Conheci Bruno Nakamura em uma agência de comunicação. Trabalhamos juntos. No meu primeiro dia, almoçamos juntos e ele me contou que, além de publicitário, era fotógrafo. Quando ele me mostrou suas fotos, fiquei com vergonha: zoom, ISO e enquadramento passam batido por mim (e olha que estudei fotografia na faculdade). Ele disse que não era difícil tirar uma boa foto (tive que me segurar para não rir, porque pra mim é difícil sim!) e me deu dicas. Tentei colocar em prática suas dicas, mas não deu certo. Deixo para quem tem talento. Bruno é filho de fotógrafo. Inclusive, na infância, ele era assistente de seu pai. Já viu de tudo um pouquinho e foi ali, no segundo plano, que aprendeu com o seu mestre: "Tenho muitas lembranças da época de infância, anos incríveis das câmeras com filmes. Mas a paixão pela fotografia aumentou quando amigos de uma agência de publicidade, sabendo que eu tinha câmera fotográfica, me pediram para fotografá-los. Ao verem o resultado final, eles me incentivaram a investir nessa carreira", ele me explica. Leia também:
Os pedaços de Edith Elek Brunner: o artista incendiário CA CAU: o artista multimídia cheio de poesia Ele está no mercado há seis anos e já fotografou de tudo, mas é no urbano que se encontra: "Gosto de coisas abstratas, detalhes, prédios, dia a dia. Mostrar o dia a dia das pessoas, como estão sentindo. Eu quero ajudar as pessoas através da fotografia", ele me escreve quando pergunto se tem alguma preferência para fotografar. Você é publicitário e fotógrafo. O que te levou a trabalhar com arte? Eu estudei em escola japonesa e a mesma tinha várias atividades que envolviam a arte, como, por exemplo, o desenho e o origami. Consequentemente, sempre me identifiquei com as atividades e isso prendia minha atenção. Nas horas vagas, eu também lia mangás e desenhava os personagens. Com 17 anos, um senhor que era dono de uma agência publicitária me convidou para trabalhar como estagiário e aceitei. Aprendi usar o computador, utilizar softwares de edição e continuei investindo e evoluindo nessa área. Quais são as suas inspirações? Junjiro Nakamura, Otávio Rotundo, Clóvis Vasconcelos, Platon e Sebastião Salgado. São Paulo é cheia de prédios, poluição e cimentos. Por que continuar fotografando a cidade? Amo São Paulo e não vejo dessa forma. Vejo uma cidade iluminada, repleta de riqueza arquitetônica e urbanística, pessoas de várias etnias e muita movimentação. Passamos todos os dias pelos mesmos lugares e não olhamos os detalhes. O que as pessoas veem como prédios, vejo a arte - através da foto, resgato. Observo esses detalhes e fotografo. Quero transmitir a emoção através do meu olhar. Quais são os elementos essenciais que você deseja passar com a sua fotografia? Luz, composição e equilíbrio. Sua visão de mundo (vamos dizer assim) foi alterada depois que você começou a fotografar? Sim. Eu fazia o trajeto do trabalho e tudo me parecia igual. Quando comecei a fotografar, vi a oportunidade de observar coisas do cotidiano de formas diferentes e seus detalhes. Mesmo com a pandemia, você continua tirando fotos. Sua visão de fotografia/trabalho foi alterado? Se sim, como? A demanda por serviços fotográficos diminuíram drasticamente, por um motivo óbvio e necessário: precisamos priorizar a nossa saúde, a saúde dos nossos clientes, familiares e amigos. Para conseguir fotografar, tive que aprofundar as técnicas e comecei a capturar o cotidiano através da janela. Bruno diz que a beleza da fotografia está no olhar de cada um. Isso é aplicado para ele: sua doçura e olhar atento conseguem transmitir os sentimentos daquele segundo específico, que agora está capturado através de suas lentes. Para conhecer o seu trabalho, acesse seu Instagram: @bynakamura.fd

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