Larissa recebeu como sobrenome, o país onde mora. Ela nasceu durante o governo Geisel, conhecendo um novo Brasil, pronto para a redemocratização. Larissa Brasil é escritora e descobriu o seu dom na adolescência. Começou com poesias e histórias inacabadas para, mais tarde, se arriscar em pequenos contos, inspirados na cidade em que sua avó nasceu. Foi assim que o suspense e o realismo mágico dominaram sua escrita. Anos depois, em um país diferente, Larissa lançou o livro "A Garota da Casa da Colina" seu primeiro romance, ganhando o Prêmio ABERST 2020 na categoria "Melhor Livro de Suspense". Essa não foi a primeira vez que a escritora foi premiada: sua história "Conto do Coronel Fantasma" rendeu o Prêmio ABERST de "Autor Revelação" em 2018. Além disso, mais dois contos policiais, "Areia Movediça" e "O Machado da Casa de Pedra" ganharam "Menção Honrosa" no III Prêmio ABERST de Literatura. Para finalizar a lista de escritos, Larissa também publicou "Onde o Vento Faz a Curva" e "Tr3s", livro sobre bruxas que escreveu com Larissa Prado. Vale relembrar que Larissa é resistência no setor literário, ainda dominado por homens. De acordo com a pesquisa desenvolvida pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, coletivo de pesquisadores vinculado à Universidade de Brasília (UNB), mais de 70% dos livros publicados por grandes editoras brasileiras entre 1965 e 2014 foram escritos por homens. Agora, imagine a porcentagem de mulheres brasileiras que escrevem suspense e que são reconhecidas - o número deve ser ainda menor. "Ser mulher é sempre difícil, estamos em uma sociedade que ainda é muito machista e na escrita também tem preconceito. A mulher acaba por ser descredenciada em alguns gêneros, como se devêssemos escrever apenas sobre romance", diz. Leia também:
Marcelo Cabral e o mundo pós-apocalíptico Marina Person e Gustavo Moura: a necessidade de falar sobre filmes Os pedaços de Edith Elek Você escreve desde a adolescência. O que te motivou a escrever? Na adolescência eram só poesias e alguns inícios de histórias. Fiquei bastante tempo afastada da escrita, e em 2012, voltei a escrever para combater uma depressão - e a escrita foi um dos motivos que consegui superar essa doença. Como que o gênero suspense entrou em sua vida? Todas as histórias que escrevia eram de alguma maneira, cheias de suspenses e reviravoltas, eu adoro o gênero e sempre esteve presente, desde início. Já o policial veio de maneira inusitada, tinha um concurso para participar de uma antologia natalina e a história e a personagem, uma inspetora de polícia, ganharam formas. Eu me lembro de ter me divertido muito ao escrever, e apesar de ser um pouco medrosa, abracei com entusiasmo esse novo gênero. O meu próximo livro será um suspense policial. A literatura brasileira não é bem vista por algumas pessoas, já que as mesmas defendem que "tudo que vem de fora é melhor". Para ser reconhecido é preciso que o livro vire série ou filme. Como você se sente com essa desvalorização da cultura nacional? É difícil ser escritor no Brasil, além de sermos comparados com os livros de fora, e ainda temos a desconfiança e preconceito do público que vê o escritor nacional como amador, não capaz de escrever boas histórias. Os valores para se fazer uma literatura boa no Brasil são enormes e os preços dos livros físicos acabam ficando mais caros do que os estrangeiros e isso é mais um empecilho para que leitores conheçam escritores nacionais. As coisas estão mudando, escritores nacionais ficando mais profissionais, investindo em marketing e competindo de igual com autores de fora. Como foi o processo de escrever "A Garota da Casa da Colina"? Inclusive, você acaba de receber o prêmio ABERST 2020, na categoria "Melhor Livro de Suspense". Como você se sente? Foi difícil, eu me auto sabotei muito, ficava com medo de contar essa história. Foram dezoito meses de planejamento até o ponto final e uma lição maravilhosa para mim, de que somos capazes. Foi maravilhoso ganhar, ainda mais porque eu não estava confiante, e fiquei surpresa com o resultado. Em 2018, quando ganhei o prêmio de "Autor Revelação", foi o diferencial para a minha carreira de autora iniciante e agora, dois anos depois, receber de melhor romance de suspense é realmente perceber que estou no caminho certo. Você conta com uma bagagem de contos e livros. Pra você, o que é mais fácil escrever, uma história curta ou longa? Uma história longa precisa de planejamento, dedicação, estudo. Os personagens precisam de camadas para se tornar mais reais. Numa curta, não há muito tempo para aprofundar e é um pouco mais fácil e rápida de se escrever. Alguns escritores dizem que escrever é doloroso. Você sente a mesma coisa? Qual o peso da escrita em sua vida? As vezes é. Tive que escrever na pele de um assassino em série e para ficar real, preciso entrar em contato com uma parte escura e que não me é familiar. Foi bem difícil de escrever. Inspirada por Lúcia Machado de Almeida, Neil Gaiman, Jane Austen e "Coleção Vagalume" (Editora Ática), Larissa assusta, emociona e prende a atenção do leitor desde a primeira sentença. Quando achamos que não é possível encontrar tema, ritmo e suspense, a escritora mostra que estamos errados; ainda tem muito a dizer. Mesmo com a pandemia, Larissa Brasil continua escrevendo, mas houve oscilações: "Tive crises de ansiedade durante a pandemia, mas consegui terminar meu livro em agosto. Dessa vez, escrevi em seis meses a primeira versão. No saldo geral, acho que foi muito bom", ela me explica por e-mail. Por mais complicado que seja se expressar em um momento tão delicado, a escritora continua, afinal, as palavras precisam sair. Para 2021, Larissa tem muitos planos, que já começaram a ser desenhados: "Meu novo livro e primeiro romance policial com a minha personagem, a inspetora de polícia Nanda Noronha, sai por financiamento coletivo ano que vem. Além disso, quero escrever uma noveleta infanto-juvenil que se chama "Quem Roubou o Inverno" e um livro sobre viagem no tempo. Depois, escrever o segundo livro policial da Nanda Noronha". Ideias não faltam, talento, muito menos. É bom ficar de olho no que vem por aí! Para conhecer a história, contos e comprar o livro "A Garota da Casa da Colina", acesse o site oficial da Larissa Brasil: https://www.larissabrasil.com.br/

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