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Conheça: Henri Vasques

Conheça: Henri Vasques

Henri Vasques vem construindo sua trajetória musical a partir de um percurso íntimo e autoral, marcado pela delicadeza das canções e pela atenção às emoções cotidianas. O músico começou a apresentar suas primeiras composições em 2020, destacando-se pela escrita confessional e pelo cuidado em transformar vivências pessoais em narrativas sensíveis e acessíveis ao público. Em 2021, lançou o EP Músicas de Gaveta , projeto que reuniu canções criadas a partir de registros afetivos e reflexões pessoais. No ano seguinte, ampliou esse universo com o álbum Outro Planeta (2022), trabalho que aprofundou sua identidade artística ao explorar novas camadas sonoras e temas como introspecção, deslocamento e pertencimento. (Créditos: Tauana Sofia) Ao retornar à música com o single "Me Dê Todas as Coisas", lançada recentemente, Henri Vasques versa sobre as delícias e os dissabores presentes na vida de um artista independente. "Apesar de ter uma roupagem solar, a letra fala sobre uma dificuldade que muitos artistas independentes enfrentam: se doar demais a suas obras e, muitas vezes, não ter retorno algum - seja de reconhecimento ou financeiro. O que resta é a sensação de sempre estar por um fio, e 'perder o último trem'", aponta. A canção é a única faixa que Henri divulgou antes do lançamento completo de um EP inédito, confirmado para o mês de março.

Carnaval 2026: quando a cidade vira palco da maior festa do ano

Carnaval 2026: quando a cidade vira palco da maior festa do ano

O Carnaval de 2026 já começa a pulsar nas ruas, nos palcos e na expectativa de quem entende a festa como expressão cultural, política e afetiva do país. Entre desfiles, blocos e shows, a festa reafirma o carnaval como território de encontro, diversidade e criação coletiva, mobilizando artistas, comunidades e públicos de diferentes gerações. A seguir, você confere a programação completa do Carnaval 2026, com datas, horários e atividades que integram a celebração ao longo dos dias de folia. Programação completa do Carnaval de 2026 Sexta-feira (06/02) Banda Bantantã Folia no Butantã O bloco Bantantã arrasta os foliões pelas ruas do Butantã ao som de clássicos do samba e marchinhas de Carnaval. O trajeto será: Av. Vital Brasil, R. Estevão Lopes, R. Gaspar Moreira, R. Monte Castelo, R. Catequese, Av. Valdemar Ferreira. Concentração às 16h e dispersão às 22:30. O Pinto do Visconde Organizado pela CUT São Paulo, o bloco protesta contra governos autoritários, defendendo a diversão livre e na rua! O bloco está previsto para desfilar no Brás às 18h, mas a concentração começa às 17h. O trajeto será: R. Caetano Pinto, R. Torquato Neto, R. Carneiro Leão, R. Azevedo Júnior, R. Wandenkolk, R. Visconde de Parnaíba, R. Caetano Pinto. Carnaval da Eddie no Mundo Pensante Com ingressos de R$ 40, a Banda Eddie apresenta sua fusão única de ritmos pernambucanos com pitadas de rock e frevo para balançar a pista. Sábado (07/02) Arrianu Suassunga Com sua orquestra de alfaias, ele embala os foliões com maracatus, côcos, caboclinhos e outros ritmos tradicionais, Arrianu Suassunga une tradição e modernidade. A concentração será às 9h30 e dispersão às 14h30. O trajeto passará por: R. Padre Carvalho, R. Tucambira, R. Ferreira de Araújo, R. João Elias Saada, R. Padre Carvalho. Amor Barato Boemia e grandes sucessos da música brasileira dão um clima de desconcentração. O início do desfile começa às 9h. 99 apresenta Quem Pede, Pede com Ivete Sangalo Pela primeira vez no Carnaval de Rua em SP, Ivete Sangalo comandando o Bloco Quem Pede, Pede, no Obelisco do Ibirapuera. Concentração às 9h e dispersão às 13h. Afosé Vozes do Órun O grupo expressa toda sua espiritualidade, musicalidade e filosofia tradicional das manifestações de matrizes africanas no Limão, sob o trajeto R. Carolina Soares, R. Rocha Lima, R. Cel. Joaquim de Freitas, Praça Antonio Velasco. Casa Comigo Tradicional de São Paulo, o bloco tem a proposta de fazer uma folia genuína, aberta e democrática. Este ano, a folia acontece em Pinheiros, a partir das 11h, contendo o trajeto R. Henrique Schaumann, 567 a 125. A Madonna Tá Aqui Que tal celebrar a diva pop com funk e samba? O bloco dá uma repaginada nas músicas da cantora, deixando o público eufórico. A animação será no Centro, concentração 11h, e o trajeto será Pateo do Colegio, R. Boa Vista, R. Libero Badaró, Largo Sao Francisco, R. Benjamin Constant. (Créditos: Divulgação) Forrozin com Mariana Aydar Fundado para celebrar a comunidade e a música nordestina em todas as suas vertentes, a cantora leva um repertório de músicas autorais e clássicos de artistas como Gilberto Gil, Alceu Valença, Elba Ramalho e outros nomes do forró e do baião. Concentração 11h no Parque do Ibirapuera. Perdi Foi Tudo O Perdi Foi Tudo chega ao carnaval de São Paulo com irreverência, alto-astral e muita animação. O bloco faz parte do Projeto Rua do Orgulho, programa da Diversão Arte e Cultura. O bloco desfilará na Consolação a partir das 12h. Ritaleena Clássico do Carnaval, o bloco segue homenageando Rita Lee e a cidade de São Paulo. Este ano, a concentração acontecerá ao meio-dia e contará com o trajeto Av. Paulo VI, entre Praça Marcia Alberti Mammana e Av. Sumaré, 1529. Vacas Profanas O poder feminino celebrado da melhor maneira: na rua, com música e entre pessoas. O Bloco está previsto para desfilar na Pompeia, com início da concentração às 13:00 e dispersão às 18:00. Bloco Besta é Tu Fundado em 2016, o Bloco Besta É Tu é uma homenagem aos Novos Baianos. Espalhando a felicidade e toda veia carnavalesca de um dos principais grupos da tropicália pelas ruas, o Bloco celebra celebra clássicos da MPB em ritmo carnavalesco e não deixa ninguém parado. A festa passará pelas ruas Wizard, R. Girassol, R. Purpurina, R. Fradique Coutinho, R. Wizard, na Vila Madalena. Bloco do Rock com Supla É possível unir rock com carnaval! Este ano, Supla estará junto com o bloco, melhorando a experiência dos foliões. Concentração às 13h em Pinheiros. Acadêmicos da URSAL O Bloco está previsto para desfilar em Santa Cecília, com início da concentração às 13:00 e dispersão às 18:00. O trajeto será: R. Fortunato, Canuto do Val, Martim Francisco, Frederico Abranches, R. Fortunato. Bicho Maluco Beleza com Alceu Valença Com uma energia única, o Bloco leva toda alegria e magia do carnaval de Pernambuco para São Paulo. O bloco desfilará no Ibirapuera. Bloco 77 As marchinhas ganham letras relacionadas ao mundo punk, como "Olha o moicano do Zezé", misturadas a músicas de bandas punks nacionais, como Ratos de Porão e Cólera, tocadas pela bateria La Revoltosa em ritmo acelerado. A festa começa às 15h no Centro Cultural Tendal da Lapa, Rua Guaicurus, 1100 - Água Branca. Explode Coração O Bloco Explode Coração celebra 10 anos revisitando os momentos mais marcantes de sua história em uma apresentação feita para cantar junto e sentir tudo de novo na Casa Natura Musical . A festa contará com a participação de Catto . Domingo (08/02) Megabloco do Fervo Formado pela banda Fervo Samba Show, grupo é especialista em shows de Escola de Samba. A festa começa às 11h em Santana. Quintal dos Prettos com Emicida e Maria Rita O Quintal dos Prettos exalta o samba de raiz em uma reunião que valoriza a herança cultural e o talento de músicos excepcionais. O trajeto será no Obelisco do Ibirapuera. Bloco da Lexa A cantora Lexa é uma das maiores influências atuais do funk carioca no país, carregando toda a energia dos palcos para o desfile de Carnaval com muita animação, dança, passinhos e looks inspirados. O Bloco está previsto para desfilar na Barra Funda com concentração às 13h e dispersão às 18h. Acadêmicos do Baixo Augusta com Péricles Os foliões são embalados por uma festa que transcende o tempo e o espaço. Além disso, esse ano, Péricles domina a festa. Gal Total Com músicas que embalam gerações, o Bloco é uma celebração efervescente do legado da artista que sai pelas ruas com ritmos envolventes e alegria desenfreada. A festa acontece na Praça Elis Regina, no Butantã. Jah É O Jah É une o reggae ao samba em um Carnaval repleto de alegria e música boa. Com a missão de espalhar liberdade, amor e respeito por onde passa, a positividade do reggae encontra o som cativante do samba em uma festa incomparável. O desfile acontece na Freguesia do Ó com concentração às 15h. Quinta-feira (12/02) A Espetacular Charanga do França Liderada por Thiago França no sax alto e nos arranjos, A Espetacular Charanga do França leva seu já tradicional Baile de Carnaval, celebrando mais de dez anos de música e festa nas ruas de São Paulo, para a Casa de Francisca . Sexta-feira (13/02) Ilú Obá De Min O bloco desfilará no Centro, tendo o trajeto Praça da Republica, Av. Sao Luis, R. da Consolação, R. Cel. Xavier de Toledo, PraçaRamos, R. Conselheiro Crispiniano, Lgo. do Paissandu. Sábado (14/02) Encruzilhadas O Bloco Encruzilhadas leva para o Carnaval a energia criativa do teatro estudantil. Entre performance, expressão e jogo cênico, o cortejo transforma o Centro em palco. O trajeto será: R. Adolfo Gordo, Al. Eduardo Prado, R. Vitorino Carmilo, R. Dr. Carvalho de Mendonça, Praça Olavo Bilac. Rita Seixas Raul Lee Rita Seixas Raul Lee promove um encontro musical inusitado que une os maiores sucessos de dois ícones do rock nacional de forma criativa. A concentração começa 12h na Vila Prudente. Bloco do Boi O bloco resgata a magia do folclore nacional com um cortejo repleto de cores e batucadas que homenageiam as figuras icônicas da nossa cultura. O grupo promove uma imersão nas tradições brasileiras, convidando o público a dançar e interagir com personagens que encantam crianças e adultos em um espetáculo de rua emocionante. O trajeto será R. Izonzo, 459 até 397, no Ipiranga. Bloco 77 – Os Originais do Punk O desfile acontecerá na Barra Funda com início da concentração às 13h. Forró de Todos O grupo resgata a tradição nordestina e convida pessoas de todas as idades para girar no asfalto, transformando o carnaval em um grande e caloroso baile de rua. A festa acontecerá na R. Kobe, na Vila Guilherme. Baile do Magal Sidney Magal apresenta o “Baile do Magal” em uma celebração que une nostalgia, charme e a energia contagiante de seus maiores sucessos, na Casa Natura Musical . Siga Bem Caminhoneira O Bloco Siga Bem Caminhoneira é formado inteiramente por mulheres lésbicas e bissexuais, pessoas trans e pessoas não binárias. O repertório conta com sambas e afoxés para celebrar a diversidade e a resistência. O trajeto do bloco será Largo do Arouche, Av. Vieira de Carvalho. Praçada República, Av. Ipiranga. Segunda-feira (16/02) A Espetacular Charanga do França O bloco desfilará às 9h da manhã na Santa Cecília. O trajeto será: R. Barão de Tatuí, R. Jaguaribe, R. Martim Francisco, R. Frederico Abranches, Lgo. Santa Cecília. Unidos do Swing O Bloco Unidos do Swing é um coletivo que junta o jazz clássico com a música brasileira. É a atmosfera de New Orleans em São Paulo misturando tudo com marchinhas. A concentração é às 13h e dispersão às 18h. Filhos de Gil A homenagem para Gil acontecerá na Av. Helio Pellegrino, 200 a partir das 13h. Bloco da Pabllo O Bloco da Pabllo é uma das maiores celebrações da música pop em pleno Carnaval de São Paulo. Com toda energia que só Pabllo tem, a artista arrasta uma multidão em uma grande manifestação de amor livre e aceitação. O trajeto será o Obelisco do Ibirapuera. Terça-feira (17/02) Pagu Formado apenas por mulheres, é um dos principais bloquinhos de Carnaval que lutam pela igualdade de gênero. Com uma bateria 100% feminina, as intérpretes entoam clássicos da MPB de Carmem Miranda a Elis Regina, assim como Marisa Monte, Gal Costa, Maria Bethânia, Dona Ivone Lara, Rita Lee, Alcione, Beth Carvalho, Baby do Brasil e Margareth Menezes. O desfile começará 11h no Centro. Respeitem os blocos de São Paulo (Créditos: Frâncio de Holanda) Em defesa do carnaval de rua de São Paulo e diversos blocos de São Paulo realizam um ato inédito e simbólico, instalando uma megafaixa na varanda da Laje do Baixo, voltada para a Rua da Consolação, com a mensagem: "Respeitem os blocos de São Paulo". A ação é um posicionamento público diante do atual cenário de falta de recursos e de pressão crescente enfrentada pelos blocos de rua paulistanos. A iniciativa ocorre em um momento crítico para o carnaval paulistano. Entre os últimos acontecimentos têm se destacado a disputa desigual por espaço urbano, além do avanço de megablocos altamente patrocinados e a dificuldade financeira sofrida por dezenas de blocos tradicionais, muitos deles até considerando a hipótese de cancelar seus desfiles por falta de condições mínimas para sair às ruas. Com este ato, os cortejos reafirmam a importância do respeito aos territórios, às comunidades e à história do carnaval de rua de São Paulo, além de cobrarem diálogo, novo modelo e políticas públicas que garantam a sobrevivência e a diversidade dessa manifestação cultural.

Show: Caminhos Selvagens

Show: Caminhos Selvagens

No escuro, a banda aguarda a entrada da cantora. Segundos depois, Catto surge no palco com um vestido prateado de franjas e uma jaqueta de couro. Os gritos e aplausos da plateia do Sesc Bom Retiro dão o tom do show Caminhos Selvagens. O disco - presente na lista dos 50 melhores álbuns nacionais de 2025 - e a turnê marcam um novo renascimento para a artista, que transforma a liberdade criativa em um espetáculo explosivo e singular. Desde os primeiros minutos, o espectador é envolvido pela força e pela sensualidade de Catto e de sua banda; os acordes iniciais de "Eu te Amo" evidenciam essa intensidade. É com essa áurea que a cantora celebra 15 anos de carreira, revisitando faixas marcantes de trabalhos anteriores, como O Nascimento de Vênus Tour (2021) e Belezas São Coisas Acesas por Dentro (2023). Assim, as músicas surgem menos como lembranças e mais como organismos vivos - mutáveis, indomáveis - que acompanham a própria metamorfose da artista. Leia também: Mulher em Fuga Entre histórias, risos e canções: Tom Zé abre o Buraco da Fechadura Sentimental Palace Após a agitação inicial, a plateia entra em um breve estado de calma, hipnotizada pela presença cênica da cantora, que retira a jaqueta para dar continuidade ao espetáculo. A tranquilidade, porém, dura pouco: ao soar os primeiros acordes de "Para Yuri Todos os Meus Beijos", o público se transforma novamente. Mas é em "Saga", interpretada com potência pela tecladista Júlia Kluber, que o show atinge outro patamar. As releituras de Gal Costa surgem como um gesto simbólico poderoso. Catto evoca o espírito transgressor de Gal, artista que sempre compreendeu a música como espaço de liberdade, risco e invenção - valores que atravessam Caminhos Selvagens do início ao fim. O resultado é um espetáculo revigorante, que deixa a plateia em estado de euforia absoluta. O público responde com gritos e entrega, reconhecendo que está diante de algo raro: uma artista que escolheu não se domesticar.

Conheça: Rita Braga

Conheça: Rita Braga

Conhecida por uma obra que transita entre gêneros musicais, a cantora portuguesa Rita Braga apresenta uma versão criativa e inédita de "Chão de Estrelas", clássico da canção brasileira eternizado por Sílvio Caldas, figura central da chamada era do rádio no Brasil. (Créditos: Sara Rafael) Depois de mostrar seu último disco de estúdio, Illegal Planet (2023), em turnê pelo país em 2024, Rita Braga acendeu em si a vontade de gravar um álbum de fados, a partir da teoria cada vez mais debatida de que o fado nasceu no Brasil, chegando posteriormente à Lisboa transformado. É em tom de homenagem a essa ponte luso-brasileira que surge a autêntica versão - sucessora de Fado Tango - do clássico de Sílvio Caldas, composto em 1937. Ainda que não seja tratada como um fado, "Chão de Estrelas", marcada pelo dramatismo e a melancolia, carrega uma forte conexão com a música portuguesa. A gravação conta com um belo acompanhamento de Ryoko Imai na marimba e Bruna Moura no violoncelo, que se somam ao ukulele de Rita Braga, criando uma sonoridade delicada e pouco convencional. A mixagem é assinada por Suse Ribeiro, com masterização de Tó Pinheiro da Silva, reforçando o cuidado estético que atravessa todo o projeto. O lançamento chega ainda acompanhado por um videoclipe concebido pela própria Rita Braga, que recorre a animações inspiradas em brinquedos ópticos do século XIX - considerados os primórdios da animação - em diálogo direto com o poema de Orestes Barbosa, autor da letra. Em março, data prevista para a chegada do disco Fado Tropical , Rita Braga segue em turnê, com shows confirmados na França, dando seguimento à intensa agenda internacional que já contou com apresentações em países Alemanha, Bélgica, Polónia, Itália, Irlanda, Reino Unido, Japão, Finlândia, Austrália e Balcãs, além da tripla vinda ao Brasil.

Astra Vaga transforma o terno corporativo em arte

Astra Vaga transforma o terno corporativo em arte

O terno e a gravata, símbolos clássicos da eficiência e da vida corporativa, mudam de função quando atravessam o universo de Astra Vaga. Inspirado na figura dos salarymen japoneses, o figurino que antes comunicava disciplina passa a operar como linguagem artística, um manifesto visual. Dessa maneira, o projeto musical do português Pedro Ledo transforma símbolos do trabalho em arte.  (Créditos: Hugo Adelino) Criado em 2025, Astra Vaga marca o momento em que Pedro decide assumir por completo sua criação musical, após sua trajetória nas bandas The Miami Flu e Lululemon. Ao abandonar a rotina corporativa, o artista não rejeita seus signos: ele os reapresenta. O traje social, agora deslocado de seu contexto original, torna-se extensão do discurso sonoro do projeto, que cruza dream pop, pós-punk e uma melancolia urbana carregada de introspecção. A comunicação está presente no visual e na sonoridade de Unção Honrosa  (Saliva Diva, 2026), álbum de estreia do músico. O trabalho se constrói como um reconhecimento silencioso após anos de desgaste emocional, evocando ideias de reconciliação com o passado e reparação interior que atravessam as nove faixas do disco. As canções foram compostas e produzidas em estúdios improvisados nas diferentes casas onde o músico viveu no Porto, quase sempre em sessões noturnas, depois do expediente. Esse contexto influencia diretamente o clima do álbum, que soa denso, urbano e confessional. Sem filtros, Astra Vaga aborda temas como depressão, saudade, desencanto amoroso e o desejo de libertação pessoal, usando a música como espaço de elaboração emocional. A melancolia, aparece como fio condutor da obra, não como estagnação, mas como movimento interno. Essa atmosfera já vinha sendo anunciada pelos singles lançados em 2025 - "Lamento", "Cor-de-rosa", "Noite a Cair" e "Roxo" - que funcionam como fragmentos sensíveis do universo do disco. Leia também: Malammore transforma vivência em resistência artística Twilight Override A utopia de Pablo Lanzoni Depois de uma década inseridos em bandas, como tem sido assumir integralmente o controle criativo de Astra Vaga?  Foi e ainda está sendo um processo de aprendizagem. Toda a vida tive o hábito de consultar os meus colegas de banda para mostrar ideias musicais e pedir aprovação deles, e agora com Astra Vaga tive que aprender forçosamente a confiar em mim para tomar todas as decisões e perceber o que realmente gosto porque a única barreira entre as minhas ideias e o que fica registado, agora, sou eu. Astra Vaga surgiu em 2025, mas dialoga intensamente com o passado e o presente. Esse projeto representa um ponto de chegada ou um recomeço emocional na sua trajetória? É claramente um recomeço emocional, estou trabalhando duma forma completamente diferente a nível musical, explorando outros caminhos e estéticas e expandindo a minha arte a outros lugares tal como o vídeo analógico e a vídeo arte. O rompimento com a vida corporativa é um dos símbolos presentes no projeto. De que forma essa decisão atravessa a estética, o som e o discurso do álbum? Afeta sobretudo as letras do disco, que falam de libertação pessoal e refletem o desejo que eu sempre tive de me poder dedicar inteiramente à arte, 24 horas por dia, sem ter que levar uma vida dupla com a qual nunca me identifiquei. O título do disco evoca reconcili (Créditos: Whynotpipi) ação com o passado e o interior. Quando percebeu que era possível transformar o desgaste emocional em música?  Na verdade, acho que sempre usei a música (tanto agora, como em bandas passadas) para expressar o desgaste emocional e frustração, por isso não é algo inteiramente novo em Astra Vaga. No entanto, agora sinto que consegui levar ainda mais longe essa forma de expressão. Unção Honrosa  foi criado depois do trabalho, com sessões tardias e introspectivas. Você encara esse trabalho como um processo de catarse pessoal e/ou como um convite para que o ouvinte revisite também suas memórias e reflita sobre?  Ambas. "O título evoca reconciliação com o passado e reparação interior, um reconhecimento silencioso depois de anos de desgaste emocional." As sessões noturnas influenciaram o clima urbano e melancólico do disco. Como esse contexto moldou o estado das composições?  É difícil de exprimir concretamente essa influência mas diria que o facto de compor de noite e "after-hours" fez essencialmente com que eu pudesse estar focado a 100% na música, sem nenhuma outra distração. A noite é boa conselheira. Em "Cor de Rosa" você diz que é duro recordar. Precisamos mesmo revisitar o passado para seguir adiante?  Penso que não, mas a verdade é que se não estivermos resolvidos com o nosso passado, ele sempre volta para nos fazer refletir no futuro. Eu gosto de ver o passado com “lente cor-de-rosa”, mais belo do que o que realmente foi, daí que essas memórias se transformem ao mesmo tempo em sonhos, que não refletem a realidade a 100% mas que me dão asas ao imaginário. "Ninguém me vê" traduz sentimentos que são difíceis de serem falados. Hoje, após criar a canção, você alcançou a vida que sempre quis?  Não, e acho que isso será sempre inalcançável. Mas na verdade é que nunca estive tão satisfeito na minha vida como estou agora. Estou finalmente a viver da forma que sempre quis. Poder-me expressar artisticamente de forma livre e sem amarras é a melhor sensação que alguma vez senti. Agora que Unção Honrosa  está no ar, você é capaz de levantar e seguir em frente? Se sim, como imagina o seu caminho?  O caminho é continuar fazendo música e andar a mostrar ao maior número de pessoas. Tocar as pessoas com o que eu faço e perceber que existem pessoas que sentem o mesmo que eu é a maior gratificação que obtenho da música. Entretanto já tenho alguns rascunhos do que virá a ser um próximo disco e quero muito preparar uma tour para levar Astra Vaga ao Brasil no próximo ano.

Uma Vida Pequena

Uma Vida Pequena

No artigo " A leitura algorítmica matou o prazer ", o pesquisador Gabriel Mattos levanta um questionamento pertinente: "estaria a leitura, nosso refúgio analógico, também se plataformizando sob uma lógica de performance?" Desde 2020, o TikTok transformou-se em uma comunidade digital de booktok, na qual usuários compartilham leituras, competem para finalizar obras e, consequentemente, conquistar likes e ampliar o engajamento. Embora esse movimento incentive o hábito da leitura, ele pouco contribui para a formação de leitores. Um exemplo disso foi o fenômeno em torno do livro Uma Vida Pequena (Record, 2016), de Hanya Yanagihara. O calhamaço já chama atenção pela capa: a imagem de um homem chorando. A partir desse elemento, antecipa-se o tom dramático da narrativa. Dessa maneira, Uma Vida Pequena narra a trajetória de quatro amigos que se mudam para Nova York em busca de uma vida melhor. Lá, eles se veem falidos, sem rumo e amparados apenas pela amizade e por suas ambições. Willem, belo e generoso, é um aspirante a ator; JB, nascido no Brooklyn, é um pintor perspicaz e por vezes cruel, determinado a ingressar no mundo das artes; Malcolm é um arquiteto frustrado que trabalha em uma empresa de renome; e Jude, um advogado solitário, brilhante e enigmático, funciona como o centro gravitacional do grupo. Tendo Jude como protagonista, a obra revela um passado marcado por traumas profundos e experiências dolorosas desde a infância, alternando entre presente e passado para mostrar como esses acontecimentos moldaram sua vida adulta. Em entrevista , a autora afirmou que a estrutura do livro foi pensada para driblar o leitor, pois "você acha que é uma história de ficção típica de um subgênero que eu adoro, o pós-universidade. Mas, na segunda parte, percebe que está no meio de algo próximo de um conto de fadas". Leia também: Mulher em Fuga O Último Beat Memórias de uma Beatnik O início da narrativa se apresenta como um livro "normal", atravessado por conflitos comuns a qualquer indivíduo: inveja, desejos, sonhos e fantasmas do passado. No entanto, com o avanço da história, surgem episódios cada vez mais perturbadores, marcados por práticas autodestrutivas recorrentes do protagonista em momentos de desespero. Posteriormente, a autora explica as motivações desses comportamentos, intensificando ainda mais o impacto emocional sobre o leitor. É evidente que a vida pode ser dura e que muitos enfrentam sofrimentos semelhantes aos de Jude, mas até que ponto é aceitável submeter o leitor a uma sucessão incessante de tragédias que se repetem ao longo de centenas de páginas? Além do excesso de violência emocional, Uma Vida Pequena apresenta outras fragilidades. Sua estrutura é desorganizada, há repetição excessiva de palavras e situações e, por se tratar de um livro extenso, a autora retoma constantemente pontos já apresentados, o que torna a leitura cansativa. As histórias dos demais personagens não cativam, pois carecem de desenvolvimento e profundidade. Soma-se a isso a insistência na ideia de que Jude precisa se dedicar intensamente a algo para aliviar suas dores, reforçando um discurso de produtividade como forma de sobrevivência. Existem passagens sensíveis e momentos interessantes, mas eles não se sustentam por muito tempo, já que a desgraça sempre retorna - como se Yanagihara quisesse afirmar que não há qualquer possibilidade de beleza na vida. O livro seria muito melhor se tivesse no máximo 200 páginas. Em Diante da Dor dos Outros (Companhia das Letras, 2003), Susan Sontag argumenta que o excesso de imagens pode provocar uma anestesia emocional, transformando o horror em espetáculo, além de criticar a conversão do sofrimento alheio em objeto de consumo visual. Embora seu foco esteja nas guerras, essa reflexão se aplica à obra de Yanagihara: por que a vida de um homem órfão LGBTQIAPN+ precisa ser atravessada por uma sucessão tão extrema de sofrimentos? Um livro de ficção deve expor todas as violências de forma tão explícita e reiterada? O sucesso de Uma Vida Pequena nas redes sociais parece menos relacionado à complexidade de sua narrativa e mais à capacidade de provocar reações intensas e performáticas. Vídeos de leitores chorando, desabafos emocionados e desafios de resistência à leitura reforçam a lógica algorítmica apontada por Gabriel Mattos, na qual o sofrimento se transforma em capital simbólico. Assim, a dor deixa de ser apenas um elemento narrativo e passa a funcionar como espetáculo, esvaziando sua potência reflexiva.

1º FestivaTrans - Primeiro Festival de Teatro Trans e Travesti do Brasil

1º FestivaTrans - Primeiro Festival de Teatro Trans e Travesti do Brasil

Renata Carvalho, Clodd Dias, Renata Perón e Luh Maza dividem o mesmo espaço no 1º FestivaTrans - Primeiro Festival de Teatro Trans e Travesti do Brasil que integra a programação do 14º SP Transvisão, promovido pela A SP Escola de Teatro - Centro de Formação das Artes do Palco, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. Durante cinco dias, de 27 a 31 de janeiro, o público poderá assistir gratuitamente espetáculos, performances e rodas de conversa que promovem a visibilidade da comunidade trans e reforçam a importância da diversidade no cenário cultural brasileiro. Com direção artística de Luh Maza, o FestivaTrans propõe um mergulho na potência criativa e na diversidade da cena trans, reafirmando o papel da arte como espaço de resistência, diálogo e transformação. Garanta o seu ingresso aqui . Programação do FestivaTrans 27/1 - Espetáculo: Encarnación, com Flow Kountouriotis - Mediadora convidada: Ave Terrena Alves 28/1 - Ensaio aberto "Todas elas em mim", de Clodd Dias, um tributo à força e à resistência da mulher negra e trans. Mediadora convidada: Renata Carvalho 29/1 - "TRANSEPRETO", com Luh Maza, performance que mistura autoficção, música e debate sobre as narrativas afro-trans. Mediador convidado: Daniel Veiga 30/1 - "Manifesto Transpofágico", com Renata Carvalho, espetáculo que questiona estereótipos sobre corpos travestis. Mediadora convidada: Fabia Mirassos 31/1 - "Bendita Sois Entre as Mulheres", de Renata Peron, história de superação e resistência de uma mulher trans. Mediadora convidada: Luh Maza 1º FestivaTrans - Primeiro Festival de Teatro Trans e Travesti do Brasil Local: SP Escola de Teatro Unidade Roosevelt – Praça Roosevelt, 210 - Consolação Quando: 27 a 31 de janeiro de 2026 Valor: Entrada gratuita com a retirada antecipada de ingressos na Sympla da SP Escola de Teatro e também com entrada no horário dos eventos

Malammore transforma vivência em resistência artística

Malammore transforma vivência em resistência artística

Para Abdias Nascimento (1914-2011), a arte sempre foi mais do que expressão estética: era uma ferramenta de afirmação, resistência e construção de identidade diante de um mundo que historicamente tentou invisibilizar corpos e narrativas negras. Ele via na criação artística um meio de reabilitar e celebrar valores culturais negados, transformando a própria arte em gesto político. Esse pensamento ecoa na trajetória de Malammore, projeto musical de Sandro Feliciano, artista que compreende a arte não apenas como expressão pessoal, mas como espaço de afirmação de subjetividades historicamente marginalizadas. (Créditos: Beatriz Silvestre) Nascido em Lisboa em 2025 e adotado ainda criança, Malammore encontrou na arte um território de pertencimento e reconstrução. Sua trajetória pessoal - marcada pela adoção, pela busca de identidade e pela vivência como indivíduo negro - alimenta sua obra e posiciona sua experiência no centro de sua criação. Ao transformar a própria história em matéria de composição em Aurora (2026), o artista dá voz às tensões e buscas que atravessam sua relação consigo mesmo e com o mundo. "A ideia do álbum surgiu a partir de um caderno meu repleto de poemas, histórias e a forma como eu me vejo neste mundo. É um testemunho da experiência negra em Portugal, do pertencimento e da alienação. Do amor e da perda", explica. Em Aurora , o músico utiliza como um dos conceitos centrais a ressignificação da visão do "buraco negro", invertendo a metáfora para "buraco branco do mundo", representação de um universo eu apaga identidades. Ao preenchê-lo com a ideia da negritude, articulada a partir de pensamentos de Aimé Césaire e Léopold Sédar Senghor, ele desafia narrativas dominantes e propõe uma reestruturação do olhar sobre os corpos negros na sociedade. Leia também: Emicida Racional VL 2 - Mesmas Cores & Mesmos Valores Renanrenan & Os Amanticidas contam tudo Nigéria Futebol Clube: música, liberdade e manifesto sonoro Você diz que a arte te ajudou a criar um espaço de pertencimento. Em que momento percebeu que criar não era apenas expressão, mas também reconstrução pessoal? Desde bastante cedo que escrevo poemas, por volta 12 anos foi quando comecei a levar até mais a sério. Além de gostar de ler, escrever sempre fez parte como forma de expor frustrações, revoltas e algumas alegrias também. Aurora é um álbum extremamente pessoal, onde você conta sua história e vivências. Como foi contar essa história? Aliás, o que você espera que o público encontre e sinta ao ouvir o disco? Este álbum acaba por ter várias histórias mas mais do que identificação, procuro que haja reflexão, é isto que pretendo que o público faça. São histórias simples em que por algumas metáforas podem ter várias interpretações e acho isso também importante, a música ser adaptada aos ouvidos e à interpretação do público. (Arte: Marcos Barreira) O disco aborda a dificuldade de pertencimento e a resistência cultural no seu país de origem. Pode-se dizer que Aurora foi um espaço criado para você ser você mesmo? Não, sempre fui eu mesmo, a Aurora só expõe quem eu sou, mas não o faço só através da música. A Aurora é talvez a forma mais fácil de compreender a minha forma de ver o mundo, vai desde amor e desamor, ao racismo, à política e consciencialização social. Não vi dificuldade na pertença porque este país sempre foi o meu, o lugar onde cresci, há é dificuldade de aceitação por parte da sociedade em perceber que pertenço aqui. Tudo é um pretexto para me tentar distanciar daquilo que sou. Um português negro. "Não Quero Que Chores" é uma homenagem aos seus pais, porém, me chamou atenção a estrofe "se eu tiver um filho, não quero que ele chores". Como acha que as novas gerações serão aceitas no mundo? Preocupa-me muito não só como serão aceites mas também como serão educadas? Se for na linha da desinformação, do ódio não haverá aceitação, se ainda hoje existem diversos problemas com a integração do diferente, o futuro não se adivinha melhor. Mas gosto de acreditar que pode ser diferente o quero que os meus filhos, possam ser felizes neste mundo. O tempo - sua passagem, suas feridas e sua relação com a juventude - aparece em seu trabalho. Como você tenta reconciliar essas tensões em suas canções? O tempo é algo que me assusta, não para! Chego a pensar se devo dormir ou não para poder aproveitar mais o dia. Há uma urgência na vida por causa desse cronómetro, urgência em é passar uma mensagem, urgência em aproveitar a minha juventude, desfrutá-la com quem mais amo, urgência em sentir-me realizado com o trabalho e vida.

Mulher em Fuga

Mulher em Fuga

Ela repete que vai embora, ser livre, de diversas maneiras. Seus gestos e falas apontam pela fuga - palavra que, ao passar o tempo, ganha novos significados como, por exemplo, vingança e beleza. A mulher que fala e gesticula está no palco e se chama Monique. Aos 55 anos, ela decide recomeçar. Com coragem e ênfase, afirma que abandonará o homem violento - como fez com os dois ex-maridos - e que será livre. Após criar cinco filhos e anos de sofrimento, a mulher está em fuga.  Adaptada dos livros Lutas e Metamorfoses de uma Mulher  (Todavia, 2023) e Monique se Liberta  (Todavia, 2024), do jovem escritor Édouard Louis, Mulher em Fuga narra a trajetória da mãe do autor, transformando uma história íntima em reflexão política. Sob direção de Inez Viana e dramaturgia de Pedro Kosovski, o espetáculo evidencia que a violência de gênero não se resume ao ato físico: ela também se manifesta na falta de renda, na ausência de oportunidades, no peso do trabalho de cuidado invisibilizado e na dificuldade de acesso a recursos que possibilitariam mudanças e, consequentemente, escolhas. Leia também: Quem Matou Meu Pai A Cerimônia do Adeus Vida, Velhice e Morte de Uma Mulher do Povo (Créditos: João Pacca) O cenário é composto por uma mesa, cadeiras, duas divisões e uma iluminação que sugere um ambiente doméstico. Os poucos objetos remetem ao lar em que Édouard viveu na infância, descrito em suas obras. A peça começa no escuro. Em seguida, com pouca iluminação, Monique (interpretada perfeitamente por Malu Galli) entra em cena e dança em silêncio, sorrindo. Depois é a vez do filho (Tiago Martelli) sentar-se em uma cadeira para iniciar a narrativa. A semelhança física com o escritor causa impacto num primeiro momento, mas logo se dissolve quando a narração começa.  Me recordo de uma parte de Lutas e Metamorfoses de uma Mulher  em que o escritor relata que, ao contar a história de sua mãe, percebeu estar narrando a trajetória de “uma pessoa que lutava pelo direito de ser mulher, contra a não existência que lhe impunham sua vida e a vida com meu pai”. Diferente dos homens com quem Monique se relacionou, ele a enxergou como mulher - não apenas como mãe, cuidadora do lar ou responsável pelos filhos.  “Ela tinha certeza de que merecia outra vida, de que essa vida existia em algum lugar, abstratamente, num mundo virtual, de que seria necessário muito pouco para alcançá-la, e de que sua vida só era o que era no mundo real por acaso.”  Esses dois corpos, emprestados a Mulher em Fuga, percorrem o palco por 90 minutos. Ela sobe na mesa, fuma, recria o cotidiano de uma mulher exausta, grita, chora, sofre e se anima; enquanto ele ocupa posições estratégicas para que ela tenha o destaque necessário para expor sua realidade. Assim, a adaptação aproxima essas duas vozes - mãe e filho - em um grito cênico que evidencia conflito e afeto, memória e insurgência.  Os diálogos - alguns fiéis aos livros - são duros de ouvir. Quando Monique expõe suas dores e sonhos, é impossível não pensar nas inúmeras mulheres presas a relações violentas. Por mais dolorosa que seja, a peça reforça uma ideia central na obra de Louis: sem poder econômico, a fuga deixa de ser uma metáfora e se transforma em uma questão de sobrevivência. Para ser livre é preciso ter uma casa e dinheiro, como escreveu Virginia Woolf em Um Teto Todo Seu  (1929).  Com o suporte do filho, Monique se liberta. Muitos afirmam que Édouard foi essencial nesse processo, mas, para mim, foi ela quem reuniu coragem suficiente para repetir, incansavelmente, que seria livre. (“Eu queria ir embora antes que ele me tornasse uma pessoa má, como seu pai me tornava uma pessoa má”.) Dessa maneira, a peça nos obriga a compreender que o problema está no sistema, não apenas no indivíduo, e que a transformação começa quando oferecemos às mulheres condições concretas de existir e prosperar.  “(…) Ao ler esta história, você também deve se perguntar: Por que alguns fogem, enquanto outros não têm do que fugir? Por que alguns precisam correr sempre, enquanto outros podem dormir? Por que alguns precisam lutar sempre, enquanto outros podem desfrutar? (…)”

Conheça: Fellini

Conheça: Fellini

Apesar de compartilhar o nome homônimo de uma das bandas mais importantes dos anos 1980, Fellini, projeto solo da artista paulistana Andressa Fellini, segue por outra vibe. Enquanto o grupo histórico é lembrado por sua contribuição ao pós-punk brasileiro, a cantora vem conquistando espaço com uma proposta sonora bem distinta e alinhada ao presente. Com influências que passam por Rita Lee, Marina Lima e Lorde, Andressa explora um universo que transita entre o pop alternativo, o soul e a eletrônica, com mergulhos em texturas íntimas e emoções que soam como uma conversa direta e coloquial com o ouvinte. (Foto: Ian Rassari) No ano passado, Fellini apresentou ao público seu EP de estreia, Dance no Meu Quarto , com quatro faixas que abordam desejo, presença, vulnerabilidade e os limites entre o íntimo e o compartilhado. Em canções como "Perco o Ar", "Não Dá" e "Baila", a cantora constrói um repertório que propõe movimento e reflexão simultaneamente, apoiado em uma produção que brinca com a tensão entre nostalgia e modernidade, combinando texturas analógicas e eletrônicas. Assim, as canções se revelam extensões de seu cotidiano e de um olhar sensível sobre suas próprias experiências, transformando o EP em um diário sonoro. Dessa maneira, Fellini e firma como uma das vozes mais originais da nova geração, carregando influências diversas, mas com um som genuinamente seu e pronto para conquistar ouvintes atentos à música pop contemporânea.

Eu Vou Botar Meu Bloco na Rampa

Eu Vou Botar Meu Bloco na Rampa

O Carnaval já começou em São Paulo! A unidade Sesc 24 de Maio abre alas para os blocos de rua com o projeto Eu Vou Botar Meu Bloco na Rampa, que transforma as rampas do edifício em palco de cortejos vibrantes, celebrando a diversidade musical e cultural que marca o Carnaval paulistano. A proposta é simples: fazer os blocos descerem as rampas da unidade em apresentações que misturam música, dança, ancestralidade e ocupação do espaço urbano. Ao sábado, até 7 de fevereiro, o público poderá acompanhar apresentações que passeiam pelo samba, pela percussão afro-brasileira, pelos ritmos nordestinos e pelas tradições dos afoxés, reafirmando o Carnaval como espaço de encontro, memória e resistência cultural. No dia 24 de janeiro, quem assume a rampa é o Bloco ZUMBIIDO Afropercussivo. Com dança e tambores, o grupo entoa o cortejo Nzumbii’a Lumbu, inspirado na fusão de influências linguísticas bantus de povos da África Central e Meridional. Já no dia 30 de janeiro, o Bloco Jegue Elétrico apresenta sua percussão marcada pela música popular nordestina em diálogo com a cultura urbana contemporânea. Encerrando a programação, no dia 7 de fevereiro, o Afoxé Omodé Obá toma conta do espaço ao som do Ijexá, ritmo consagrado a divindades como Oxum e Oxalá. Programação - Eu Vou Botar Meu Bloco na Rampa 24 de janeiro Bloco ZUMBIIDO Afropercussivo 30 de janeiro Bloco Jegue Elétrico 7 de fevereiro Afoxé Omodé Obá

Emicida Racional VL2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores

Emicida Racional VL2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores

Após expor diferentes facetas de sua trajetória artística e pessoal, Emicida retorna às origens em um novo álbum que transita entre passado e presente sem deixar de projetar o futuro. Tendo os Racionais MC’s - grupo fundamental não apenas para sua formação musical, mas também para sua visão de mundo, de política e de sobrevivência - como principal referência, Emicida Racional VL2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores  (Cecropia, 2025) se consolida como um dos trabalhos mais pessoais do rapper. O ponto de partida do disco vem do verso "quando os caminhos se confundem, é necessário voltar ao começo", dito por Emicida na faixa que abre Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe  (Laboratório Fantasma, 2009). Ao revisitar esse início, o artista retorna ao MC das batalhas, que rimava em qualquer espaço possível, e se reconecta aos marcos que o formaram como escritor e performer. A proposta, como o próprio músico já indicou em entrevistas, é olhar para trás não por nostalgia, mas por necessidade de entendimento. Leia também: Conheça: Malammore Nigéria Futebol Clube: música, liberdade e manifesto sonoro A década romântico de Do Prado (Créditos: Walter Firmo/Cecropia) Com direção artística, musical e geral assinada pelo próprio Emicida, Emicida Racional VL2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores  reúne dez faixas inéditas que atravessam temas como memória afetiva, luto, pertencimento e a experiência negra e periférica no Brasil contemporâneo. O álbum dialoga diretamente com Cores & Valores  (Cosa Nostra Fonográfica, 2014), talvez o disco mais incompreendido dos Racionais à época de seu lançamento, por ser moderno demais para aquele momento. Ao se apropriar dessa estética, Emicida a incorpora ao seu repertório, utilizando códigos conhecidos para contar outras histórias. "Bom dia né gente? (ou saudade em modo maior)" abre o disco como uma colagem de cerca de cinco minutos construída a partir de áudios de Dona Jacira, mãe do rapper, falecida no ano passado. Entre dúvidas cotidianas, pensamentos soltos, comentários e afetos, a faixa se encerra com o choro de Emicida, um registro direto e sem filtros de um luto ainda em elaboração. O piano de Amaro Freitas - presente nessa e em outras faixas - potencializa a carga emocional das letras. O pianista não é a única participação, Rashid e Projota, parceiros de longa data do músico, aparecem em "A mema praça" para revisitarem a confusão que marcou o show dos Racionais na Virada Cultural de 2007. Combinando rimas afiadas e reflexivas com texturas sonoras que oscilam entre o tradicional e o contemplativo, o disco exige do ouvinte uma escuta atenta para absorver as múltiplas camadas de sentido que as letras oferecem - como é o caso de "Finado Neguim memo?". Dessa maneira, Emicida Racional VL2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores não se trata apenas de homenagear o passado, mas de vivê-lo, senti-lo e reinterpretá-lo para melhor compreender os desafios do presente e projetar caminhos possíveis para o futuro sem pressa, mas com profundidade.

©2020 por desalinho.

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