• Michele Costa

Indicações: artes criadas por mulheres brasileiras

Nos últimos anos, as mulheres estão aparecendo cada vez mais na cultura, mostrando suas forças e histórias provocativas. Não foi sempre assim, por isso, é preciso comemorar diariamente. A seguir, você confere nossa lista de indicação da semana, feita por mulheres brasileiras e gigantes.


Discos

Lançado em 2015, esse é o trigésimo terceiro álbum da discografia solo de Gal Costa. “Estratosférica” mistura o pop contemporâneo com os elementos que definiram os 50 anos de carreira da cantora. Com composições de Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Cezar Mendes a Arthur Nogueira, o álbum conta com músicas deliciosas para amar, dançar e se declarar. Os anos se passam, e a voz angelical continua presente na eterna tropicalista.


Depois de cantar por muito tempo boleros e canções românticas, Clara Nunes encontra sua voz no samba, evocando as raízes brasileiras e cantando sobre a umbanda, sua religião, sem medo. A cantora não parava nunca: ela gostava de pesquisar a história de seu país, adicionando o folclore e a tradição afro-brasileira em seus discos - o resultado está em seu álbum “Brasil Mestiço”, lançado em 1980.


Livros

Escrito por Carolina Maria de Jesus e lançado apenas em 1960, “O Quarto de Despejo” narra sua vida e o cotidiano passado na favela. Moradora da favela Canindé, em São Paulo, Carolina é mãe de três crianças e faz o impossível para criar seus filhos. Extremamente sincera, a autora escreve sobre o seu trabalho como catadora de papelão, metal, e como lavadeira; além de mostrar as dificuldades, desigualdades sociais. Livro difícil de ser lido, mas necessário.


Já em “A Paixão Segundo G.H.”, Clarice Lispector incomoda o leitor com o surgimento de um inseto enquanto G.H. limpa seu quarto, no qual ela supõe imundo e repleto de inutilidades. Ao limpar o cômodo, percebemos que a protagonista está perdida. Mesmo bem sucedida profissionalmente, ela não consegue sua identidade, buscando em seu quarto e em seus utensílios o conhecimento interior.


Filmes

Sucesso nos cinema, “Como Nossos Pais” mostra que Belchior estava certo: mesmo fazendo algumas coisas diferentes, somos parecidos como nos pais. O filme de Laís Bodanzky é muito mais do que uma mãe multitarefa. Abordando questões de gênero, vemos as pressões da sociedade em cima de mulheres, gerando culpas (inexistentes e existentes). Reflexão necessária, principalmente em época de pandemia.


Filmado em três países (Brasil, Argentina e França) “Histórias que só Existem Quando Lembradas” conta a história da cidade Jotuomba, ambientada no Vale do Paraíba, onde grandes fazendas de café faliram e cidades, antes ricas, se tornam quase fantasmas. A cidade passa por uma transformação com a chegada de uma jovem fotógrafa que está à procura de trens abandonados para seu projeto. Em pouco tempo, ela modifica a vida de Madalena, uma padeira presa à memória de seu marido morto, e da vila. A obra é de Julia Murat.


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