Dando continuidade ao melhores de 2021, um ano infinito e dolorido, chegou a vez dos melhores livros lidos durante este ano. Se as últimas listas foram apenas 10 obras, a literatura quádrupula: confira a lista dos melhores 40 livros lidos em 2021. Ulysses (James Joyce) Um ano e oito meses; esse foi o tempo necessário para finalizar a obra de James Joyce. Leopold Bloom e Stephen Dedalus, pai e filho, tão diferentes e tão iguais. A vida dos dois homens se misturam pelas ruas irlandesas em uma linguagem desalinhada, reflexo da vida. No fim, após mais de mil páginas, "Ulysses" é sobre eu, você e os demais humanos. [Confira as impressões da obra aqui.] Pequena Coreografia do Adeus (Aline Bei) Entre uma coreografia e outra, Julia Terra, protagonista de "Pequena Coreografia do Adeus", segundo livro de Aline Bei, tenta sobreviver aos demônios dos pais que existem dentro dela. O livro de Aline acompanha o crescimento de Julia, da infância à juventude, uma jovem que busca sobreviver as feridas dos pais. [Confira as impressões da obra aqui.] Diários: 1970 - 1986 (Andrei Tarkovsky) Vinte e seis anos escritos em cadernos. Em "Diários: 1970 - 1986", conhecemos a fundo o diretor Andrei Tarkovsky que se sacrificou para compreender (ou tentar) o ser humano e a busca da liberdade que sempre desejou. [Confira as impressões da obra aqui.] Ho-Ba-La-Lá: À Procura de João Gilberto (Marc Fischer) Imagine a cena: um jornalista alemão se apaixona pela bossa nova de João Gilberto em outro país, enquanto tenta sobreviver ao fim de um relacionamento; assim, decide aprender português e vir ao Brasil em busca do mestre da música brasileira. Em "Ho-Ba-La-Lá: À Procura de João Gilberto", acompanhamos os passos de Marc Fischer ao músico que não quer ser encontrado. [Confira as impressões da obra aqui.] O Luto no Século 21: Uma Compreensão Abrangente do Fenômeno (Maria Helena Pereira Franco) A maior especialista em luto do Brasil e pioneira no tema em nosso país, reúne décadas de experiências no atendimento a pessoas enlutadas e na formação de profissionais que atuam nesse campo. No livro "O Luto no Século 21", a psicóloga apresenta a história do luto e suas mudanças em um país que morreu mais de 600 mil pessoas pela Covid-19. O Aleph (Jorge Luis Borges) Publicado em 1949, "O Aleph" é uma das principais obras de Jorge Luis Borges. O livro aborda vários temas, como a identidade, o duplo, a eternidade e o tempo, fazendo com que o leitor entre no labirinto de ideias e reflexões do escritor argentino. Uma leitura difícil, mas que muda a vida do leitor. O Diário Íntimo de Kafka (Franz Kafka) Publicado pela primeira vez no Brasil em 1964, "O Diário Íntimo de Kafka" faz um mergulho a fundo em Franz Kafka. A obra apresenta o mundo de Kafka e a reconstrução de suas famosas obras, como "O Processo" e "Carta Ao Pai". Sociedade do Cansaço (Byung-Chul Han) O filósofo sul-coreano mostra em "Sociedade do Cansaço" que a sociedade disciplinar e repressora do século XX descrita por Michel Foucault perde espaço para uma nova forma de organização coercitiva: a violência neuronal. As pessoas se cobram cada vez mais para apresentar resultados, tornando-as vigilantes e carrascas de suas próprias ações. Em um tempo onde o imperfeito não existe nas redes sociais, depressão, transtornos de personalidade e burnout dominam a vida do indivíduo. A Pérola (John Steinbeck) A partir de uma pérola, John Steinbeck trata uma narrativa de como a pérola foi descoberta, de como se perdeu e trouxe desgraças para a vida de diversas pessoas em uma pequena população. A Vida Mentirosa dos Adultos (Elena Ferrante) Último romance publicado por aqui, o livro de Elena Ferrante acompanha o crescimento de Giovanna, uma jovem italiana que acreditou, por muito tempo, ter uma família perfeita. A obra narra as transições, paixões e descobertas da jovem que decide, na adolescência, abandonar o seu passado e "matar" seus pais dentro de si. O Que os Cegos Estão Sonhando? (Noemi Jaffe) A partir do diário de sua mãe, Lili Jaffe, uma sobrevivente do holocausto, a escritora Noemi Jaffe reflete sobre sobrevivência, religião e a condição humana. O que é aceitável para sobreviver no meio de uma monstruosidade? Qual o impacto do sofrimento na família, anos mais tarde? Falar sobre a tortura que sua mãe sofreu nas mãos dos alemães alivia? Indivíduos, de outra geração, que nunca passaram por uma monstruosidade dessa, conseguem compreender? [Confira as impressões da obra aqui.] Norwegian Wood (Haruki Murakami) A música "Norwegian Wood (This Bird Has Flown)" dos Beatles inspirou Haruki Murakami para escrever o livro que leva o mesmo nome da canção. Publicado em 1987, o romance se passa na década de 1960 e conta a história do jovem Toru Watanabe, um jovem solitário. A obra narra a trajetória de Toru que ao desembarcar em Hamburgo ouve a canção dos Beatles e relembra de Naoko, amiga que teve na adolescência. A partir disso, o leitor acompanha uma viagem ao passado, aos primeiros anos da faculdade de Toru em Tóquio e o relacionamento confuso com a amiga. [Confira o desalinhamento do autor e obra aqui.] Mulheres Atrás das Câmeras (Camila Vieira da Silva e Luísa Lusvarghi) Editado em parceria com a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), o livro "Mulheres Atrás das Câmeras", organizado por Camila Vieira da Silva e Luísa Lusvarghi, reúne artigos sobre diretoras de cinema que se destacaram na sétima arte. Um livro imperdível para conhecer as histórias de grandes mulheres. Manual Para Sonhar de Olhos Abertos (Helio Flanders) A história se inicia com um tiro. O mesmo está presente na capa do livro de Helio Flanders. Em "Manual Para Sonhar de Olhos Abertos" acompanhamos as memórias de Pitico, um jovem que se exila em Vallegrand com o objetivo de esquecer um tiro na perna. Novas personagens surgem, nos fazendo lembrar a necessidade de continuar sonhando e amando. [Confira as impressões da obra aqui e a conversa com Helio aqui.] Ideias Para Adiar o Fim do Mundo (Ailton Krenak) A natureza é essencial e é possível adiar o fim do mundo. Em um pequeno livrinho, o ativista indígena Ailton Krenak narra uma parábola sobre os tempos atuais. Simples, necessário e impactante. O Livro das Semelhanças (Ana Martins Marques) Dividido em quatro seções, o livro de Ana Martins Marques é de uma beleza poética sem limites. Ana expõe com delicadeza sua poesia nas palavras, nas pequenas coisas do dia a dia. Os detalhes são lindos, fazendo com que nossas memórias (existentes e/ou inexistentes) se cruzem com os sentimentos da autora. Favor Fechar Os Olhos: Em Busca de Outro Tempo (Byung-Chul Han) A sociedade mudou, alterando o mundo. Se antes, o tempo era bem gasto, aproveitado, hoje em dia, o tempo passa como uma avalanche, não tendo mais a parada necessária. Em poucas palavras, o filósofo Byung-Chul Han questiona sobre o novo tempo e a precariedade que o mesmo trouxe aos cidadãos. Belo Mundo, Onde Você Está (Sally Rooney) Se você nasceu nos anos 90 assim como eu, o livro da escritora Sally Ronney fará sentindo. Quando éramos pequenos, conseguimos sonhar, fazer planos para um futuro promissor que nos dizia que era possível... Então, quando você cresce, descobre que o mundo não é fácil e belo como imaginávamos. Onde estará esse belo mundo que fora criado? É possível continuar sonhando, amando e trabalhando enquanto o mundo está sendo destruído diariamente? Esboço (Rachel Cusk) O primeiro de uma trilogia que transformou a literatura contemporânea. Quando "Esboço", de Rachel Cusk, foi publicado originalmente, em 2014, um pequeno furor tomou conta do mundo literário. O enredo é simples: uma escritora vai a Atenas ministrar um curso de criação literária. Cusk escreve sobre o dia a dia dessa escritora, que não apresenta um nome, abordando dúvidas, impressões, maternidade, relacionamentos e muito mais. Como um simples livro produziu um efeito tão poderoso nos leitores? Se souber responder essa questão, me envie, por favor. Descobri Que Estava Morto (J.P. Cuenca) Através de um humor ácido, J.P. Cuenca retrata o seu não falecimento em 2008 em "Descobri que Estava Morto". Após jogar lixo, pela janela, em um grupo de funcionários de um restaurante, o escritor é fichado pelo crime de "Ameaça e Arremesso ou Colocação Perigosa, sob o Registro de Ocorrência n° 014-03595/2011". A partir do seu crime descobre, três anos depois, que um homem foi enterrado com o seu nome, com sua identidade - assim, ficção e realidade se misturam, mostrando as diversas camadas da escrita de Cuenca. [Confira as impressões da obra aqui.] Transformer: A História Completa de Lou Reed (Victor Bockris) Muito já se foi falado, escrito e filmado, sobre a vida do vocalista de Velvet Underground, porém, a história completa de Lou Reed só foi compartilhada no livro de Victor Bockris, "Transformer: A História Completa de Lou Reed". Arrogante, metido, egocêntrico, mas um gênio, Lou foi um camaleão antes de se tornar um dos músicos mais importantes do mundo, e a biografia mostra todos os seus lados. [Confira as impressões da obra aqui.] Diário das Coincidências (João Anzanello Carrascoza) Todo mundo tem uma coincidência para compartilhar. Coincidências ou destino? Qual o melhor termo para aplicar? Em uma narrativa única e impactante (já prevista em outras obras do autor), João Carrascoza escreve sobre as coincidências vividas e criadas que ligam as alegrias e tristezas do cotidiano em diferentes atmosferas. Segredos (Domenico Startone) Domenico Startone é um escritor que não se pode confiar. O motivo? Explico: não sabemos se ele escreve para se esconder ou para o leitor criar dúvidas e teorias sobre seus livros. É preciso ter isso em mente ao ler "Segredos", um livro perigoso, bem escrito e profundo. [Confira as impressões da obra aqui.] O Álbum Branco (Joan Didion) Através de seus olhos que participaram da ebulição cultural, a jornalista Joan Didion reflete sobre o absurdo e a paranoia que marcaram os anos 1960 e 1970. Bem escrito e em alguns momentos cansativos, "O Álbum Branco" nos faz imaginar a loucura do passado e o impacto sobre hoje, muitos anos depois. A Guerra: A Ascensão do PCC e o Mundo do Crime no Brasil (Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias) Lançado em 2018 pela editora Todavia, a obra conta a história do PCC, criada em 1993, e o impacto da facção nas prisões de São Paulo. A partir de relatos inéditos das facções criminosas, os autores abordam o mundo do crime no Brasil sob um ângulo revelador. Torto Arado (Itamar Vieira Junior) A história das irmãs Bibiana e Belonísia se cruzam após encontraram uma velha e misteriosa faca guardada em uma mala - é tudo que posso escrever. A partir disso, a vida das duas ficam ligadas para sempre. Notas Sobre o Luto (Chimamanda Ngozi Adichie) Ao escrever sobre o luto ao perder o seu pai amado, Chimamanda traz também sua memória e esperança que permanecem com aqueles que ficam. "Notas Sobre o Luto" é um relato sincero e potente sobre a imensurável dor da perda e a necessidade de possuir lembranças para aliviar a dor. A Pediatra (Andréa Del Fuego) Um livro brilhante e contraditório: uma pediatra que não gosta de crianças. Cecília é uma mulher sem espírito maternal, com zero paciência para os pais que levam seus filhos para serem consultados em seu consultório. A médica se vê "perdida", ou seja, perdendo o lugar para uma pediatra humanista. Instigada para compreender esse novo cenário, Cecília faz um mergulho nesse novo mundo buscando respostas para suas dúvidas. A Visão das Plantas (Djaimilia Pereira de Almeida) Um livro pesado, que aborda o passado sombrio do capitão Celestino vivido na África, Portugal e Brasil. De volta ao lar, em Portugal, e com a consciência pesada pelas monstruosidades que cometeu, o capitão se dedica as plantas de seu jardim, buscando, talvez, sua redenção. Trasgo Nas Masmorras (Mariana Godoy) Em seu novo livro, Mariana Godoy volta a falar sobre família. Em "Trasgo Nas Masmorras", a escritora compartilha memórias e o papel do tio que morou com ela, mostrando que escrever é o melhor jeito para matar aqueles que nos matam diariamente. O Homem que Dormia Com Elefantes (Mario Cesar Santos) O livro de Mario Cesar Santos parece simples, mas não é. Em "O Homem que Dormia Com Elefantes", traz a história de um homem sem identificação que fica conhecido pelo seu cobertor de elefantes. Misturando ficção e realidade, com foco na questão dos moradores em situação de rua de todo o país, o autor reflete sobre a falta de compaixão de nós, humanos, com o próximo, ou seja, aqueles que são considerados invisíveis pela sociedade. [Confira a entrevista completa com o escritor aqui.] Solidão e Companhia (Silvana Paternostro) A partir de depoimentos de dezenas de pessoas como irmãos, parentes, amigos e conhecidos, Silvana Paternostro apresenta Gabriel García Márquez em um novo ângulo: através da história oral. Os depoimentos mostram a dificuldade que Gabo teve para escrever "Cem Anos de Solidão", o seu melhor livro. Interessante de início ao fim. Copo Vazio (Natalia Timerman) O romance conta a história de Mirela, uma mulher inteligente e bem-sucedida, que acaba submergida em afetos perturbadores quando se apaixona por Pedro. De cara, experimenta aquilo que Clarice Lispector chamou de "felicidade insuportável", para, mais tarde, surgir a dúvida e o desalento. Demian (Hermann Hesse) "Demian" é um dos meus livros preferidos escritos por Hermann Hesse. Por conta da pandemia, acabei revisitando a obra e revivendo sentimentos que tive quando li pela primeira vez o livro. Emil Sinclair é um jovem que busca respostas para suas questões sobre o mundo. Quando conhece Max Demian, Sinclair se rebela contra as convenções e embarca em uma jornada de descobertas. Destinos e Fúrias (Lauren Groff) Todas as histórias têm duas versões, dois pontos de vista. Porém, às vezes, a chave para um bom casamento não está na honestidade, mas em seus segredos - Lotto e Mathilde sabem bem disso. Em "Destinos e Fúrias" acompanhamos duas versões de um relacionamento que parecia perfeito. Orgulho e Preconceito (Jane Austen) Todo mundo conhece o enredo do livro mais famoso de Jane Austen. O sucesso do filme e seriado, estrelado por Colin Firth, demonstram isso. Você pode rever várias vezes a obra, que ela continuará sendo perfeita, assim como Mr. Darcy - com o livro acontece a mesma coisa. Prometo que a releitura fica ainda melhor. Inimigos: Uma História de Amor (Isaac Bashevis Singer) Herman é o protagonista da obra. O homem tenta recomeçar após sobreviver ao Holocausto, mas não se sente digno de dar continuidade a sua existência. O livro conta a trajetória do judeu que escapou dos campos de concentração por conta da dedicação de Yadwiga, sua criada antes da guerra, que o escondeu. Herman sente que deve algo à ela, então, se casa com a polonesa e tenta reconstruir uma vida em um novo lugar. Viajando constantemente, diz à esposa que vende livros - uma desculpa para se encontrar com Masha, sua amante. O conflito piora quando a esposa de Herman ressurge. Amor, ódio, mágoas e inimigos se misturam. [Confira as impressões da obra aqui.] As Virgens Suicidas (Jeffrey Eugenides) Conheci a história das cinco irmãs na adolescência através do filme de Sofia Coppola, que carrega o mesmo título. Lembro de ser impactada por Cecília, a caçula. Perdi as contas de quantas vezes assisti o filme para, mais tarde, ler o livro. Uma releitura durante a pandemia. O livro de Jeffrey Eugenides é trágico e belo, como a vida, de uma extrema importância para falar com os jovens e pais sobre criação, depressão e suicídio. Vermelho Amargo (Bartolomeu Campos de Queirós) Vermelho é uma cor quente, faz lembrar o sangue, o coração, a rosa e o tomate, gruta que faz parte de toda a história de Bartolomeu Campos de Queirós. Em "Vermelho Amargo", o autor narra suas memórias de infância e a dolorosa perda da mãe aos seis anos. Bartolomeu se derrete, sangrando como o sangue vermelho que está em nossos corpos - mas seu coração vermelho pulsa, transbordando também amor. "Vermelho Amargo" é o único livro que releio todo mês e que sempre passa por alterações, nunca é o mesmo. [Confira as impressões da obra aqui.]

Os melhores 40 livros lidos em 2021