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Ninguém pensa em morte. E, quando alguém pensa e tenta falar sobre o assunto, costuma ser ignorado com violência ou com um sinal da cruz apressado. Nas artes, porém, acontece o oposto: aquilo que é silenciado na realidade ganha forma, corpo e linguagem. Prensado  (2026), de Gloios, projeto musical de Rafael Xavier, explora a fragilidade da existência a partir de referências literárias e musicais. (Créditos: Divulgação/Reprodução) Antes de se tornar um álbum, a obra surgiu como um conto surrealista: um homem esmagado pelo próprio apartamento. A imagem, ao mesmo tempo absurda e brutal, carrega uma força simbólica. A partir disso, a narrativa se desdobra em múltiplas camadas - vergonha, morte, ansiedade e opressão - enquanto São Paulo surge não apenas como cenário, mas como presença ativa que aperta, acelera, sufoca. Dessa maneira, a morte não aparece como espetáculo, mas como consequência de um acúmulo de pressões sociais, arquitetônicas, mentais. Esse mesmo fio emocional que costura o conto conduz sua transformação em um álbum de post-rock experimental brasileiro. Em sua versão musical, Prensado  amplia as sensações já instauradas na narrativa e as traduz em som, mostrando as oscilações da vida. "É sobre pegar um tema pesado - não necessariamente um tabu, mas algo complexo, difícil até para mim - e talvez deixá-lo um pouco mais leve com a música. É sobre seguir entre dias bons e ruins, que oscilam, e também mudar a ótica dessas coisas que, às vezes, são boas e ruins, como a própria vida", explica.  Leia também: Sentimental Value Os ruídos sonoros da Cambaia A paisagem sonora de João Castellani O fio emocional está presente desde Lide (2022), primeiro álbum do músico. Ali, Gloios já ensaiava contrastes entre tensão e delicadeza, ruído e introspecção, inaugurando a ideia de que a música poderia traduzir estados emocionais instáveis. Mas foi em Natureza Errada (2024) que o artista encontrou sua narrativa com mais clareza ao incorporar gêneros brasileiros, como baião, forró e xote. Já em Polvorosa (2025), essa construção ganhou novas camadas, aprofundando a investigação sobre instabilidade, ruína e reconstrução. O trânsito entre diferentes gêneros tornou-se ainda mais fluido, preparando o terreno para a radicalidade conceitual de Prensado . Assim, Gloios constrói uma obra que atravessa linguagens sem perder coesão. Do acontecimento surreal ao conto, do conto ao álbum, da trajetória iniciada em Lide  à consolidação narrativa em Natureza Errada  e ao amadurecimento em Polvorosa , tudo permanece conectado por um mesmo núcleo afetivo. Prensado  não trata a morte como espetáculo, mas como sintoma de um mundo que esmaga o indivíduo simbolicamente e literalmente. "O nome Gloios me apareceu numa aula de história que eu gostei muito e o nome da coisa fez total sentido para o que eu pretendia lançar. Gloios, no período da Grécia Antiga, era considerado uma poção que as pessoas criavam a partir do suor de gladiadores, então uma coisa feita de sujeira, de suor, de lixo praticamente, para se criar uma coisa bonita. Então a ideia era meio que servir para que esses gladiadores tirassem todos esses resquícios sujos para que eles passassem no corpo depois e aí isso deixasse eles fortes, deixasse eles com muito vigor." Você define o projeto como "um carnaval de pós-música que, por si só, recusa-se a ser uma única coisa". Partindo dessa imagem tão plural - o carnaval como espaço de encontro entre ritmos, corpos, linguagens e contradições - de que maneira essa ideia de mistura e excesso se traduz no seu processo criativo? A interpretação que você teve é justamente isso, tanto em questão de som, porque é como eu falei, eu não vou me limitar - se eu quiser misturar samba e black metal na mesma música, vou fazer isso. Volta muito também para a coisa da temática, [sobre]  trabalhar o que eu acho feio, desengonçado, desagradável, de uma forma - não diria organizada - leve, talvez… Não digo também bonita em todos os casos… Acho que é um espaço controlado pra fazer música desesperada, tipo, eu quero falar de coisas desesperadoras, de um sentimento muito incômodo, mas, de novo, é um espaço controlado dentro de uma composição e dentro dessa composição acho que ser desesperado tá liberado e é leve, sabe? É tudo muito conflitante no Gloios e é intencionalmente conflitante, tanto a sonoridade quanto a letra. Eu acho que uma coisa que representa muito bem toda essa ideia é o final que eu pensei para Natureza Errada , com a música "Pés de Vento", que é uma música enorme - acho que é uma das músicas mais enormes que eu já fiz - que  [traz]  o baião, xote, forró, misturados com post-rock; e nessa faixa final eu tento [fazer]  algo que soe como metal pra justamente ter essa quebra de expectativa, só que o fim da música é coisa mais calma do álbum inteiro. É uma bagunça, mas é organizado porque pensa onde cada parte da bagunça entra, mas é pra ser conflitante, pra ser desordenado, por isso, essa ideia de pós-carnaval.  Capa de Prensado (Créditos: Divulgação/Reprodução) O momento em que você coloca suas músicas no ar geralmente a obra não é mais sua porque cada um vai ter a interpretação desejada, né? Você não fica com receio de que um ouvinte possa compreender de outra maneira ou que você, Rafael, por trás da persona seja muito descoberto?  Eu acho que, às vezes, eu tenho um pouco de receio que eu, Rafael, seja descoberto nesses contextos, mas eu gosto muito assim da coisa ir para um rumo totalmente diferente do que eu planejei. Eu já ouvi, por exemplo, as pessoas falarem que acham algumas músicas do Polvorosa, meu álbum anterior, uma coisa meio otimista, pra cima… Eu acho muito legal essa perspectiva, eu não consigo exatamente encaixar a coisa nessa perspectiva, mas eu não quero também impor essa minha perspectiva de "nossa, é uma música sobre ansiedade!" Eu acho foda ver que a coisa e também acho que é um benefício da música instrumental, né? Porque a música é uma coisa muito dinâmica. Eu passo por vários gêneros, às vezes, eu misturo uma coisa ali de baião com sei lá, samba e post-rock metal e não sei o que é e acho que isso vira, de alguma forma, uma narrativa que faz sentido para as pessoas, mas zero da forma que eu planejei e isso é um negócio que eu gosto muito. Inclusive, com o Prensado  que tem o conto, teve uma página gringa que divulgou o Prensado  e eles disseram que - eles baixaram o conto no Bandcamp , traduziram o conto, eu não entendi exatamente o porquê já que eu traduzi também, mas eles traduziram do português para inglês - o conto embananou a cabeça deles, porque era uma coisa meio "eu não sei se é um literal apartamento que esmaga um personagem, ou se é uma coisa que aconteceu na cabeça dele, ou se é uma coisa metafórica", e assim em português também é para gerar essa confusão, não é só para gringos, sabe? Eu gosto da ideia de gerar essa ambiguidade no que a coisa fizer sentido para você tá ótimo.   Aproveitando essa palavra ambiguidade, o que você quer causar no ouvinte?   Eu acho que eu quero confundir, sabe? Eu acho que eu quero quebrar as expectativas toda hora… Quando eu lancei Natureza Errada , que era uma coisa muito voltada para a música nordestina, que é muito importante para o meu contexto familiar e tudo mais, eu gostei muito de ter trabalhado essa identidade e eu pensei "acho que agora eu vou lançar um álbum simplesmente de black metal, de death metal, de gritaria, de alguma coisa e acabou. Depois eu lanço um de música ambiente e acabou também." Mas eu também gosto de trabalhar muito essa ideia com essa identidade que eu criei e ficar brincando com essa identidade… Mas, às vezes, eu tenho muito vontade de lançar um projeto mais pesado ou, às vezes, uma coisa até mais leve que eu já lanço no Gloios… Acho que eu nunca fiz nada tão… [olha para o lado]  Ser fora da casinha já é uma coisa meio que esperada e para que o próximo [disco]  seja uma coisa meio alucinada; mas em algum momento eu ainda quero fazer, por exemplo, essa ideia de lançar um álbum de metal que, talvez, encaixe essa identidade…. Eu gosto muito de explorar, eu gosto muito de música no geral e a ideia pra mim sempre é tentar brincar com o que eu acho interessante no momento, sabe?  Mas eu sempre tenho vontade de alguma forma surpreender mais, dentro de uma identidade do projeto, sabe?  Existe apenas uma identidade? Visto que Gloios tem muita coisa…   Poxa, eu acho que sim. Acho que uma só, mas que essa uma só é essa identidade muito… Ela muda, ela é estranha, não é estável - esse é o ponto. Eu acho que é uma [identidade e]  que em uma música você percebe essa variação maluca, sabe? Eu nunca pensei em ter mais, uma coisa de tipo "agora é isso e depois é isso" porque justamente em uma única música eu mudo tudo… E aí eu acho que acaba sendo só essa, a identidade mesmo do Gloios de ser sujeira e coisa bonita com um propósito bonito em uma única coisa, sabe?  Você lançou suas primeiras músicas e eles tinham uma cara de trilhas de filmes, algo mais experimental. Conforme o tempo foi passando, sua música foi se transformando. Como você vê sua trajetória nos dias atuais? Eu acho que eu tive uma evolução musical que eu julgo ter sido muito interessante pra mim. Eu tenho zero conhecimento teórico de música, eu conheço muito pouca coisa em teoria e eu tenho um conhecimento muito prático mesmo de tocar, né, não de saber exatamente o que eu tô fazendo… Isso é engraçado porque ano passado eu fui tocar ao vivo com o Gloios e eu nunca tinha tocado ao vivo, nunca pensei também em tocar ao vivo, porque eu faço tudo sozinho, tem guitarra, baixo, tudo mais que eu toco os instrumentos mesmo e gravo, só que tem muita coisa que eu faço digitalmente, então, eu componho peça por peça da bateria, eu componho peça por peça dos sintetizadores dos pianos… Eu fiquei meio confuso de como passar isso pra um show ao vivo, né? Mas um amigo meu me deu o suporte, um amigo meu completamente aleatório que sequer trabalha com música, ele só quis me dar o suporte eu chamei ele pra me ajudar, e aí eu nem sabia explicar pra ele exatamente como tocar as músicas, "sei lá, faz assim…" [faz gestos como se tivesse tocando]  Não tem muito a coisa da teoria, sabe? Eu não sei que nota é essa, faz isso e acabou. Mesmo fazendo tudo assim, sempre foi desse jeito, eu acho que a grande coisa que tem desde o meu início é ter a identidade que eu acho que é minha mesmo, não sinto que eu tô copiando nada e isso é engraçado, porque enquanto você faz as coisas eu acho que você não percebe - pelo menos eu não lembro de ter isso muito claro quando eu comecei a fazer música -, mas quando eu escuto hoje as coisas que eu lancei no passado eu acho… Puta, beira o brega pra mim, eu acho a coisa copiadíssima do Deftones, copiadíssima de um monte de banda [sorri] . Aí eu fico pensando "puta por isso que eu só montei um Frankenstein ali das coisas que eu gosto." É um recorte legal de pensar, pô quando eu comecei a fazer música eu gostava muito dessas bandas e agora sim, o meu leque de referências ficou muito maior né, então eu acho que as coisas que eu fazia elas eram muito genéricas justamente porque eu só ouvia o tipo de música que eu queria fazer. Quero fazer post-rock, então vou ouvir tudo de post-rock, ou sei lá, quero fazer uma coisa meio black metal, ouvi tudo de black metal… Desde esse período eu comecei a expandir demais meu gosto musical, ainda gosto muito de todas essas coisas de post-rock, de shoegaze e de black metal, mas eu comecei a ouvir muito música brasileira, eu expandi muito meu gosto também com hip hop - e eu já gostava bastante de hip hop na adolescência -, mas nunca tinha de fato colocado nada de hip hop nos projetos que eu fazia; mas de alguma forma também trabalhar com os samples é uma coisa que vem desse meu gosto pro hip hop - eu não trabalho beats, né, mas eu trabalho muitos de sample, então tem muito diálogo de filme, de entrevista, de tudo quanto é coisa [nas minhas músicas] . O que eu vejo de legal dessa evolução é esse leque de referências que eu expandi que é de ouvir coisas novas, eu tô sempre propondo ouvir coisa nova e coisa nova mesmo [ênfase na palavra] . Eu gosto muito de me desafiar musicalmente. Essa ideia de expandir o leque de referências nem é só pra uma questão de coisas que eu gosto, até eu acho, tipo, "nossa, achei isso legal e talvez me inspire pro futuro", às vezes é uma coisa de produção, um detalhe que eu fiz de um jeito em uma gravação anterior e aí eu ouvi alguém fazendo um detalhe mínimo de como aquilo foi mixado que me interessa e aí eu me proponho também a fazer uma coisa melhor, mais desenvolvida, sabe? Então eu acho que é muito de um conhecimento de escuta mesmo, não tem nada muito além disso, sabe? Você falou que tocou ao vivo com o projeto, mas quando ouvi pela primeira vez, eu tive a impressão de que era um tipo de música que era para ser ouvida repetidamente apenas pelo fone, sem ter a apresentação ao vivo. Como foi levar essa experiência para outro lugar?  Foi esquisito, eu achei bem esquisito [sorri de canto] . Eu tinha esse meu amigo que tocava as coisas que eu falei "ó, toca isso" e aí, enquanto ele tocava o que eu pedia, que era a base das coisas, eu fiquei tocando a maior parte das coisas, esses trechos mais ambientes. Eu usei uma guitarra com muito delay, com muito reverb, que só ficava com um som super de fundo, sabe? Era uma coisa muito etérea, não tinha percussão, eu decidi não colocar nada de percussão pra deixar mais simples e ficou mais calmo para o padrão de uma coisa do Gloios, e eu separei alguns samples pra tocar no momento… Na verdade, alguns samples até eram de percussão, mas era uma coisa muito mais sutil do que uma bateria; era um triângulo, sabe? Eu deixava ali o triângulo de um xote tocando… Foi uma experiência interessante e foi uma coisa que eu não planejava também, foi só uma coisa que chegaram a mim e falaram "gostei do seu som, quer tocar ao vivo?" Eu ainda fico conflitado porque eu achei legal, só que eu também achei meio desembolsado, porque… É justamente o que você falou, eu acho que não combina muito a ideia…  Você não pretende fazer mais shows? Não agora, pelo menos. Talvez em algum momento, mas eu teria que encontrar uma forma que me satisfaça de brincar com essas dinâmicas porque eu acho que no show… Aí é que tá a coisa do show também, os trechos que eram mais calmos, mais tranquilos das músicas, eu acho que foram ótimos, acho que soou muito legal, mas tudo que era um pouco mais alto, distorcido e rápido não soou legal, então, eu acho que eu queria encontrar uma forma de casar essas dinâmicas de um jeito legal, porque eu não queria tocar só música calma ou só música rápida e caótica, sabe? Assim que eu encontrar uma forma de fazer isso e que me agrade aí, talvez, eu pense na ideia de fazer um show mesmo, de uma forma concreta. Mas eu também acho que o foco do projeto é muito mais [para por um momento e pensa]  escutar o álbum do início ao fim com o fone na sua casa, sabe? Acho que você aproveita muito melhor do que curtir no show, porque ali não tem toda a brincadeira da produção, da mixagem. "É legal ver que o projeto faz sentido para pessoas que eu não conheço, sabe? Perceber que o projeto saiu do meu alcance é muito legal." Cada álbum traz um tema que se expande em uma narrativa intimista. Como funciona esse processo de criação? Os temas surgem de acordo com o que você vive e/ou sente? Muitas das vezes sim, mas às vezes é um processo bagunçado também. Eu não sei exatamente se é por escolha, essa ideia de "vou trabalhar com este tema", mas acho que a coisa do Natureza Errada, álbum mais forte nesse sentido, eu tinha muito claro que a ideia fosse sobre luto. Quando eu comecei a criar, eu pensava como eu lidava com o assunto e até digo na página do Bandcamp que é "um álbum para os meus mortos", essa coisa de não só relembrar essas pessoas que já estiveram vivas, mas também um período de lidar com o luto, né? Acho que é uma coisa que só flui mesmo. Polvorosa  também foi muito nesse sentido de pensar em ansiedade e trabalhar com coisas que envolvessem o tema… É complexo dizer de onde surgiram os temas, mas os temas são todos meus - é sempre [sobre]  uma coisa que vi ou vivi de alguma forma. Por ser uma coisa muito fragmentada, às vezes, eu tenho essa coisa de pensar que a graça do projeto vai ser pegar esses problemas, esses conflitos que tenho, e trabalhar de uma forma leve, sabe? Às vezes não completamente leve mas, ao menos no processo, eu estou fazendo alguma coisa para aliviar esses temas, sabe?  Em  Natureza Errada  você trabalha o luto, já em Polvorosa , o disco seguinte, você traz a ansiedade, depressão e até mesmo a morte como temas principais, porém, existe um toque de esperança. Quando você completa esse caos, consegue alcançar o controle e imaginar o futuro com essa esperança? Eu acho que sim, sabia? Eu acho que desde Natureza Errada  crio as coisas com esse propósito. Tudo que eu faço é questionavelmente melancólica, as coisas são bastante pra baixo, mas eu não gosto que as músicas sejam extremamente infelizes. Acho que nada do que eu fiz me dá uma sensação muito pra baixo, desestabilizante pra mim… Acho que a única coisa que eu criei, que eu acho bastante pra baixo, tá no álbum Lide - acho que o Lide no geral é desesperador -,mas eu ainda tento colocar coisas leves no meio. Esses espaços de respiro [que estão nas músicas]  não são apenas espaços de respiro, eles são justamente, como você comentou, para que reine a esperança de alguma forma. Pra mim, os temas pesados estão sendo trabalhados de uma forma… Eu acho que tem dois pontos aí: é um desafio artístico: falar sobre temas pesados sem ser muito pra baixo, sem ser desesperador, eu gosto de ter um contraste ali no tom que eu tô trabalhando só pra pensar mesmo nesse esforço criativo; outra grande parte da coisa é eu não querer criar uma coisa sem o propósito - eu quero ter um propósito no fim das coisas. Eu acho que tudo que eu faço tem uma coisa de esperança, um toque de saudosismo, sabe? Eu realmente tento fazer com que as coisas sejam agridoce, nem felizes e nem tristes, agridoce. "(...) Eu simplesmente sinto que não tenho mais corpo e às vezes, quando luto para fazer algum esforço (já não sei se físico ou mental), sinto pequenos pedacinhos de pedra se movendo em algum lugar. Claro que pode ser apenas a minha imaginação, mas e se essas pedrinhas forem o meu novo eu, ou até mesmo os meus descendentes? Que situação virar um só com os escombros." (página 19 do conto Prensado)

O colapso sonoro de Gloios

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