• Michele Costa

A liberdade imperfeita do Power Supply

A história do Power Supply começou dentro de casa, quando os irmãos Edgar e Fernando Marinho perceberam que contavam com uma veia artística. O duo começou em 2011, mas nove anos depois, em 2020, convidaram o músico Thales Duarte para ser o baterista; assim, o Power Supply tornou-se um trio que passeia por diversas vertentes do rock.


As canções abordam questões que todo mundo passa, como desilusão amorosa, medo de perder alguém e quando o passado retorna - em melodia, fica mais fácil explicar os sentimentos, afinal, ter a liberdade para viver as imperfeições da vida é uma maneira para encontrar uma maneira de lidar com as dores.


A seguir, o vocalista do trio, Edgar, fala mais sobre o Power Supply, inspirações, letras e as dificuldades de fazer música.


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Vocês começaram como um duo. Como foi a chegada de um novo integrante e como tem sido o fluxo de um trio?

A gente [Edgar e Fefo] começou como um duo ainda ali por 2011, mas era tudo muito amador, faltando muita coisa que era essencial para a produção de boas músicas: material e maturidade, a gente estava na adolescência. Em 2020, decidimos chamar o Thales porque ele já tinha trabalhado conosco antes, a amizade já passava de uma década, e já tínhamos chegado em um ponto que estava muito trabalhoso gravar baterias com clique de mouse pelo Pro Tools. O convite rolou e ele aceitou na hora! Hoje em dia, eu estou sempre compondo e o Fefo me ajuda a construir o arranjo e algumas trilhas melódicas das faixas, como sempre foi, mas o Thales tem participado de forma essencial nessa construção dos arranjos, e criado as faixas de bateria do zero, o que tem trazido uma identidade nova a tudo. Na hora dos lançamentos, a estratégia é pensada por todos, e aí eu e Fefo vamos depois cuidando dessa parte burocrática e de toda régua criativa (desde posts à edição de vídeos) que acompanha os lançamentos.


Power Supply passa por diversas vertentes do rock. Como chegaram no som final? Aliás, quais são as influências do trio?

O som é o produto final de todas as nossas influências e vivências na música e meio que se construiu sozinho: as músicas foram nascendo, e conforme fomos trabalhando nelas ao longo dos anos, fomos colocando elementos que representavam cada fase da banda, mas ultimamente temos buscado uniformidade. Muita música, enquanto compomos, já imaginamos como elas soarão no fim das contas, e aí é o trabalho na produção que faz se aproximar ao máximo dessa idealização. Sobre influências: o Power Supply bebeu muito de um álbum em específico que não é muito conhecido, o "Hold Your Breath For a Rising Tide" do Down and Above, mas temos muitas influências que podem serem ouvidas nas faixas, sejam elas individuais ou de todos: Foo Fighters, Placebo, Foals, Green Day, Blink-182, Radiohead, Kings of Leon, Avril Lavigne, Paramore, No Doubt, Goldfinger, Misfits, Dead Fish, Pense, Garage Fuzz… A lista é longa, mas cobre muito artista do rock alternativo, pop punk, emo e hardcore.



Como surgiu a ideia de escrever em inglês? Falando em letras, o que vocês querem transmitir aos ouvintes?

A ideia de escrever em inglês não surgiu necessariamente, foi assim que começou e a gente só deixou fluir. Eu e o Fefo estávamos fazendo inglês quando começamos a escrever "Forever", "Recover" e "Free (Winter of My Life)" - foram todas escritas entre 2012 e 2014. Muito disso também veio das bandas que ouvimos. No fim das contas, a gente pensou em traduzir todas as faixas, mas compor em inglês é muito diferente do português, inclusive algumas passagens melódicas… Então, decidimos deixar as faixas como nasceram. Nós temos uma energia anticolonial dentro da gente que nos faz querer compor mais em português, mas ao mesmo tempo, se for para ouvir artistas que cantam em inglês, que nossos ouvidos tenham uma boa opção brasileira também. As letras são variadas: "Forever" foi escrita quando eu tinha 17 e tem aquela energia do drama adolescente de quando você termina seu primeiro relacionamento, "All Over My Head" já é sobre um relacionamento que tive dos 23 aos 24, e que já trata de se sentir bem com uma pessoa da qual você é dependente emocional e dos jogos de controle dessa relação, que foi a mesma que inspirou "Used to Love You". Mas tem letras sobre assuntos que englobam nossa visão de mundo: "I Won’t Let You Go" é sobre medo de perder alguém para a depressão e "Loser" é sobre minha vivência como bissexual.


"Seis e Quatro" é a única canção em português. Vocês pretendem lançar novas canções em português?

Sim! "Seis e Quatro" não dava para ser em inglês de forma alguma, porque é uma faixa sobre a dicotomia entre acordar de preocupação por alguém que se ama num horário aleatório que quase ninguém tá acordado, e ao mesmo tempo, fala sobre os crimes contra a vida cometidos durante a ditadura militar brasileira, que começou em 64. "Seis e Quatro" é uma faixa em paralelo à estratégia de lançamentos que idealizamos para o álbum 1, mas que abre o capítulo para uma outra narrativa. A próxima faixa em português não deve ser tão profunda e política, mas é igualmente humana e vai ser nosso single promocional, antes de "Loser", que vai ser o single que vai preceder o lançamento do álbum e deve sair entre janeiro e fevereiro.


Algumas produções surgiram em home studio. Como foi esse processo de "faça você mesmo"?

Na verdade, acho que todas tem a maior parte dos elementos gravados no home studio. Começamos a montar o home studio em 2013, quando ganhei um microfone de aniversário. A partir daí, compramos tudo que achávamos usado, e fomos montando a estrutura que temos agora aos poucos, mudando de lugar algumas vezes. Eu acho que é impossível terminar um home studio, mas ainda faltam algumas coisas essenciais que provavelmente vão nos ajudar a levar o som para um outro nível.


Já que estamos falando sobre o processo de fazer música, pergunto: quais são as dificuldades em produzir?

As maiores dificuldades, eu acho que estão em colocar a visão de todos na versão final da faixa. No fim das contas, não importa quem compôs, a identidade de todo mundo tem que estar expressa ali, e as ideias de melhoria de todo mundo tem que ser englobadas para a gente chegar na melhor forma da faixa. Tem algumas dificuldades técnicas, como ter que gravar bateria em estúdios diferentes com sons diferentes, e o fato de mixarmos com fone de ouvido porque não temos monitores de áudio ainda, mas esses são perrengues que a gente vai resolvendo aos poucos.


No próximo sábado, 13, o Power Supply faz seu show de estreia no Espaço Som, em Pinheiros. Garanta o seu ingresso aqui.

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