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Impressões: Interpol

Impressões: Interpol

Após dois anos, o Interpol retornou ao Brasil com três apresentações solo no Sudeste dos álbuns Turn on the Bright Lights  (2002) e Antics  (2004). Com os ingressos esgotados para o primeiro show em São Paulo, o público teve a chance de ver dois espetáculos em uma noite.  Começando o show pontualmente, a banda deu start com “Specialist”. Logo no início, a voz de Paul Banks ficou baixa, consequência do público que cantava junto. Com luzes vermelhas, o primeiro ato de Interpol contou com músicas de Turn on the Bright Lights. Definitivamente não era apenas um show, mas um grande espetáculo aos fãs que esperavam um show solo do grupo há tanto tempo. Na breve interação com a plateia, o vocalista explicou que o show seria dividido em duas partes.  “Roland”, “NYC”, “Say Hello to the Angels” e “Stella was a diver and she always down” foram os hits que animaram a plateia, que estava alucinada com a banda. As luzes vermelhas contribuíram para a atmosfera do álbum de 2002.  Após uma breve pausa - fazendo que o público retorne a gritar o nome da banda para retornar o mais rápido possível -, Interpol retorna ao palco para dar continuidade ao show. Dessa maneira, Antics  se inicia. Em “Next Exit”, “Evil” e “Slow Hands” os fãs dançaram e se emocionaram. Enquanto Banks cantava, Daniel Kessler aproveitava o palco para dançar com os solos de guitarra e interagir com o público. Chris Boome, substituto de Sam Fogarino, não fez feio, assim como Brandon Curtis (teclado) e Brad Turax (baixo) que completaram a banda.  Com pouca interação, Interpol mostrou que não gosta de perder tempo com conversas, pelo contrário, prefere tocar e se divertir com os presentes. Desse modo, o grupo fez um belíssimo show, levando os fãs à loucura e deixando-os sem fôlego.

In-Edit Brasil 2024

In-Edit Brasil 2024

A 16º edição do In-Edit Brasil 2024 - Festival Internacional do Documentário Musical acontecerá entre os dias 12 a 23 de junho em São Paulo, seguida de eventos itinerantes por cidades que serão definidas futuramente. Assim como as edições anteriores, muitos títulos estarão disponíveis de forma online para todo Brasil.  Na programação internacional, o In-Edit Brasil 2024 conta com uma seleção de 20 títulos inéditos que exploram os bastidores e as histórias por trás de grandes nomes da música mundial. Um dos filmes em destaque é Peter Doherty: Stranger In My Own Skin , vencedor do In-Edit Barcelona 2023.  Já no Panorama Brasileiro, que inclui as seções Competição Nacional, Mostra Brasil, Brasil.Doc, Curta um Som e Sessões Especiais, foram escolhidos seis títulos para a Competição Nacional, sendo quatro deles inéditos e terão sua première brasileira durante o festival. O vencedor entrará no circuito In-Edit de festivais e será apresentado pelo diretor ou diretora no In-Edit Barcelona 2024.  Para mais informações, acesse o site oficial do festival.

O tempo de Rod Krieger

O tempo de Rod Krieger

Cresci ouvindo a expressão "o tempo voa" de adultos. Quando se é criança, não temos noção do tempo - tudo parece devagar. Enquanto todos crescem e mudam, você continua no mesmo estágio. Então, de repente, você é adulto e repete a frase dos familiares. Mas não é só isso: após as vivências intensas na juventude, você vê o tempo com outro olhar, tornando-se sábio em algumas escolhas. Você entende o título do primeiro álbum de Rod Krieger, A Elasticidade do Tempo .  Em Por que o Tempo Voa  (Todavia, 2020), Alan Burdick inicia uma busca pessoal para compreender como percebemos o tempo. Em um determinado momento, ele escreve: "o tempo voa porque você não está no momento acompanhando-o." Perdemos o fio da meada quando estamos deprimidos? Relembramos que vivemos apenas quando voltamos cansados de uma noitada? Perdemos o tempo quando não sentimos nada e nos preocupamos com coisas banais? "Com o tempo, tu vai ver que certas coisas já não são tão importantes quanto eram. Coisas que nos tiravam do sério, hoje já nos deixa de boa", Rod diz no meio do papo, respondendo alguns dos meus anseios.  Com mais de duas décadas de estrada, Rod Krieger está em outra vibe. Vivendo entre o oeste português e o Rio de Janeiro, o músico mistura space rock e batidas eletrônicas com influências de bandas folk-psicodélicas dos 60/70 para abordar os diversos assuntos que estão em sua mente. Sua história, sonhos e desejos são retratados através do fluxo de consciência, seguindo os passos de James Joyce, Virginia Woolf , Bob Dylan , Hilda Hilst e Clarice Lispector.  Recentemente, Rod Krieger apresentou "Cai o Sol e Sobe a Lua", a primeira canção de A Assembleia Extraordinária , novo disco que sairá em outubro. A música mistura ritmos e reforça a influência da vida em uma aldeia portuguesa: "Penso que nessa nova fase estou escrevendo de uma forma mais introspectiva, muito influenciado pela minha vivência na aldeia Sobral do Parelhão, que fica no oeste português. De uma certa forma, aquela vida um tanto bucólica acabou caracterizando um pouco as letras".  Leia também:  A nave pássaro de Malu Maria A viagem de Arthur Melo pela música brasileira A paisagem sonora de João Castellani Você acha que o tempo ainda é elástico?  Bom, vamo começar do começo, o nome. O disco tem a participação do Arnaldo Baptista, na primeira faixa, e nesse processo de autorizar o sample da voz dele, que tem uma mega burocracia - coisas de assina aqui, assina ali -, eu fiquei muito próximo da Lucinha, esposa dele e empresária, e eu esqueci uns papéis que eu tinha que enviar ou foi uma homenagem que eu fui fazer, pedi mil desculpas e ela sempre naquela delicadeza dela, naquele carinho dela, falava: "não, Rodolfo, relaxa, o tempo é elástico" e eu fiquei com essa merda na cabeça por muito tempo, porque eu tava correndo - e por que eu tinha que correr? Acho que foi para recompensar a minha adolescência que eu fiquei deitado e comecei a correr, e foi aí que surgiu muita coisa. Eu adoro fazer trocadilho com tudo, sempre trocando ou invertendo as palavras, acho que é até uma herança que eu peguei do Arnaldo também, e acabou surgindo esse nome e tinha muito a ver com o disco, porque ele acabou virando uma coletânea de mim mesmo. Por ser o primeiro disco de um cara que vem de uma banda que tinha cinco compositores e tinha uma outra banda antiga que tinha um monte de música enlatada… Então, mexeu muito com o tempo, sabe? E achei que por um motivo [o nome] se encaixou com as coisas que eu vinha falando. A gente perde muita noção do tempo na estrada, sabe? Eu não lembro muita coisa, qual ano era cada coisa que eu tava, às vezes eu tenho a impressão que a gente não dormia nos horários direito e tava sempre na rua - uma loucura. Então, eu sempre perdi um pouco a noção do tempo e o tempo sempre foi elástico, porque eu sempre dei um jeito de fazer as coisas por mais louca que fosse minha vida, eu tava lá dez minutos antes… E tem outra coisa também! Coisas que eu falei há cinco minutos atrás, acho que sou meio ridículo, e depois de um tempo, na verdade, não era nada disso. Então, o tempo resolve tanta coisa - é meio clichê, mas era o que tava rolando e cá estamos.  O significado do tempo muda também com o passar do tempo, né?  Muda, muda. O tempo é muito louco, a maneira que tu vê os minutos, a maneira como tu vê as horas a partir dos minutos é muito diferente de como tu vê as horas a partir de semanas, elas continuam sendo as mesmas horas… O tempo tem essa coisa. Tu falou um pouco da pandemia… Eu acho que a gente não saiu ainda, porque ainda tá rolando a parada. Tá tudo meio louco… [silêncio]  É esquisito falar, porque eu gravei esse disco vinte dias antes, tava com uma turne marcada… Sabe aquelas historinhas que a gente vê dos anos 60 brasileiro [sobre]  aqueles caras que vieram do interior para São Paulo, largaram tudo e, por algum motivo, chegaram até ali e deram certo?! Eu, de uma maneira ingênua, fui pra Portugal - vendi tudo, vendi meus discos, banda acabou, deixei meu filho - e fui eu, minha esposa, um disco debaixo do braço e uma guitarra. Cheguei lá, descolei um selo, montei um estúdio e quando fui ver, tudo fui pra água abaixo… Aí eu fui pra casa e fiquei dois anos e meio, três anos - nem sei quanto tempo durou essa merda - e aí o nome do disco cada vez mais fazia mais sentido, a cada minuto que passava ou horas ou semanas, eu não sei… E dentro disso surgiu outro disco, saca? Eu perdi completamente a noção do tempo. Agora, eu vou entrar numa turnê de dois discos, músicas que eu não toquei… É cara, posso ficar aqui contigo umas cinco horas falando sobre o tempo.  Aí você vai misturar dois tempos: a produção dos discos junto com a pandemia e o tempo de agora que tá tudo muito estranho. Acho que não dá mais pra voltar ao normal, né?   Não dá! Não tem como! E nem falo que a gente ainda tá, porque nem surgiram as coisas que ainda não surtiram os efeitos… Pega essa galera de Porto Alegre… Que tempo louco!  Em A Elasticidade do Tempo - nem sei se isso foi pensado, se existe uma simbologia por trás - a primeira e a última música tem a palavra Deus. É muito simbólico ouvir o Arnaldo Baptista dizendo "seja Deus". Pra você, qual o significado de Deus e qual o contexto desta imagem em um contexto psicodélico, junto com o Arnaldo?  Ai… [risos] Eu tava buscando a religiosidade na época que eu tava escrevendo essas músicas. Não a religião… Sei lá o que eu tava procurando, mas apareceu no meio e eu não sabia o que era e eu continuo não sabendo o que era até agora. Eu tava meio desacreditado em muitas coisas, até pelo tempo que eu vivi na estrada… Essa música que o Arnaldo participa era uma música que já existia e só faltava um refrão pra ela - e usei isso casualmente. [há um corte na gravação]  Eu usei uma coisa até que o Bob Dylan fala nos livros que ele usava que era o fluxo de consciência, de estar escrevendo e meio que psicografando e acho que por ter estado com "Louvado Seja Deus", acabou saindo uma letra de música pela espiritualidade. Foi uma coisa que eu me liguei depois, sabe? E o fato de acabar com "Vai com Deus", uma música do Tony Bizarro, que é um cover do disco, Tony Bizarro foi um dos caras que a gente mais escutou lá no Canto da Coruja, onde eu gravei o primeiro disco. A gente tava num clima tão psicodélico que a gente queria dar uma limpada nos ouvidos e acabava caindo nessa. Tony foi uma trilha sonora! Eu voltei pra casa, como era numa fazenda, eu fiz um primeiro tiro, voltei para o Guarujá, depois fui fazer uma segunda parte e gravei essa música e acabou sendo uma homenagem. O engraçado é que eu tinha gravado o disco, mas ele não tinha ordem e foi ter depois. Em cinco anos, tu é a segunda pessoa que me pergunta isso. Eu não tinha me ligado nisso até ter dado uma entrevista e achei que ninguém mais ia se ligar nisso e aí tu vem e pergunta isso, por isso que fiquei até meio embaralhado.  O que seria "seja Deus", seguir os próprios passos? Algo específico? Eu descobri nas minhas buscas e caminhadas e meditações que… Cara, eu cheguei já em ponto que acreditar em Deus é não ser um filho da puta. Isso resume tudo!  Os locais que você passou também estão presentes nas suas músicas, tem São Paulo, Guarujá, Portugal. Por que essa necessidade de trazer esses locais?  Porque é história, né?! Muito do fluxo de consciência, as coisas estão aqui, né, elas estão dentro da minha cabeça, esses lugares ficaram marcados. Eu acho que é muito também porque em uma banda, a gente escrevia para uma banda, entendeu? A maneira de fazer as coisas era diferente, agora é sozinho… O eu é muito mais presente, mesmo em músicas que eu fale não na primeira pessoa, mas mudou a forma de escrever. Nós vínhamos em cinco compositores, eu geralmente cantava uma ou duas músicas por álbum e eu sabia quando eu ia escrever, quando eu ia cantar ou quando o vocalista ia cantar. O assunto era outro, a vida era outra, os gostos eram outros, as texturas e os cheiros eram outros… Acabei mexendo um pouquinho no tempo mesmo, algumas coisas vão aparecendo mesmo… Às vezes nem é sobre "vou falar aquilo", mas às vezes é uma palavra, uma cor que tu viveu no teu passado, aí tu coloca uma letra pra enfeitar ou uma borboleta [há outro corte na gravação] , mas a borboleta ficou no teu cérebro e tu acabou escrevendo. Talvez por isso que tenha muita coisa minha ali, por isso que tenha Guarujá e Lisboa. Eu e o Bob Dylan não paramos em lugar nenhum, então, acaba escrevendo sobre estrada.  "É legal botar o pé no freio, vale a pena. É saudável" As diversas facetas de Rod Krieger garante a proximidade com outro, visto que estamos em constante mudança.  No final, o músico não está ocupado nascendo, ele está ocupando vivendo seus dias perfeitos com o tempo que possui.

Conheça: Cidrais

Conheça: Cidrais

Foi em 2013 que os irmãos Vinicius, Larissa e Binho se uniram para formar um conjunto musical. Porém, foi só em 2016, que os irmãos se dedicaram às composições autorais, mesclando indie, MPB e pop.  Desde 2018, Cidrais compartilha com os ouvintes suas canções sensíveis, despertando sensações boas em múltiplas formas e cores. A sensibilidade é o tema central do trio, que está finalizando o primeiro álbum.  “Clareou”, single lançado recentemente, fala de esperança, amizades e, claro, o amor - esse sentimento que não fica de fora de nenhuma música. Sua ideia central é manter e celebrar as pessoas que sempre estão por perto, seja no mundo real como das ideias.  Gravada no estúdio Toca do Bandido, a canção tem direção de Constança Scofield e Felipe Rodarte. “Clareou” foi escrita pelo cantor e compositor Bonfantti, que participa da mesma. O primeiro álbum do trio será lançado ainda neste ano.

Conheça: Suzi Mariana

Conheça: Suzi Mariana

A trajetória de Suzi Mariana começou anos atrás, mas foi só agora que a cantora e compositora revisitou o passado para mirar e imaginar o futuro. Recentemente, Suzi lançou “Qualquer Palavra”, canção que foi composta pela artista aos 17 anos e que foi revisitada em 2023, ganhando uma nova roupagem, transformando-se numa balada rock, com direito a riffs de guitarra e arranjo marcante.  “Qualquer Palavra” é visceral, sincera e sentimental, com letra que explora a angústia e a tristeza das primeiras decepções amorosas do fim da adolescência e do início da fase adulta. Entretanto, revisitar essa composição também faz parte de uma celebração à própria trajetória de Suzi Mariana, que mais madura, conseguiu construir junto ao Igor Gnomo um arranjo potente e presentear os fãs mais antigos que pediam carinhosamente por esse lançamento.  Sobre produzir e gravar o clipe doze anos após compor a canção, Suzi contou: “É muito interessante me ver interpretando uma composição que fiz quando eu praticamente era uma menina, ainda começando a escrever meus primeiros versos. Decidi que a canção merecia um vídeo, pois senti que ela precisava ser melhor “eternizada”, já que passou por um processo tão longo até ser resgatada novamente, então tinha que ser realmente especial.” De voz poderosa, letras intensas e misturando gêneros musicais, as músicas de Suzi Mariana se destacam pela singularidade que os elementos produzem juntos quando são misturados.

Impressões: Dias Perfeitos

Impressões: Dias Perfeitos

É possível viver dias perfeitos no capitalismo? Com o massacre diário - privação de sono, transporte público lotado, salários inapropriados, falta de qualidade de vida e a correria do dia a dia - esquecemos, constantemente, que a existência vai além das preocupações e contas. Mas como encontrar motivos para sorrir e sentir prazer no dia a dia? Wim Wenders responde essa pergunta (e nos dá esperança) em Dias Perfeitos , lançado neste ano.  A sinopse do filme é simples: em mais de duas horas, acompanhamos Hirayama ( Kōji Yakusho ), um homem de meia idade que vive sua vida de forma modesta como limpador de banheiros em Tóquio. Admirador da simplicidade, ou seja, silêncio e natureza, essa característica está no filme todo: o seu lar não possui nenhum luxo, tudo é simples e organizado. Aliás, é através dos símbolos que conhecemos o protagonista: músicas, livros e fotografias são suas paixões e são elas que contribuem para que Hirayama continue vendo beleza enquanto existe.  Em Dias Perfeitos , Wenders critica o modelo de vida perfeita vendido pela mídia e apresentado nas redes sociais. Não é preciso ter muito e ser igual aos outros, pelo contrário, há beleza ao acordar sem despertador, conferir a paisagem através da janela, sentir o vento no rosto, ler um bom livro, aproveitar a solidão e limpar banheiros para ganhar o seu próprio dinheiro. Cada dia é diferente, dando a possibilidade de sermos diferentes, melhores.  Leia também: Um antídoto contra a solidão A leveza de Duna Duo As lições de Franz Kafka Encontrar um caminho (ou seria uma fuga?) na vida moderna é difícil, mas quando conseguimos encontrar uma maneira, aproveitamos o mundo melhor, sob novos olhares - de compreensão, amor e gratidão.  O filme ganha nova potência quando a sobrinha de Hirayama aparece de surpresa na casa do tio. Uma adolescente que veio por livre e espontânea vontade passar uns dias na casa do mais velho. Em pouco tempo descobrimos que existe um conflito familiar: enquanto o homem vive uma vida simples, a irmã é rodeada por riqueza. A sobrinha fugiu de casa por não aguentar mais o ritmo consumista e cansativo? Aliás, é necessário fugir das amarras da família para continuar vivendo dias perfeitos?  Para retratar os diferentes mundos, o diretor utiliza tonalidades que apresentam as variedades vertentes que a realidade possui: os tons claros reforça o esforço do protagonista em seguir uma vida correta; enquanto os tons mais escuros - cinza e preto - despertam a melancolia que persegue Hirayama.  A trilha sonora contribui para que o telespectador reflita sobre sua própria trajetória: quando toca “Perfect Days”, de Lou Reed , lembramos que vamos colher aquilo que plantamos, por isso, é necessário ser uma melhor versão de si mesmo todos os dias.  Lembremos da frase de Thoreau, em Walden: “o homem mais rico é aquele cujos prazeres são mais baratos”. É possível viver dias perfeitos.

Impressões: Formas de Estar

Impressões: Formas de Estar

Existem muitas maneiras de existir. A vida segue diante de nossos olhos quando estamos parados, em movimento, entre quartos desarrumados ou uma “casinha velha” perto dos campos do Gerês e os estúdios Namouche, em Lisboa. Foi assim, em constante mudança, que surgiu Forma de Estar , segundo álbum do Vasco Ribeiro & Os Clandestinos.  O título  do álbum representa as diferentes fases de crescimento e estado de espírito do grupo. Das treze canções, algumas ficaram engavetadas por anos. Ao revisitá-las, Vasco Ribeiro & Os Clandestinos relembram o passado, imaginando o futuro, um espaço onde estarão rodeados por pessoas.  Após lançarem Mais Um Dia , em 2020, o grupo começou a pensar no que viria a ser o próximo trabalho. Com as bases prontas e grande parte de arranjos planejados, a banda foi para os estúdios Namouche, inaugurado em 1973, e por onde passaram nomes como Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Fausto e Jorge Palma, que coincidentemente integram a lista de referências do disco.  Leia também: A espiral de Rebeca As crônicas da Veludo Azul As lentes de âmbar de Christine Valença Não é necessário muitas informações para compreender que Forma de Estar  é uma celebração em conjunto, de uma história extensa que não tem fim, afinal, a cada projeto do grupo, novas pessoas embarcam - como mostra a capa do disco. Formas de Estar  traz a colagem com fotografias de todas as pessoas que participaram da construção do disco.  O folk de “Voz Interior” abre o disco. Já em “Vida de Cão” (melhor canção!) é uma música de protesto - que mistura história real com elementos ficcionais - inspirado na sonoridade dos anos 70; enquanto “Meu Corpo Vai” traz toda complexidade da perda e do recomeço. O folk retorna em “Canas Soltas” para compartilhar as peripécias de Lisboa.  Outras inspirações - sonoras e literárias - podem serem vistas em “Primavera”, “Avenida Morta”, “Deita-te”, “Nada em Especial” e “Lia Anarquista”. Em “Qualquer Um Cantor”, Vasco Ribeiro & Os Clandestinos abordam os sonhadores que caminham pelas cidades, buscando algo. Já em “Homem Que Falava Demais” vemos uma música mais pop, que alcança todos os gostos. “O Sonho” e “Sombra do Meu Ser” trazem as características pessoais dos membros.  Para além de elementos base que constituem o projeto ao lado de Vasco Ribeiro - Francisco Nogueira, Rafael Castro, Henrique Rosário e Antônio Gonçalves - participaram do disco novos clandestinos e clandestinas, que devem também integrar concertos futuros. Dentre eles estão o cantor, compositor e flautista Gabriel Pepe; os saxofonistas João Arez e André Monteiro; o trompetista italiano Samuele Lauro; o ex-integrante da banda Steven Gillon; e o coro de vozes formado por Constança Branco e Carlota Loureiro.

Os tons de Pedro Bezerra

Os tons de Pedro Bezerra

Na música “Um Tom”, Caetano Veloso canta sobre dez tipos de tons, mas existem outras sonoridades. Pedro Bezerra, por exemplo, quando está acompanhado de seu piano desenvolve novos tons que despertam sensações em quem o ouve.  Inspirado em Tom Jobim, Pedro segue os passos do ídolo, ou seja, quando está tocando, o seu corpo se funde com o instrumento, transformando-os em apenas um. Os timbres estão presentes em Tons Vizinhos , EP de estreia do compositor, que traz quatro canções que sintetizam as referências da MPB, do samba e da bossa nova.  "Ele [o piano] precede a letra, a voz, tudo nasce dele. Qualquer ideia de música que tenho corro para o piano e tento ver se encontro alguma coisa ali. Sinto como se esse instrumento maravilhoso fosse parte do meu corpo, então ele não poderia faltar. Todas as canções nasceram no piano, por mais que de vez em quando eu pegue o violão também pra ter alguma ideia diferente, o piano mesmo que é o berço de tudo", explica sobre a sua relação com o piano.  Leia também:  Impressões: C6 Fest A espiral de Rebeca A nova utopia de Régis Bonvicino Tons Vizinhos contém quatro canções. Ao ouvi-lás, o ouvinte consegue conhecer você? Quem ouve as canções pode conhecer partes de mim, ou então conhecer a maneira como eu vejo o mundo, o que é importante pra mim a ponto de ser retratado numa canção. Mas tenho pra mim que depois que a música nasce, quando ela sai do estado de composição nua e crua, ganha uma roupa na produção e depois vai pro mundo, ela ganha vida própria. Acho que o ouvinte pode se conhecer também através dessas músicas. O piano é um dos protagonistas do EP - ele é responsável por interligar as músicas com o público. Como funciona o processo de composição com esse instrumento?  O piano é essencial pra mim, é o meu símbolo máximo de transformação nessa vida. Ao longo dos anos explorando essas teclas sinto que o piano se tornou uma língua mesmo, talvez uma que eu fale melhor que o português inclusive! Então compor uma música ao piano é como contar uma história com notas, que às vezes dura dias, semanas, e às vezes vem numa tarde. Tom Jobim é uma referência que está presente em suas canções. O que ele representa para você e como é mantê-lo vivo?  A importância de Tom Jobim é gigante pra mim. A musicalidade gigante e ao mesmo tempo tão fácil de ouvir me encanta, e o piano quase sempre presente me traz uma identificação nesse ponto. Eu já sonhei diversas vezes com ele, inclusive. Tom Jobim é sinônimo de natureza, de Brasil. Então, pra mim, trazer um pouco da característica de Tom Jobim nas minhas canções é também manter a música brasileira e a cultura brasileira, que são tão ricas, com suas chamas sempre acesas. O violinista Natan Marques, que acompanhou por muitos anos Elis Regina, participou de Tons Vizinhos. Como esse convite surgiu e como foi trabalhar com ele? Quando mostrei as músicas para o Wilson Levy, produtor musical do EP, ele imediatamente foi imaginando quais instrumentos e quais instrumentistas participariam de cada faixa. E quando ele disse que convidaria o Natan Marques para gravar o violão no samba fiquei feliz da vida, e ainda mais quando recebemos a resposta positiva dele. E trabalhar com alguém como o Natan é uma maravilha. Tem uma musicalidade absurda, além de ser uma pessoa também extraordinária e generosa. Contribuiu com várias ideias de produção, harmonias e até com vozes, além do violão claro. Foi uma grande honra poder contar e aprender com ele nesse projeto. E não só ele, mas também com outros grandes e experientes músicos como Márcio Werneck, Edu Nali, Vinicius Marques e o próprio Wilson Levy também. Poder contar com eles fez toda a diferença na qualidade do EP. O EP aborda diversos sentimentos que estão presentes no dia a dia. Como foi trazê-los para suas músicas? O dia a dia, a rotina são fundamentais pra mim. Sinto que só assim consigo perceber a beleza da vida, das coisas ao redor. Então quando vem algum sentimento novo que talvez possa "destoar" por assim dizer da rotina, logo vira poesia na minha cabeça, e daí vai pro piano e vira música. Um exemplo é "Pra Quando Você Chegar", onde a impaciência ao esperar minha esposa voltar do trabalho gerou a canção. Acho que a beleza está nas coisas mais simples da vida. O amor está presente intensamente nas canções, de diversas maneiras - seja positiva ou uma desilusão. É mais fácil escrever sobre este sentimento do que os demais? Não sei se é mais fácil escrever sobre o amor, mas acho que a força que ele tem acaba empurrado pra questão da composição. Acho que a êxtase de estar com o coração cheio ou então o vazio de uma desilusão, ambos precisam de um lugar para repousar sua energia, e no meu caso, acabo compondo. Uma vez minha eterna professora, Silvia Góes, me disse durante uma aula que canções de amor nunca ficam fora de moda. Nunca me esqueci disso. E até hoje concordo! O que você espera despertar nos ouvintes?  Vontade de ouvir mais! Esse meu primeiro EP tem a importância de ser uma apresentação minha para o mundo. Quero que os ouvintes sejam apresentados ao tipo de música que eu faço, aos temas que escolho e a maneira que o piano, as vozes e os outros instrumentos se combinam para mim. Então nesse momento meu objetivo é esse, de me apresentar. E quem sabe talvez despertar em quem ouve a vontade de continuar ouvindo e acompanhando meu trabalho!

Impressões: C6 Fest

Impressões: C6 Fest

Após o sucesso da primeira edição no ano passado, o C6 Fest retornou com a missão de misturar diferentes públicos em São Paulo. Realizado nos dias 17, 18 e 19 de maio, o festival colocou a música no centro das atenções, ou seja, sem ações marqueteiras e locais instagramáveis. No entanto, a organização do evento pecou em coisas básicas: shows acontecendo simultaneamente, copos específicos para bebidas e falta de treinamento para a produção.  No domingo, 19, o primeiro show da Tenda Metlife começaria às 14h. Dessa maneira, o C6 Fest compartilhou as instruções nas redes sociais, indicando a melhor maneira de chegar ao local, porém, muitas pessoas se perderam e como não havia indicações no trajeto do parque, foi difícil encontrar os portões corretos. Assim que se chegava ao local, diferentes pessoas da organização davam instruções erradas. Foi necessário muita paciência para enfrentar o calor e a bagunça. Mas quando Jair Naves entrou no palco, tudo melhorou.  Em 45 minutos, o músico revisitou sua trajetória em um show potente e emocionante. Acompanhado por Renato Zukauskas, Rob Ashtoffen e Lucas Melo, foi impossível não se emocionar com sua apresentação e o carinho que o artista tem com o público (muitos que estavam ali o acompanham desde Ludovic). Em seguida foi a vez do grupo britânico Squid. Os integrantes desaparecem, pois os instrumentos sobressaem, fazendo uma bela mistura de chocalho, gongo e guitarra.  O público jovem surgiu quando Noah Cyrus subiu ao palco. A espera dos fãs valeu a pena: a americana fez um show dançante, entregando-se completamente. Com o fim, foi a vez dos admiradores da Cat Power invadirem o espaço, em busca do melhor lugar para acompanhar a trovadora que está levando a palavra de Bob Dylan pelo mundo.  Assim que subiu ao palco, Cat Power esbanjou carisma e iniciou sua versão para o álbum ao vivo no Royal Albert Hall, de 1966. Em pouco tempo o espaço estava cheio e o público mergulhou na onda da cantora norte-americana. Terminou o show com uma mensagem carinhosa, lembrando a necessidade de trancar o celular na geladeira e deixá-lo naquele local por alguns dias, dando espaço para novas vivências e um olhar atencioso para as nossas necessidades.  Pavement era a banda mais esperada da Tenda Metlife, do C6 Fest. Após anos de espera, os fãs estavam animados com a chegada da banda. Neste encontro não havia amarras: o grupo pode pular, fazer solos de guitarra com o instrumento nas costas e até dançar valsa com uma mulher da produção. "Vocês ficam: ‘Venham para o Brasil!’, estamos aqui porra! Nós já íamos vir, mas gostamos da insistência", disparou o guitarrista Scott Kannberg. Com um público extremamente animado e participante, Pavement fechou o festival cantando seus clássicos, como "Cut Your Hair", "Stereo" e "Shady Lane".

A renovação de ritmos da Zepelim e o Sopro do Cão

A renovação de ritmos da Zepelim e o Sopro do Cão

Para compreender a sonoridade da Zepelim e o Sopro do Cão é necessário revisitar o passado. Em 2006, ano que a banda surge, havia uma efervescência na cena musical de Campina Grande, interior da Paraíba, que buscava misturar o hardcore com outros ritmos regionais. Ao unir os diferentes estilos, a ZSC entrega uma explosiva experiência mundial ("torando uns zepelins", como se dizia antigamente).  Desde sua fundação, a Zepelim e o Sopro do Cão passaram por três momentos de atividades: de 2006 a 2009, outro em 2012 a 2014, e de 2019 até os dias de hoje. Formado por Babu (vocais), Dede Guima (guitarra), Igor Punk (guitarra) e Igor Carvalho (bateria), o grupo retrata sua história em Caranguejo de Açude , primeiro álbum da banda, após aprovação na Lei Aldir Blanc. Em oito canções, ZSC compartilha suas vivências e percepções locais, a partir de uma linguagem única que se comunica com qualquer pessoa - "Corona Haze" é o melhor exemplo: é possível sentir (e relembrar, infelizmente) as inseguranças e ódio durante a pandemia.  "O som da ZSC consegue ser pesado mantendo elementos variados e letras e melodias marcantes que atraem um novo público. A Zepelim conta com uma estética acessível e de fácil assimilação que faz a banda circular bem tanto pelo nicho do rock quanto num ambiente de festival", comenta Babu.  Em entrevista por e-mail, o vocalista refletiu sobre os anos da Zepelim e o Sopro do Cão, as mudanças, o álbum e muito mais.  Leia também: A espiral de Rebeca Conheça: Banana Bipolar Ofuscante a Beleza que Eu Vejo ZSC surgiu em 2006, são quase duas décadas de existência. Como tem sido estes anos? Anos de tentativas, erros e acertos, mas sobretudo de bastante aprendizado e amadurecimento do projeto, da ideia e do conceito do que vem a ser a Zepelim e o Sopro do Cão. Campina Grande é uma cidade de bandas autorais que vem e vão devido a um contexto desfavorável à cultura alternativa. Nesses 18 anos foram 3 períodos de atividade, sendo o atual o mais longo, desde 2019, que marca a minha entrada na banda. E isso foi um marco que ajudou a solidificar a energia que o Punk (guitarra) e o Frango (baixo) sempre depositaram nesse sonho que é a ZSC. Então tem sido anos de um sonho que se concretizou agora em 2024 com o lançamento do disco Caranguejo de Açude , e que ao virar realidade, nos permitiu ter ainda mais ambição artística e maturidade. Por mais que a gente só tenha se conhecido realmente no momento em que entrei na banda, acredito que a gente sempre sonhou junto, sempre imaginou parecido, até que um dia nossos caminhos se cruzaram e esse sonho em comum de se expressar artisticamente se consolidou. A banda passou por três momentos de atividades. Essas mudanças foram necessárias para o som e apresentações da Zepelim e o Sopro do Cão? Foram demais! Todos os períodos de atividade foram importantes para que a formação atual, com o Punk e Frango como remanescentes da formação original, pudesse ter um ponto de partida mais sólido. Nessa formação, a gente conseguiu agregar mais maturidade e, portanto, mais elementos e dinâmica, tanto na lapidação do nosso som, quanto do nosso show. Mas pra que fosse possível essa lapidação, os outros momentos e membros que passaram pela ZSC foram de total importância, pois só assim teríamos o que lapidar. Escrevi numa postagem de manifesto em lançamento ao nosso disco que esse lançamento representa o passado, o presente e o futuro da Zepelim por tudo e todos que representa. Então um salve aos antigos membros da banda, sei que se sentem da família e tenho bastante apreço por isso. A efervescência de 2006 ainda é vista nas canções. Como vocês conseguiram continuar com a áurea do passado nos dias de hoje? Acredito que essa efervescência observada sempre vai tá ligada a energia e a “jovialidade” que acompanha o rock e o hardcore. Mas também nessa formação, a ZSC deu uma renovada nos seus ares através da minha entrada e a de Dede. Eu sou mais novo que o Punk e o Frango, e Dede é ainda mais novo que eu, então existe essa relação de gerações dentro da banda. A gente é muito inquieto artisticamente, eu e Dede formamos uma boa parceria desde os tempos em que trabalhávamos com pesquisas na área de urbanismo, nós somos arquitetos e urbanistas. Então a gente tá sempre buscando dar pano pra manga, referenciar, criar histórias e contextos. Essa inquietude levou a gente a lapidar a criação de flyers mais elaborados e temáticos, roteirizar e editar vídeos, como é o caso do clipe de faixa "DOMÍNIO” que tá disponível no YouTube. Então a banda tem esse encontro geracional e a gente conseguiu estabelecer uma sintonia coletiva muito boa, é uma nova banda, uma nova aura. "Caranguejo de Açude" é o primeiro álbum da banda. Como foi gravá-lo e agora poder compartilhá-lo com o mundo? Véi, em suma, foi a melhor experiência da minha vida. Desde os ensaios de pré-produção até as gravações de fato, foi tudo muito massa. A experiência em si já foi a realização de um sonho, poder compartilha-lo com o mundo foi ainda mais foda. Mas não foi tudo mil maravilhas não, rolaram várias pausas durante a pandemia por Covid-19, ansiedade, desesperança, paciência e perseverança. Foi um combo de acontecimentos que precisou de muita dedicação de toda a galera envolvida. E o disco também só pôde sair nesse momento devido aos editais da Aldir Blanc, com a grana de um desses editais a gente pôde alugar uma casa em janeiro de 2021 e passar o mês ensaiando cerca de 4 vezes por semana num quintal, única forma de mantermos o distanciamento, evitar contaminação pela corona e iniciar o processo de pré-produção. Já pra gravação em si, foram várias pausas, como o estúdio é um ambiente fechado, a gente teve que ter paciência, civilidade e respeito pelas nossas vidas e das pessoas que nos cercam. Foram meses e meses sem gravação, sem saber se esse disco ia dar certo, mas a gente manteve o foco e conseguiu. Já no momento de compartilhá-lo com o mundo, a gente conseguiu criar todo um clima de expectativa com criação de um "mocumentário" sobre o Caranguejo de Açude , tem gente aqui em Campina Grande até hoje acreditando que existe caranguejo no Açude Velho (cartão postal aqui da cidade) haha! Falando ainda sobre o álbum, Caranguejo de Açude  comunica as vivências e percepções de Campina Grande, além de celebrar o interior da Paraíba. Como tem sido ir na contramão do que é visto hoje no mainstream no Brasil? A música vive em tempos de afirmação, de pautas, de mostrar cenários, vivências, diferenças e indiferenças. No nosso caso a gente tem como contexto o interior da Paraíba, acho importante mostrar pro mundo o que é fazer rock no interior do Nordeste, na cidade do maior São João do mundo. Porém, nos apropriamos desse contexto tentando utilizar uma linguagem mais global, sem se apegar a ritmos e instrumentos que revelem uma regionalidade sonora muito forte. O sotaque já nos entrega demais (que a gente é do Nordeste), e a gente preza por esse diferencial, que pode parecer negativo pra algumas pessoas, mas a gente enxerga como algo positivo, um molhinho que poucas bandas de hardcore tem a possibilidade de ter haha!  Apesar de o rock ser a contramão do mainstream no Brasil hoje, a gente tem as "manha" de fazer um som mais acessível, com letras mais líricas, melodias marcantes e vocais mais limpos que tragam o consumidor de música mais universal pro nosso mundo. Além disso, a gente curte ter uma identidade visual que dialoga melhor com as pessoas, cores, fontes e textos que leve o público a se identificar e se aproximar mais da gente. E o rock tá se tornando tendência mundial novamente, várias bandas novas em evidência, e aqui no Brasil acredito que a tendência também seja essa. Esperemos! hehe "Corona Haze" foi composta durante a pandemia. Babu canta: "tô guentando bater de frente / acendendo todo dia a chama que me faz viver" Hoje, após anos de isolamento, vocês continuam batendo de frente com a chama acesa? A chama tá mais acesa do que nunca, haha! Esse sistema que nos entrega todo esse contexto de desigualdade regional e cultural precisa ser enfrentado e a gente tá aí, produzindo sempre, ensaiando sempre, nos articulando e mantendo nossa amizade e nossos sonhos em dia. A gente tem vários lançamentos pela frente, Caranguejo de Açude é só o começo. Todo dia a gente acende essa chama e renova a vontade de viver e fazer música. Isso que nos move!

Conheça: Tuany

Conheça: Tuany

As primeiras composições de Tuany começaram na infância, aos 8 anos de idade. No canto, começou como autodidata aos 9, mas dos 15 aos 16 anos, fez aulas particulares de canto lírico. Sua metamorfose aconteceu em 2019, quando resolveu iniciar sua carreira solo, após anos trabalhando com bandas.  Em 2020, lançou "Hm.", primeiro single. Quatro anos depois, a cantora compartilha com o mundo o seu desenvolvimento no EP Metamorfose , que aborda as transformações pessoais enquanto artista durante os últimos anos, a partir de uma faceta mais madura e autêntica. Com influências de Lana Del Rey, Hayley Williams, Led Zeppelin, Amy Winehouse e Los Hermanos, Tuany se apresenta com recursos handmade, ou seja, tudo feito manualmente, com paciência e determinação.  Metamorfose conta com seis canções que mostram a trajetória da artista. Em seus clipes, Tuany coloca seus artesanais, apresentando mais uma faceta sua: "Todos os audiovisuais lançados até agora tiveram cenário, figurino e direção montados por mim. É uma coisa que eu adoro criar e fazer parte, apesar de ser extremamente trabalhoso. Sinto que quando estou com a mão na massa em todas essas partes, consigo trazer a minha visão da realidade", explica.  "A mensagem que quero transmitir é que tudo bem mudar, se questionar, deixar pessoas e lugares para trás, pra abrir espaço para novos lugares e pessoas. Tudo isso faz parte do nosso crescer, incluindo as feridas, quedas e vitórias. Tudo isso nos molda dentro do nosso casulo e nos faz nascer uma nova borboleta. Acho que esse renascer acontece muitas vezes ao longo da vida", conclui.

A espiral de Rebeca

A espiral de Rebeca

Em “Foge de Casa”, canção que abre Espiral  (Deck, 2024), Rebeca convida o ouvinte a abandonar tudo para passear pelo seu mundo. Logo nos primeiros segundos, nos sentimos abraçados pela melodia e palavras - em um piscar de olhos, estamos viajando com ela.  Revelada no universo pop há dez anos, Rebeca se assume como uma compositora que expressa seus sentimentos após um mergulho criativo de escrita diária. As canções de Espiral surgiram na pandemia, por isso, são carregadas de melancolia - mas não é só isso: durante as dez músicas é possível conhecer a artista. Com produção musical de Rodrigo Martins, Espiral  traz referências como Joni Mitchell, Phoebe Bridgers, Lana Del Rey e Adriana Calcanhotto.  "O conceito das músicas evoluiu muito durante a produção, refletindo minha busca para entender quem sou e explorando meus relacionamentos, não apenas amorosos. Abordei minhas reações diante de frustrações, reconhecendo-as e recalculando a rota. Falo sobre medo, desejo, vulnerabilidade, desistência e o espaço para o novo. É uma fase de transição entre os meus 24 e 28 anos, vivendo em três cidades: Niterói, São Paulo e Rio", explica.  Leia também:  Os reflexos sonoros do Antiprisma O voo de Paulo Franco Yuri Costa não está sozinho Você foi revelada no universo do pop como vocalista da banda Gragoatá. Quando você percebeu que era necessário ter uma carreira solo?  Eu queria explorar uma sonoridade que não tinha muito espaço na Gragoatá, não por falta de espaço para eu me expressar mas porque realmente não fazia muito sentido, na época. Eu queria experimentar timbres eletrônicos, de synth pop, indie e eu imaginava a Gragoatá num lugar de banda com elementos mais orgânicos, onde eu me via apenas intérprete. Acho que precisei encontrar uma sonoridade dentro dos gêneros que eu ouvia bastante na época e um caminho natural foi seguir o solo. Quem viabilizou esse movimento, fazendo o link com o produtor Rodrigo Martins, foi inclusive Fanner Horta, integrante da Gragoatá. Cinco anos separam Cora r e Espiral . O que mudou de lá pra cá?  Acho que amadureci minha escrita e minha forma de observar meus sentimentos. Artisticamente, acabei indo para um lado mais focado na canção para esse álbum.  Durante a pandemia, você mergulhou dentro de si, desenvolvendo uma nova abordagem de criação. Como foi o processo durante o isolamento? Você conseguiu acabar com a timidez?  Quando eu escrevia, era só pra mim. E quando eu escrevia em colaboração com alguém, era sempre uma amiga, alguém próximo. Foi uma forma mais confortável de ser vulnerável, enxergar por uma lente que não bloqueasse o processo criativo no meio do caminho. Durante o isolamento, fiz muitas sessões no Zoom com a Manny Moura e foi um processo tanto de conexão, amizade,  dentro da configuração do isolamento quanto à respeito das composições. A Manny sabe falar sobre sentimentos muito bem.  Espiral  foi gravada entre 2020 e 2024, entre Niterói, Rio, São Paulo, Boston e LA. Como foi fazer um disco que viajou por tantos lugares?  O que eu levo comigo foi aprender a ter paciência pro tempo das coisas, para Espiral concluir todo seu percurso. O álbum só teve esse resultado porque foi fruto dessas experiências. As canções foram criadas conforme as vivências nesses lugares.  Como foi trabalhar com Rodrigo Martins?   Adoro trabalhar com o Rodrigo, ele é um produtor muito criativo e confio muito na visão dele sobre o caminho das músicas. Uma coisa que ajuda bastante é que a gente virou amigo durante a produção de Corar . Para um disco tão pessoal como Espiral, achei que fez muito sentido.  Suas canções abordam a vida como ela é, ou seja, com medo, desejo e vulnerabilidade. Escrever sobre esses sentimentos te fez entender quem você é?  Às vezes eu entendo o que eu tô sentindo depois de escrever uma música. Acho que todo processo criativo é terapêutico e ajuda a gente a entender melhor o que está acontecendo. A arte ajuda a gente a atravessar algumas experiências.  Sua voz expressa os sentimentos que você descreve nas músicas. Como foi cantá-las e compartilhar com o mundo?   Foi um alívio. É muito legal ver também como as pessoas se identificam com sentimentos que para mim são tão íntimos e específicos. O disco levou tempo. Entregá-lo pro mundo também simboliza um novo capítulo, onde eu meio que me permito ter olhos para novas criações.  Em “Cada Amor”, Rebeca canta: “Eu só queria um lugar nos seus braços” - e ela consegue, aliás, vários braços a abraçam após um álbum que navega por diversas sensações.

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