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Cátia de França com participação de Juliana Linhares

Cátia de França com participação de Juliana Linhares

A primeira vez que ouvi Cátia de França foi na infância, acompanhada de meu tio, um homem sensível que não vivia sem arte. Em seu aparelho de música tocava João Gilberto, Pixinguinha, boleros, samba e tango. Lembro que ao ver a capa de Avatar (1998) e perguntar quem era aquela moça; recebi como resposta: "Cátia, a mulher que sorri mesmo nos dias nublados" - e foi assim que me encantei por ela. Muitos anos se passaram desde esse evento, mas uma coisa não mudou: Cátia continua sorrindo.  Inclusive, foi estampando um sorriso no rosto, que a cantora e compositora subiu ao palco no Sesc Bom Retiro. Aos 77 anos recém completados, Cátia de França segue com a mesma energia que começou - foi assim que alcançou os 51 anos de carreira. Assim como outros artistas, sua obra alcançou um público jovem que estava presente na apresentação de sábado, 24 de fevereiro. Dessa maneira, sabemos que a obra da artista viverá por muito tempo.  Acompanhada de Coquinho (bateria), Wiliam Belle (guitarrista), Cristiano Oliveira (violão) e Daniel Cahon (baixo), Cátia revisitou o seu passado, colocando a plateia para dançar e se emocionar (impossível não segurar as lágrimas ao ouvir "Quem Vai Quem Vem" e "Kukukaya"). A chegada de Juliana Linhares acendeu uma bombinha. A artista apresentou duas canções de Nordeste Ficção (2021) e cantou com Cátia, também se emocionando.  A necessidade de lutar pelo arroz e feijão - fala que continua sendo repetida pela artista desde o início de sua carreira - foi fincada no final do show. Em um discurso fervoroso, Cátia mostrou sua potência: defendeu comida, água, educação, arte, vacina e dignidade para todos; e depois sorriu. Foi aplaudida de pé. Disse que sua missão é fazer arte e que enquanto estiver viva, continuará neste caminho. Comunicou também que em breve sairá novo álbum.  Enquanto ouvia Cátia cantar, fazer piadas, caretas e se definir como uma fã de rock, lembrei de um ensinamento do meu tio: é necessário cantar, dançar e fazer festa para lembrar que estamos vivos. E foi isso que Cátia de França fez: celebrou a sua e a nossa vida com amor e alegria.

As crônicas da Veludo Azul

As crônicas da Veludo Azul

O cronista tem um papel fundamental na sociedade: a partir de suas observações - cenas corriqueiras, acontecimentos banais ou inusitados -, dá o seu testemunho sobre a vida com humor, ironia e até mesmo nostalgia, despertando diversos sentimentos naqueles que o acompanham. Seguindo os passos de Bob Dylan, Walt Whitman e Xico Sá, Veludo Azul transforma o dia a dia em canções com arranjos densos, embebidos de fórmulas roqueiras e também mais embluesadas.  Formada pelos amigos Emil Kopaz, Felipe Fretin e Sergio Hime - integrantes da ex-banda Cabeça Óca - a Veludo Azul produz uma sonoridade calcada em alicerces da música brasileira, como o samba e a bossa nova, sob uma estética mais elétrica e roqueira, com ecos do blues, do rock progressivo e psicodélico. Dessa maneira, a banda tem a liberdade para se expressar conforme suas sensações.  Após lançar os singles "Bença e Tchau" e "Minha Liberdade", no ano passado, a banda compartilha agora o primeiro EP, Cinco Contos , que conta com cinco canções que passeiam entre o carnaval e amores. "Ao mesmo tempo que temos muitas referências em comum, cada um também tem seu próprio universo musical e artístico. E isso foi muito interessante, porque sinto que conseguimos trazer essas referências individuais sem tirar a coesão do trabalho. E com isso sinto que cada faixa foi sendo levada para um caminho muito particular e individual, com elementos que nos levam para alguns lugares bem curiosos", comenta Emil.  Leia também: O caminho de Marc Verwaerde A janela laranja de Felipe Parra Conheça: MADRE Como foi iniciar uma nova banda, com uma nova sonoridade? É tudo novo de novo ou vocês já estavam preparados e não teve aquele receio? Felipe:  Eu acho que foi bem tranquilo. A gente já se conhece há bastante tempo, a banda é praticamente a mesma, né. Mas a gente quis mudar o layout e começar uma coisa do zero, com a nossa marca, nossa digital e maduro, porque foi um processo de conhecimento e das possibilidades. Foi um processo muito tranquilo fazer essa transição. Sergio:  Algumas coisas foram diferentes, mas foi muito bom… A gente já toca junto, a gente já se conhecer bem, então, a gente sempre teve muito entrosamento. Então, nesse quesito, a gente não pensou que era uma coisa tão óbvia. Mas o que foi muito interessante é que com esse novo projeto de agora, a gente acabou colocando muita coisa que a gente tinha dentro da gente, sabe? Isso de referencia mais de rock dos anos 60, tanto de timbre, das formas das músicas. Isso foi muito bom porque parecia que era uma coisa que tava guardada na gente e a gente sempre conversou sobre isso, né… A gente gostava muito de Beatles, de Pink Floyd, Stones, Bowie e a gente sempre quis por tudo isso mais pra fora - e esse momento é muito bom porque parece que a gente tá conseguindo colocar pra fora mesmo, sabe? Na verdade, foi uma soma ótima, porque é isso, a gente já tinha entrosamento e tal e a gente tá colocando uma coisa nova, mas de um jeito super natural, sabe? Não foi uma coisa forçada, era uma vontade que sempre teve na gente. É muito prazeroso, zero dificuldades de formar algo novo, foi super natural, na verdade.  Em nenhum momento rolou aquele medo?  Felipe:  Acho que não. Na verdade, por ter sido tão orgânico, foi especialmente depois de ficar naquele hiato de pandemia e tal, acho que foi muito natural. E acho que tem isso, o começo, esse reset, é uma chance de botar a coisa com mais maturidade, com mais direcionamento.  Sergio:  Isso do reset é engraçado porque nem parece que é uma coisa, por exemplo, que encerrou e que outra começou. Parece que é mais no sentido de evolução e juntando isso que o Fê tava falando, da pandemia, como pra tocar, a gente precisa da presença do outro - claro que a gente conseguiu fazer coisas a distância, cada um fazia as coisas de casa e íamos implementando - e olhar um no olho do outro é o que faz a diferença pra gente tocar, exprimir os sentimentos em forma de música. Querendo ou não, a pandemia acabou deixando muita coisa guardada e agora é o momento que a gente pode soltar isso.  Vocês também acham que a pandemia influenciou nessa maturidade de vocês e na sede de aprimorar o som de vocês?  Felipe: Acho que sim, cara. É uma coisa que a gente lê nos livros de história e não imagina que na sua geração a roleta vai sair premiada e que você vai passar por esse troço dessa magnitude. Então, toda perspectiva muda, em todos os sentidos: de trabalho a relação. Teve aquele momento em que todo mundo se encontrava para tomar uma cervejinha por Zoom. A gente tinha acabado de lançar um trabalho também e ficou aquela sede de tocar e ficamos num vai ou não vai e foi assim por dois ou três anos em desacreditar no que tava acontecendo. Mas foi bom, por mais que tenha sido forçado, tem esse momento de introspecção e colocar as coisas numa perspectiva distanciada. Então, foi uma coisa de rever várias prioridades, não só na música, mas em todos os quesitos da vida, porque a gente tava, de repente, preso com a gente mesmo e teve que confrontar um monte de coisas. E ter esse direcionamento, que tava sempre latente, esse negócio de fazer uma coisa mais elétrica e tal, sem deixar pra trás essa coisa informativa que a gente tem da música brasileira, né. Então, quando a coisa entrou nessa perspectiva de realmente de só poder se ver pela internet e só ficar numas discussões platônicas sobre o que a gente já tinha feito e o que a gente queria fazer… Por mais que tenha sido um terror, foi útil.  A gente sai daquele tempo horroroso e uma nova realidade ressurge. Como foi o retorno e lidar com a sede de viver e tocar? Essa necessidade continua presente em vocês?  Sergio:  Sim, acho que a volta foi muito difícil, mesmo! Quando as coisas começaram a abrir e tal, mesmo depois de vacinas, pra mim, particularmente, foi super difícil a volta, porque tinha um medo de pegar [o vírus] , mesmo com vacina… A gente ficou super assustado. Não foi um estalo de "nossa, voltou, tá normal. Vamos pra rua!" A gente tá sentindo ainda os efeitos, mas foi uma coisa super lenta dessa abertura. E [sobre] essa vontade, é o que o Fê tava falando, foram anos guardando isso. Então, pra gente, dá muita vontade de tocar, subir no palco, gravar em estúdio. Eu e o Fê adoramos gravar em estúdio, de entrar lá e ficar olhando as coisas na lupa, como as coisas serão gravadas… Então, você ter isso de novo é maravilhoso. Até porque, quando a gente gravou esse EP, a gente foi fazendo isso: era uma coisa meio colaborativa durante a pandemia, que um ia gravando em cima do que o outro mandava e ia mandando, enquanto o outro ia escrevendo e depois a gente ia mudando… Aí teve um momento, quando já tava abrindo mais, todo mundo fez teste, a gente se encontrou pra tocar, um pouco antes de gravar. Era uma coisa super controlada, mesmo fazendo uma coisa super legal e prazerosa, que a gente tava com super vontade, mas com um puta medo ao mesmo tempo… Era um sentimento muito esquisito. E agora é isso: querendo ou não, de certa forma, a gente tem um "atestado" do que a gente pode fazer sem insegurança.  O que me chamou atenção é que o EP traz essa liberdade - e acho que foi o resultado de ficar preso dentro de casa por tanto tempo. Veludo traz essa liberdade também na sonoridade, né? Essa escolha foi também orgânica e/ou resultado da pandemia? E como é brincar com essa liberdade para misturar gêneros musicais e criar uma coisa linda? Felipe:  Obrigado [risos] . Eu acho que é uma coisa que a gente tem mesmo, sabe? A gente tem isso na nossa interação, na nossa formação, essa coisa de plural, multidisciplinar. Eu acho que dificilmente alguém no Brasil não tenha um escopo enorme de referências, né. A gente tem música brasileira que é uma coisa riquíssima e o rock, não só brasileiro, mas tudo que a gente tem dos anos 60, 70 e 80… O que a gente faz com mais profissionalismo é consumir música [risos] , a gente acaba trazendo um monte de referências e não só da música, mas de outros lugares: cinema, literatura e tal. Então, isso veio bem organicamente, não só na construção da nossa musicalidade como grupo, mas também como interação, sempre alguém tem uma coisa nova para mostrar e troca uma figurinha ali e tal. Acho que é um traço nosso mesmo, de ter um monte de referência e ter a disposição de misturá-las e ver o que saí, né [risos] .  Sergio:  Complementando sobre sonoridade: é interessante que quando a gente começou a tocar juntos, eu, Fê e Emil, a gente fazia um som muito mais acústico, era uma coisa mais de violão, o Emil tocava muito bandolim, muita coisa percussiva e tal.. Eu lembro da gente tocando lá atrás, a gente sempre teve essa vontade de colocar guitarra, de colocar sintetizador, de colocar bateria, sabe? É isso que o Fê falou, foi uma coisa muito orgânica, porque a gente sempre gostou muito de música brasileira e rock lá de fora e daqui, então, foi uma coisa bem natural essa evolução, sabe?  As letras de vocês conversam com a realidade, criando uma crônica, que tem um toque de humor e uma certa ironia ali, envolvendo na sonoridade. Como é trazer a realidade para a música de vocês? Felipe:   [Há um breve corte] A maioria das coisas é fictícia. Se você vê uma coisa e aquilo te dá uma razão para inventar uma história… Você cria algo e busca uma moral da história. Eu acho que é um terreno pantanoso, uma área difusa, porque nada do que tá sendo contado ali realmente aconteceu, pelo menos não na minha experiência, talvez como observador, mas… Acho que tem um pouco dessa coisa que é característica da nossa amizade: a gente tira sarro das coisas, de repente, alguém fala aquela besteira que é hilário e vira piada interna e acho que tem bastante disso nas letras, da maneira como a gente observa a realidade e cria uma anedota - e essa é a beleza das histórias. Acho que dá pra falar muita verdade, mentindo.  Sergio:  Acho que a questão da sonoridade, de como elas se complementam, é quase como se a música fosse mostrando pra gente por onde se deve ir, sabe? Porque as composições, as letras do Fê, são tão genuínas que você vai por uma coisa ou outra e a própria música te mostra se é por aí ou não, sabe? É quase como se você tivesse desvendando a própria música, como se fosse algo que já existe, mas você só tá percorrendo algum caminho. Por conta da nossa amizade, a gente sabe o que um gosta e o que o outro desgosta, não é uma coisa racional… Não sei, só vai fazendo sentido, sabe? Isso é maravilhoso, porque não é uma coisa racional que você fala "vou por uma distorção aqui, porque eu quero que tenha esse efeito"; você só pôs porque era o que tava sentindo na hora. Fica um sentimento verdadeiro, você não tá tentando atropelar alguma coisa, você só tá se submetendo aquilo que verdadeiramente quer dizer aquela canção.  O carnaval tá chegando e vocês tem uma música que leva o título da principal festa. Nela, vocês cantam: "Birita é o remédio para dor no peito". Quem nunca foi jovem, né?! Essa afirmação continua atual?  Felipe:  Eu gosto da coisa, Michele, mas a gente não tá ficando mais novo, né [risos] . Então, a relação com a coisa muda um pouco. Mas acho que faz sentido no geral, porque é justamente esse negócio de que… Naquele momento de expurgo, naquele interlúdio estranho da vida cotidiana, você consegue extravasar, você consegue sair do personagem, seu coração tá batendo do lado errado e ao invés de tratar as coisas, você afunda ainda mais com birita. É meio essa provocação do que é o carnaval, no sentido de que é realmente um expurgo, sair do personagem mesmo, depravar a personalidade e ver o que saí dali. E aí tem todas essas dicotomias do Cristo brigando, então, todo mundo ali tá errado [risos] . Acho que tem essa brincadeira de que bate no lado direito, no sentido de dar certo, sei lá [risos] , mas fica aberto para interpretações. Acho que todo mundo passou por uma história bizarra de carnaval que saiu do personagem, né.  Sim, sim, com certeza! Só se vive uma vez…  Felipe:  Exatamente [risos] .  Aliás, essa questão de interpretação me chama atenção: ao criar a música, vocês sentem uma coisa, mas quem ouve, pode ouvir de outra maneira. Como é ver essa questão? É esse também o impacto que vocês querem causar nas pessoas? Felipe: Eu acho que isso é inerente, né. Não tem como você jogar algo no mundo e esperar que as pessoas vejam da maneira que você concedeu - e acho que a beleza da coisa tá nisso. De você ter outra percepção, jogar e, de repente, outra pessoa vê e falar um negócio bom ou ruim que você nem tinha percebido; e usar isso como uma crítica construtiva. Acho que se você não quer fazer uma obra de gaveta, deixar tudo no baú, lacradinho e pra ser queimado junto com você quando morrer, você joga no mundo e para as pessoas. Acho que isso é uma questão de ter o respeito de quem ouve e de quem ouve a crítica - acho que tudo é válido quando tá nesse momento de crítica construtiva. Acho necessário até, porque se não, ia ser uma coisa chata… Mas acho que toda obra que vai pro mundo tem isso, né. Acho que até as coisas de gaveta: você faz um negócio maravilhoso e um ano depois você vai ler e já não é mais maravilhoso, né - o que mudou? Não foi o papel na gaveta, talvez tenha sido você.  O que vocês esperam despertar em quem ouve vocês? Existe algum objetivo?  Felipe:  Ah… [breve pausa]  Acho que é contar história, entreter e que cada um tire o que quiser e o que conseguir. É aquele negócio do trovador: contar histórias, entreter e é a coisa mais antiga que a gente faz como espécie. Contar uma história, contar um ponto de vista, começar um diálogo e de uma maneira bem despretensiosa também. Em "Pé no Pedal", vocês repetem carnaval - ele tá sempre muito presente - e vocês cantam: "É carnaval, mas a coisa em geral não vai bem". Na minha visão tem um ar pandêmico, mas mesmo passando aquele momento, as coisas ainda não estão bem o suficiente. Pergunto: qual é a visão de vocês? Felipe:  Ah, a gente é brasileiro, né [risos] .  Sergio:  Pra começo de conversa…  Felipe:  Acho que o recorte de partido, as coisas não vão bem faz um tempo, mas essa música… Eu escrevi ela antes da pandemia, mas acho que ela casou muito bem, né; porque é isso, é sempre um aperto aqui, um aperto lá e, de fato, tem essa outra perspectiva do carnaval, mas acho que ela é menos explosiva, ela tem um caminho: a coisa começa no apartamento, daí vai para o prédio, vai para o bar, vai pra rua, tem essa progressão. Mas não vai bem, acho que as coisas estão melhorando um pouco, acho que depois do estrago que foi feito pós-Dilma, pós-golpe, a gente caiu num calabouço de desgovernança e acho que a coisa começa a dar sinais de vida. E independente de vida urbana e política, acho que a condição humana - a gente gosta de reclamar! Pode tá tudo bem, a gente vai querer achar um motivo pra achar problema… E que  bom! Que bom que existe movimento pra gente poder perceber o que tá bom e o que tá mal.  Agora que Cinco Contos está no mundo, como vocês se sentem?  Sergio: É muito bom poder tirar da gaveta ou só da gente. Fiquei pensando aqui quando você perguntou sobre o que a gente espera das pessoas, uma coisa que eu sempre pensei é que a gente proporciona sentimentos para as pessoas - seja na letra ou na escolha dos acordes. É sempre uma sensação que você vai ter e isso é muito prazeroso, porque é super poderosa, exercer uma influência no jeito de uma pessoa sentir… É muito bom poder tirar tudo isso. A gente lançando coisa e tal, é meio a gente tirando coisas da gente também e colocando aí, para compartilhar. A gente tá sempre querendo fazer mais, parece que a gente lança um negócio e já pensa no próximo, porque é uma fome de fazer coisas sempre.

Nos Braços do Violeiro

Nos Braços do Violeiro

Presente em diversos gêneros musicais, a viola caipira é considerada um dos ícones da música brasileira. Em decorrência de sua importância, o instrumento será retratado na exposição Nos Braços do Violeiro, que circulará seis cidades do Estado de São Paulo, entre os meses de fevereiro e outubro de 2024.  Com curadoria de João Carlos Villela, a mostra é inspirada no romance gráfico A Viola Encarnada: Moda de Viola em Quadrinhos, com roteiro e artes visuais do desenhista, músico e educador Yuri Garkunfel. Nesse sentido, o público terá a oportunidade de apreciar as páginas originais da HQ premiada pelo ProAC 2019, com introdução escrita pelo violeiro, professor e pesquisador Ivan Vilela e indicada ao prêmio HQ MIX na categoria Melhor Adaptação em 2020. Em suas páginas, a obra conduz o leitor para uma viagem sonora afinada e cheia de história, a partir de uma viola avermelhada nas mãos de um violeiro e de um vaqueiro, numa jornada que percorre os sertões até chegar na cidade grande, testemunhando a história da música caipira desde suas origens rurais.  Umas das propostas da exposição Nos Braços do Violeiro, contemplada pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) Circulação,  da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado,  é promover a interação do público com os processos criativos do artista.  Desta forma, além do contato com os originais da obra e seus esboços originais, o visitante terá acesso à viola física que foi inspirada na viola vermelha de Tião Carreiro e encomendada ao Luiz Armando da luthieria Trevo, exclusivamente para este projeto. Estarão disponíveis também áudios das mais de 80 músicas do repertório caipira, propiciando uma imersão na HQ como um todo. O material possui recursos de acessibilidade como audiodescrição, textos em braile e alguns dos encontros promovidos com o público, como rodas de viola e bate-papo, terão tradução em Libras. Confira a programação da exposição Nos Braços do Violeiro O ponto de partida da exposição Nos Braços do Violeiro será dia 24 de fevereiro, às 16h, na Casa Lebre (R. Nícola Ortenzi, 104), em Bragança Paulista, com a presença dos idealizadores, Yuri Garfunkel e João Carlos Villela, e participação de violeiros como Ivan Vilela, Mel Moraes e convidados.  Depois seguirá para o Museu do Folclore, em São José dos Campos (de 27/04 a 25/05); MAGMA (Museu Aberto de Geociências, Mineralogia e Astronomia), em Botucatu e Centro Max Feffer, em Pardinho (01/06 a 10/08); Instituto Elpídio dos Santos, em São Luís Paraitinga (31/08 a 21/09) e Centro Cultural Casarão, em Campinas (28/09 a 20/10).

A janela laranja de Felipe Parra

A janela laranja de Felipe Parra

Janelas existem em diversas partes e vão além de uma simples abertura. Explico melhor: as janelas são vistas em casas, estabelecimentos, livros, sonhos e pessoas. Ao deixá-las abertas, é possível sentir, viver e começar uma nova história - seja ao lado de outras pessoas ou sozinho.  Após dois anos de Estrela , seu primeiro álbum, Felipe Parra compartilha sua trajetória - acompanhado de artistas com vivências parecidas - em Janela Laranja , EP lançado em janeiro deste ano. Nele, o músico traz o som da periferia dos anos 90 que o moldou como indivíduo. Além disso, o disco traz beats que alinham jazz e R&B com melodias delicadas, contribuindo na intensidade do cantor, que alcançou seu ápice como compositor abordando com carinho e dedicação o que lhe apaixona e com dureza o que sempre precisou lutar contra.  As janelas de Felipe Parra foram transformadas após aceitar um desafio bem particular para a construção do EP: compor totalmente em estúdio junto de outras pessoas. Dessa maneira, Felipe precisou compor em cima dos instrumentais que iam nascendo na hora, com a missão de construir um trabalho único, fruto daqueles momentos que passavam juntos. Assim, surgiu Janela Laranja que conta com participações de Uterço, figura lendária do rap nacional, Mel Duarte, escritora e poeta, e a rapper Preta Ary.  Leia também:  O último ato do Cientista Perdido Yuri Costa não está sozinho A multiplicidade de Thays Prado Em 2022, você lançou o álbum Estrela e, agora, apresenta Janela Laranja . O que mudou de lá pra cá? Acho que mudou o meu jeito de escrever. A gente segue evoluindo, né? Hoje eu me sinto muito mais à vontade para falar de assuntos que antes eram mais difíceis pra mim. Falar de questões mais pessoais, de tristeza, de ansiedade. Acho que muita gente acaba se relacionando com isso. Além disso, tem a parte sonora. A gente explorou muito esse som de baile brasileiro dos anos 70 - Tim Maia, Cassiano, Hyldon - pra fazer Estrela. Com Janela Laranja eu me permiti aprofundar mais na linguagem do hip hop, que é algo que sempre foi muito importante pra mim.  Janela Laranja traz a sonoridade da periferia dos anos 90 e participações especiais. Como foi trabalhar com essa sonoridade e outras pessoas?  Sempre busco fazer uma música que seja popular e acessível. Tenho muita bronca desse conceito de "música boa'' porque, pra mim, ele vem junto com uma carga elitista enorme. Geralmente o que é bom pra essas pessoas não é popular, então esse é sempre um direcionamento pra mim. Fazer algo de fácil identificação, o que não necessariamente quer dizer ser simples. E trabalhar com Uterço, a Preta Ary e a Mel Duarte foi fantástico. Eu sou fã do trabalho deles e curto muito quem chega pra somar. Não gosto muito de direcionar as pessoas que trabalham comigo. A graça, ao meu ver, é justamente aproveitar o olhar das outras pessoas na minha música. E ter artistas tão incríveis foi maravilhoso. Gosto muito do que fizemos juntos.  Aliás, me pergunto o significado do título do álbum. O que é uma janela laranja? Janela Laranja pode ser aquele pôr do sol bonito que só uma cidade poluída como São Paulo pode nos proporcionar. O feio que se torna belo. Mas também é um jeito de olhar pra frente, pro horizonte, pro passado e pro futuro, tudo no mesmo lugar. Cada um tem sua própria Janela Laranja pra olhar, não é? O processo de criação para esse EP foi alterado: você se uniu com os músicos para compor juntos. O que achou desse desafio? Pretende seguir esse modelo no futuro?  Achei bem interessante, porque é uma forma de criar novos caminhos criativos pra minha cabeça. Buscar novas soluções. É algo muito mais exposto do que já chegar com tudo pronto, mas acho que essa espontaneidade faz com que a gente consiga coisas muito legais. Pretendo fazer mais dessa forma sim, ou talvez misturar um pouco dos dois modelos. Janela Laranja é um trabalho mais maduro e único. Como você tem se sentido após colocá-lo no mundo?  Me sinto muito feliz e orgulhoso. É legal a gente sentir que conseguiu colocar no mundo algo que é tão sincero e único pra mim. Esse sentimento é bem gratificante. E mais legal ainda por sentir que muita gente tem se identificado, curtido e tudo mais.  Foi difícil compartilhar suas vivências e sentimentos com o público? Sempre é difícil. Mas não dá pra titubear. Se ficar com a sensação de dúvida ou hesitar se deve se expor ou não, acaba criando uma espécie de autocensura que deixa o trabalho muito mais amarrado. Arte é pra ser sentida, né? Obviamente, cada pessoa vai interpretar de uma forma diferente aquilo que eu escrevi, então essa nóia de se sentir exposto nem faz tanta diferença no final das contas. É mais um bloqueio que temos que superar com a gente mesmo. E eu acho que vale a pena demais. O que você espera para o futuro? É possível que a janela fique mais colorida?  Tomara que sim :) Mas é bom lembrar que tem dias bons, dias ruins e todos eles são importantes pra gente seguir por aqui. Pro futuro eu espero seguir fazendo música, seguir trabalhando com quem eu admiro, seguir sendo ouvindo, seguir sonhando. Em resumo, seguir. Tenho muita sorte de estar onde estou e sou muito grato a cada pessoa que pára pra me ouvir.

Conheça: MADRE

Conheça: MADRE

A palavra madre pode ser interpretada de três maneiras: mãe, freira ou algo novo, a partir de uma base sólida e firme, construída ao longo dos anos. A MADRE de Luiza Mendes Pereira pode ser vista como uma mistura dos diversos significados, mas contém duas características que a transformaram em única: sua intensidade e sentimentos.  Após um hiato de quatro anos, a artista volta à frente de si mesma, acompanhada de sua guitarra. MADRE nasceu em 2021, durante o isolamento social e o auge da pandemia, resultando em uma amálgama de angústia, desejo, ruído, devaneios e catarse sonora; "um buraco pra fugir do vazio". Inclusive, este período conturbado pode ser visto nas três faixas que foram divulgadas, carregadas de riffs, sensualidade e muito rock.  O projeto dialoga com a nova Luiza - que não é mais a mesma da extinta banda INKY que era vocalista, compositora e instrumentista - e suas inspirações que transitam entre Radiohead, Elza Soares, Rita Lee, PJ Harvey e Björk. O timbre de sua voz desperta sua liberdade e poesia, preenchendo os vazios deixados por um mundo caótico e doloroso.  "Caos" e "Transe" são canções melancólicas, que soam como uma marcha fúnebre. Enquanto a chuva acontece lá fora, a artista está presa, dentro de casa, se perguntando se é pedir demais para sentir algo enquanto vive aquele nevoeiro.  Já em "Sirenes", seu último lançamento, traz o barulho ensurdecedor que ouvimos durante dois anos e meio. "Um dia eu estava tocando guitarra e reparei no número absurdo de ambulâncias que passavam na minha rua. Aquelas sirenes simbolizavam bem o contexto e a angústia daquele momento. Então fiz um dedilhado e compus a letra, que fala sobre isso", conta Luiza sobre o processo de criação. A canção apresenta o lado B de Vazio Obscuro , o primeiro álbum solo da artista, que assina a produção musical ao lado de Luccas Villela.  O disco de MADRE sairá pela Seloki Records ainda este ano.

All Of Us Strangers

All Of Us Strangers

O terror vai além de almas perdidas e assassinatos sangrentos, ou seja, ele também está presente nos fantasmas do passado que não conseguimos esquecer. Nesse sentido, ficamos presos em um tempo em que não nos pertence mais e, consequentemente, não seguimos adiante. É a partir dessa vertente, que o filme All Of Us Strangers , escrito e dirigido por Andrew Haigh, narra os dias de Adam, um escritor solitário.  Adaptação livre do romance Strangers  de Taichi Yamada, All Of Us Strangers  altera alguns pontos do romance: o roteiro ignora o viés sobrenatural e foca no abismo geracional entre os pais e o filho homossexual. As diferenças são acertadas em cheio, já que a trama atrai todos os perfis, independentemente da orientação sexual.  Leia também:  This Much I Know To Be True O último ato do Cientista Perdido Quem Matou Meu Pai Estrelado por Andrew Scott, Paul Mescal, Claire Foy e Jamie Bell, a trama aborda a vida solitária de Adam, que vive em um arranha-céu deserto em Londres. É curioso o local em que o protagonista mora, já que a capital da Inglaterra é barulhenta e possui novas oportunidades para todos os dias. Mesmo com a efervescência, o escritor segue introvertido em seu apartamento com as suas dores. Logo no início é possível perceber que a sua própria existência é um fardo para ele (o terror começa neste momento). No entanto, a perspectiva muda quando Harry, seu vizinho, aparece em sua porta.  Com uma garrafa de bebida na mão e visivelmente alterado, Harry flerta com Adam após o alarme de incêndio tocar. Após um encontro confuso, os dois se encontram constantemente e, assim, um romance se inicia. Dessa maneira, as dores de Adam diminuem, mas ele continua visitando o passado para seguir com a sua permanência neste mundo. Ao pegar o trem e retornar ao seu passado, Adam está voltando para os pais que morreram em um trágico acidente de carro quando ele tinha 12 anos. Ele continua os vendo, por isso, começa a enfrentar suas questões com eles para superar os traumas e, assim, viver o presente e poder se relacionar com outras pessoas. All Of Us Strangers discute a psique traumatizada do protagonista, um homem que sofreu preconceitos - dentro e fora de casa - e que cresceu em uma época em que as pessoas LGBTs viviam com medo da AIDS.  Percebemos que Adam continua se sentindo um estranho ao lado dos pais e em sua casa. Desse modo, começamos a nos perguntar quando nos tornamos estranhos sob os olhares daqueles que nos amam. Em algum momento conseguimos ir contra as pessoas que não nos dão liberdade? É possível ser apenas uma pessoa?  Com um orçamento modesto, All Of Us Strangers é grandioso: Andrew Haigh conseguiu desenvolver um dos melhores filmes deste ano.

Comemore o Carnaval 2024 da melhor maneira

Comemore o Carnaval 2024 da melhor maneira

Seja em casa, na rua, com os fones de ouvido ou lendo, é necessário comemorar o carnaval 2024. Por isso, separamos diversas opções para todo tipo de gosto. Saiba mais abaixo. Confira as melhores opções para celebrar o Carnaval 2024 Livros   O País do Carnaval - Jorge Amado  Publicado em 1931, a obra narra a história de Paulo Rigger, um homem rico que mantém uma relação de estranhamento com o Brasil do Carnaval, com a ideia de que a festa mantém o povo alienado.  Carnavais, Malandros e Heróis: Para uma Sociologia do Dilema Brasileiro - Roberto DaMatta Neste livro, o antropólogo disserta sobre as criações sociais e a relação das mesmas com os dilemas do Brasil.  O Corpo Encantado das Ruas - Luiz Antonio Simas  Presente na lista dos melhores livros de 2022 , o livro de Luiz Antonio Simas faz um relato sobre a cultura popular brasileira em formato de crônicas. O Corpo Encantado das Ruas é sobre liberdade, encontros improváveis e uma festa que não pode ser dominada pelo padrão canônico. Samba de Enredo: História e Arte - Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas Apaixonados por carnaval, os autores apresentam análises minuciosas de sambas de enredo e suas relações com a história social do país. Para essa análise, Mussa e Simas ouviram cerca de 1.600 canções gravadas, além de outras, que estão registradas na memória acumulada ao longo de vários carnavais.  Canto de Rainhas: O Poder das Mulheres que Escreveram a História do Samba - Leonardo Bruno  Publicado em 2021, a obra reúne histórias de grandes mulheres que se dedicaram a esse gênero musical, romperam barreiras do machismo e do racismo e conquistaram o público brasileiro e internacional.  Filmes  Estou Me Guardando para Quando o Carnaval Chegar - Marcelo Gomes  Na cidade de Toritama, considerada um centro ativo do capitalismo local, mais de 20 milhões de jeans são produzidos anualmente em fábricas caseiras. Orgulhosos de serem os próprios chefes, os proprietários destas fábricas trabalham sem parar em todas as épocas do ano, exceto o carnaval: quando chega a semana de folga eles vendem tudo que acumularam e descansam em praias paradisíacas. Fevereiros - Marcio Debellian O documentário foi responsável por registrar a vitória da escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira em 2016, que teve um enredo homenageando a cantora baiana Maria Bethânia. Além de filmar a escola e os preparativos do barracão, a produção ainda acompanhou a cantora nas festas da Nossa Senhora da Purificação, na Bahia. Orfeu Negro - Marcel Camus  No Carnaval, Orfeu, condutor de bonde e sambista do morro, se apaixona por Eurídice, uma jovem do interior que vem para o Rio de Janeiro fugindo de um estranho fantasiado de Morte. O belo amor de Orfeu por Eurídice, no entanto, desperta a ira da ex-noiva do galã, Mira e a Morte acompanha tudo de perto. Damas do Samba - Susanna Lira Mulheres que são pastoras, compositoras, passistas, musas, tias, intérpretes e muitas outras mulheres que fazem parte da construção de uma identidade nacional mestiça. Uma retrospectiva da trajetória do samba ao longo da História, com enfoque na participação feminina em sua construção e desenvolvimento até os dias de hoje. Álbuns e singles  Tá Derretendo - Beto Ehong  O melhor momento para falar do aquecimento global é no Carnaval, afinal, os dias intensos de blocos, shows e desfiles faz qualquer um pensar sobre o derretimento do planeta. "Tá Derretendo", o novo single de Beto Ehong, é um pagode com batuque ancestral e com forte influência de São Luís do Maranhão, que traz reflexões sobre o estágio atual da humanidade e o consumo desenfreado das pessoas.  Carnaval da Vingança - Chinaina Em decorrência da pandemia de Covid-19 não conseguimos celebrar o carnaval. Por isso, é necessário fazer uma festa da vingança, onde todos dançam, bebem e cantam. No EP Carnaval da Vingança, Chinaina combina músicas inéditas com regravações, mostrando que hardcore brasileiro é o frevo. Proibido Carnaval - Daniela Mercury e Caetano Veloso  Mesmo que algumas pessoas não vejam o carnaval com bons olhos, Daniela Mercury e Caetano Veloso celebram a festa e dão o recado: "não tem censura pra me segurar". A canção ironiza as declarações de Damares Alves, realizadas em 2019, sobre "menina usa rosa e menino usa azul".  Sambas de Enredo 2024 Já estão disponíveis nas principais plataformas digitais as 12 faixas com os sambas-enredo do Rio Carnaval 2024.  Quando o Carnaval Chegar - Daniela Mercury e Gal Costa  Composta por Daniela e produzida por Yacoce Simões, a canção traz guitarras baianas e o frevo. Além disso, a cantora homenageia Moraes Moreira e relembra que viver é urgente.  Blocos e shows   Bloco Bixa Pare - Tem Piranha Nesse Bloco!  Organizado pelo coletivo artístico Bixa Pare, o bloco LGBTQIAPN+ convoca foliões para comemorar, resistir e celebrar o carnaval de rua com  muito fervo, brilho e resistência, no dia 12. Neste ano, a concentração acontece no Páteo do Colégio e o trajeto passa pela Rua Boa Vista, Rua Líbero Badaró e Praça do Patriarca.  Bloco Afro Ilú Obá de Min Fundado em 2004 e tendo como madrinha a cantora Luci Brandão, o Bloco Afro Ilú Obá de Min é composto apenas por mulheres e irá para a rua no dia 9, a partir das 18h. A concentração acontece na Praça da República.  Agrada Gregos  A partir das 13h, o Agrada Gregos estará colocando o seu bloco na rua, agradando muitos foliões. O local de concentração acontecerá na Av. Pedro Álvares Cabral x Obelisco.  Brega Bloco A Rua Treze de Maio vai ficar pequena para os amantes do carnaval 2024. O Brega Bloco chega com tudo, colocando todo mundo para se divertir.  Casa Natura Musical  Durante o mês de fevereiro, a Casa Natura Musical estará recebendo blocos e artistas para colocar todo mundo para dançar. No dia 7 acontece o Axé, Clementina! Samba da Dandara convida Nega Duda; já no dia seguinte, 8, o bloco Me Lembra que Eu Vou invade a pista. No dia 29, Mariana Aydar junto com o Bloco Forrozin, chegam na Casa Natura para encerrar a temporada de carnaval com um show especial, celebrando a cultura nordestina. Sesc  O carnaval 2024 também promete no Sesc : durante o mês, as unidades recebem uma programação especial para os foliões. Saiba mais no site deles.

Destrações #83: Vem aí o "Feliz Ano Novo" de verdade

Destrações #83: Vem aí o "Feliz Ano Novo" de verdade

Conheça: Lucas Higashi

Conheça: Lucas Higashi

Para mergulhar nas músicas de Lucas Higashi é necessário olhar atentamente para as capas que ilustram seus singles e EPs - as imagens complementam as letras melancólicas e poéticas. Assim, fica mais fácil de ser abatido pelo jovem músico que tem tanto a dizer.  Em 2021, durante a pandemia de Covid-19, Lucas começou a compartilhar suas músicas na internet. Após apresentar "Garrafa de Vidro" e "Vitrine", seus primeiros singles, lançou Capítulos da Alvorada , o seu primeiro EP, que retrata os primeiros passos na vida adulta. Dois anos depois, surgiu Versículos da Madrugada , um álbum que narra os altos e baixos de uma juventude "atrasada". Aos 22 anos, Lucas Higashi mostra as habilidades de um artista multimeios: além de compositor e cantor, ele também é diretor, cineasta e designer - por isso que suas canções são tão intensas, pois misturam diversas linguagens. A sonoridade também traz elementos do Japão, país que nasceu, mostrando que suas raízes permanecem presentes dentro dele.  Na próxima quarta-feira, 7 de fevereiro, o músico compartilhará com o público sua nova música "Terra do Sol Poente". A faixa fará parte do terceiro EP que está sendo desenvolvido para a disciplina de Planejamentos e Produções em Multimeios, do curso de Comunicação e Multimeios, da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sob orientação do professor Tiago Lenartovicz, "Terra do Sol Poente" celebra os avós de Lucas Higashi e as raízes que permitem que ele colha os frutos que o sustentam hoje. "É uma obra sobre investigar o passado para entender o presente, de como as cargas e heranças geracionais influenciam na vida que temos", explica.

A Roma de Fellini

A Roma de Fellini

No decorrer dos anos, um país pode se transformar. Na verdade, ele sempre se altera. Nada permanece da mesma forma. A Roma, presente em diversos filmes de Fellini, é um ótimo exemplo. Ao narrar a história das personagens, o diretor italiano traz a cidade que sempre sonhou para suas histórias, transportando o telespectador para aquele momento, vivendo com ele e demais intérpretes.  Filmado em 1972, A Roma de Fellini (1972) é um filme autobiográfico, em que o diretor italiano retrata poeticamente a cidade que escolheu para morar. Sem ligação narrativa, a obra tem Roma como personagem principal e o alter ego de Federico Fellini que se transforma com as mudanças de takes - em um momento ele é uma criança, depois adulto e, em seguida, torna-se o grande gênio do cinema. Dessa maneira, A Roma de Fellini transita entre a comédia, a nostalgia, a sátira e o drama.  Leia também:  This Much I Know To Be True O caminho de Marc Verwaerde A revolução artística de Paula Gaitán A infância é o primeiro tema que surge no filme. Após os soldados salvarem Roma, a cidade é ensinada para as crianças - é a partir dos ensinamentos que o pequeno Fellini fica encantado por aquela metrópole que anos depois tornou-se seu lar. Aliás, ao ver o trem ir embora, é possível compreender a necessidade do diretor sair de Rimini, sua cidade natal. Sua juventude fica para trás, pois A Roma de Fellini começa a narrar os próximos passos do antagonista na fase adulta.  Teatro e cinema começam a se misturar, conforme o estilo do diretor. A partir de músicas e conversas altas, Fellini oscila entre o que já existiu e o que existirá, questionando como a cidade será no futuro. "E sobre a Roma de hoje? Que impressão deixa no visitante que chega pela primeira vez?", questiona. A resposta está nos símbolos que aparecem em cena: motos, ônibus, vândalos, passeatas, pessoas em situação de rua sob forte chuva, tanques de guerra, cavalos, fábricas, nômades e o início da modernização - passado e presente.  Federico se mostra confuso com a nova sociedade e o movimento hippie. Ele segue as mudanças das gerações, mas se incomoda com a pressa das pessoas e as novas imagens que invadiram Roma. Dessa maneira, conclui que "tudo parece tão longe, tão diferente". No entanto, um ponto não muda: a atriz Anna Magnani continua sendo símbolo da cidade.  No final de A Roma de Fellini , o escritor Gore Vidal surge e diz que "Roma é uma cidade de ilusões. É a cidade ideal para ver se haverá fim ou não". Impossível não concordar com a afirmação, afinal, na arte é possível viver intensamente na Itália. Influenciado por Charles Chaplin, Roberto Rosselini e pelo psiquiatra suíço Carl Jung, Fellini se tornou em um mentiroso inato para tornar a realidade mais interessante do que ela aparenta ser. A Roma de Fellini não existe mais, mas suas ideias seguem vivas.

This Much I Know To Be True

This Much I Know To Be True

Em 2016, o diretor Andrew Dominik filmou o luto de Nick Cave após perder Arthur, seu filho de 15 anos. Dessa maneira, One More Time With Feeling - presente na lista dos melhores filmes de 2023 - retrata o processo de criação de Skeleton Tree (2016) e a trajetória do músico para encontrar o seu caminho em meio à escuridão. Seis anos depois, diretor e músico retornam a parceria com This Much I Know To Be True , um documentário-filme que retrata a relação criativa de Cave e Warren Ellis, além das músicas dos dois últimos álbuns lançados.  De acordo com Andrew, This Much I Know To Be True pode ser considerado a continuação do primeiro documentário. Se no anterior Cave estava enlutado, neste, o músico celebra Arthur e retorna ao seu caminho ao lado de Ellis, seu parceiro há 30 anos. Nick ainda sangra, mas a maneira que escolheu para lidar com a vida ajuda a ser uma pessoa melhor.  Leia também:  Fé, Esperança e Carnificina Impressões: Quem Matou Meu Pai Impressões: Ulysses O filme começa com o músico dizendo que se requalificou como ceramista "porque não é mais viável ser músico - um artista em turnê". Mostrando suas esculturas, Cave compartilha a série com 18 estátuas do diabo. É através dessas imagens que o filme-concerto se inicia.  Filmado em uma fábrica abandonada em Bristol, no Reino Unido, This Much I Know To Be True segue a mesma linguagem de One More Time With Feeling , ou seja, mistura entrevista com canções. Entretanto, existem duas diferenças entre elas: neste filme vemos outros músicos e cantores, além da nova fase que Cave e Ellis estão - a liberdade para criar está nítido em Carnage (2021), álbum que foi feito em pouco tempo e totalmente improvisado. Sobre essa relação, Warren comenta: "Não tenho muito senso de forma e ordem. Mas é basicamente sobre viver o movimento e ver o que acontece".  Em entrevista para André Barcinski , Andrew diz que "neste novo filme, temos Nick voltando à vida, enriquecido por ela, tentando se encontrar e lidar com a morte de Arthur de uma forma responsável." - This Much I Know To Be True é justamente sobre isso: após os dias nublados, o sol se retorna mais poderoso - ou como canta em "Hollywood": "It’s a long way to find peace of mind".

Destrações #82: Começar o ano com o pé direito (sendo puxado)

Destrações #82: Começar o ano com o pé direito (sendo puxado)

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