carioca é interessante: eles eram vizinhos de porta e trocavam poucas palavras (aquele famoso papo de elevador “bom dia, tudo bem?” “muito sol hoje, né?”), foram os elos maternais que os conectaram, tornando-os parceiros. Michelle é formada em biologia, mas sempre gostou de música, compondo e cantando para si mesma baixinho, tímida para mostrar seu talento. Diferente de João que além de músico é produtor. Em um dia, as mães falaram sobre o lado artístico dos filhos e o resultado são músicas dançantes, com sentimentos, com o objetivo de diminuir a ansiedade que carregamos.


"Eu gravava vídeos cantando e colocava no Instagram. Um dia o João me mandou mensagem, perguntando quando eu ia gravar. Respondi "quando você me produzir" e a nossa parceria começou", explica Michelle.


A dupla se lançou em março, no início da pandemia, no momento em que muitos estavam isolados e conviviam com dúvidas, dores e sentimentos obscuros. Foi o momento certo para apresentar as canções e levar amor e muita dança. Inspirados pelo reggaeton, o primeiro álbum Mish (2020) - que já está nas plataformas digitais - aborda a vida e questões dos jovens de hoje - afinal, é difícil viver com dores, dúvidas, amores não correspondidos, paixões, amantes e o início da vida adulta. “Ninguém nos Vê” foi o primeiro single, abordando algumas dessas questões, mostrando a força da dupla.


Em ritmo, algumas músicas são diferentes das outras. “Ninguém Nos Vê” me lembrou muito os desejos dos jovens. O “Porquê das Estrelas” é leve, ótimo para dançar. Tive a impressão de que vocês querem passar algo do tipo “somos jovens, precisamos viver e amar”. É isso?

Michelle: Sim. O papel do artista é representar a nossa realidade, por isso escrevemos e cantamos sobre o que enxergamos, o que passamos. Criamos personagens, colocamos experiências e referências do que gostamos para sermos mais plurais possível.


Como é o processo de criação? Vocês escrevem juntos?

Michelle: Por conta do isolamento, estamos escrevendo a distância. Escrevo e depois mando para o João, pelo Whatsapp, e vamos finalizando. Nos completamos muito.

João: Às vezes mando a melodia primeiro, outras complemento o que a Michelle já me mandou. Não tem um processo específico, a gente não pára nunca.


A música “En Secreto” é em espanhol. Como foi gravar em outra língua?

Michelle: Minha família é espanhola, minha vó só falava comigo em espanhol, então fui crescendo com esse idioma. Gosto de escrever em espanhol, porque o tom é diferente e é uma língua marcante. Vamos gravar mais em espanhol.

João: Em espanhol tem diferença, é mais sedutor. O reggaeton fica mais forte. É legal também misturar o português com espanhol, fica interessante o resultado.


Vocês falam muito sobre o amor, sobre viver. Esses sentimentos continuam vivos no momento em que estamos vivendo?

João: Sim. A música conecta e mostra o que estamos passando. Não nos limitamos e o amor é tão bonito e importante em momentos sombrios.


Como é ser artista independente? Quais são as dificuldades?

João: Com amor a gente vai seguindo. Não temos apoio em nada, precisamos de outros empregos para sobreviver. Trabalho diretamente com música desde 2013 e nós vamos remando na contramão, mostrando um mundo que a gente vibra.



O primeiro álbum do duo Mish foi gravado na casa da mãe de João, sem muitos recursos. Claro que é diferente de um álbum de estúdio, com todas as aparelhagens necessárias, mas uma coisa é certa: não dá para ficar parado. Logo nos primeiros segundos entramos na vibe da dupla e dançamos com eles, esquecendo todas as preocupações. “A música te teletransporta para outro mundo e queremos que isso aconteça com quem está nos ouvindo”, comenta João.


Para Michelle, o álbum foi um sonho, já que canta desde pequena. Quando perguntei sobre as músicas serem biográficas, ambos disseram que não escrevem/falam somente da vida deles - há muito mais. “A gente sabe das nossas raízes, mas precisamos ser muito mais”, comenta Michelle. Enquanto Michelle escreve sobre o que vê, com certa facilidade, João usa alter egos para criar e/ou dar continuidade aos projetos.


Mesmo com o isolamento, o duo Mish continua criando. Durante as duas horas e meia de ligação, perguntei se pensam em criar em inglês. Quem sabe não juntar tudo, fazer um bem bolado. Michelle ri e diz que deixa para sua dupla, João não descarta, mas prefere a língua espanhola. Eles seguem os sentimentos e seus corpos. Quando acabamos o bate papo, perguntei se eles gostariam de adicionar algo que não perguntei. Ambos responderam: “ouçam Mish!”. Agora, enquanto finalizo essa entrevista, faço as palavras deles as minhas: ouçam Mish!!!


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