De acordo com o dicionário Michaelis, a palavra "cinema" significa: 1) Arte ou ciência da cinematografia. 2) Sala de projeções cinematográficas. Já a palavra "cineasta", recebe a seguinte definição: "pessoa com sólidos conhecimentos de cinematografia". Misture as duas palavras e você terá Marina Person e Gustavo Moura apresentando e debatendo os grandes clássicos do cinema em "Nosso Podcast de Cinema". Realizado pela Orelo, plataforma de podcasts, a dupla analisa suas produções favoritas, que conta com "O Piano" (Jane Campion, 1993), "Todos os Homens do Presidente" (Alan J. Pakula, 1976), "Curtindo a Vida Adoidado" (John Hughes, 1986), "Era Uma Vez no Oeste" (Sergio Leone, 1969), "A Primeira Noite de um Homem" (Mike Nichols, 1968), "Profissão Repórter" (Michelangelo Antonioni, 1975), "Fale Com Ela" (Pedro Almodóvar, 2003), "Taxi Driver" (Martin Scorsese, 1976) e muito mais. Não é a primeira vez que Marina e Gustavo trabalham junto: enquanto Marina dirigia "Califórnia" (2015), Gustavo produzia e fez uma ponta no filme. No ano seguinte, Gustavo lançou o seu primeiro filme, "Canção da Volta", com Marina vivendo Júlia (alias, sua atuação é maravilhosa, assim como o filme!) e também produzindo a obra. Leia também: Marcelo Segreto e a América Latina em seu peito Documentar Raphael Erichsen: aprendizados sobre a sétima arte Literatura: as mutações Liv Ullmann Não é a primeira vez que vocês trabalham juntos. Como está sendo falar sobre cinema, anos depois de terem feitos, juntos, "Canção da Volta"? Gustavo: Na verdade, eu e Marina temos alguns outros vários trabalhos juntos. O próprio "Califórnia", que é o filme da Marina, foi eu quem produzi e até fiz uma pontinha como ator. Além disso, o meu próximo filme "Ela e Eu", a Marina produziu e também tem uma pontinha. Além desses, temos alguns outros trabalhos, mas também temos vários separados. Nós sempre tentamos manter um equilíbrio: fazer trabalhos juntos, pois gostamos muito, mas também fazer coisas separadamente, justamente para cada um ter sua independência. E o nosso objetivo é sempre achar esse equilíbrio. No caso do podcast, é um projeto muito especial que sempre falamos e tivemos vontade de fazer. Foi então que surgiu a oportunidade de colocar no ar, em parceria com a Orelo. Pra gente está sendo super legal essa produção, pois conseguimos estudar ainda mais, pensar sobre a profissão, dentre outros. Estamos realmente muitos animados. Qual o critério (se existe um) que vocês utilizam para escolher o filme que querem abordar no podcast? Marina: Em primeiro lugar a gente tem que gostar do filme e ele tem que significar algo para um de nós dois ou para os dois. Além disso, levamos em consideração o fato de ele precisar ter relevância dentro do mundo do culto ao cinema. Para este começo, estamos tentando selecionar filmes com os quais as pessoas tenham alguma familiaridade para estimular e incentivar novos ouvintes. A ideia é que o podcast seja feito para não somente quem já viu o filme - essas pessoas se interessam porque sempre podemos descobrir novas informações e curiosidades -, mas também para quem não viu, uma vez que falamos muito sobre sinopse, produção, elenco, etc. Gustavo: De modo geral, queremos falar sobre produções que tenham conseguido unir um sucesso artístico com o sucesso comercial. Fazer cinema, colocar a mão na massa, alterou de alguma forma o modo como vocês veem a arte? Alias, com o podcast, teve algum filme que vocês reassistiram e que não agradou tanto como antes? Gustavo: De fato, a nossa abordagem do assunto é de quem faz filmes, sempre sendo feito do ponto de vista de quem trabalha com isso. Nós somos diretores, então, estamos sempre olhando os filhos por diversos aspectos, como, atuação, roteiro, aspectos técnicos, aspectos de produção, dentre outros. Marina: Muitas vezes, a nossa percepção sobre algum filme acaba mudando quando assistimos novamente. Recentemente, por exemplo, eu reassisti "A Primeira Noite de um Homem", que é um filme do qual nós gostamos muito… E agora, olhando pra ele sob a luz dos novos tempos, feminismo, eu tive uma percepção muito diferente da Mrs. Robinson, e a gente comenta isso no episódio. Por conta da pandemia, artistas tiveram que se reinventar. Nos últimos tempos, documentários sobre confinamento estão ganhando destaque. Para vocês, como será o futuro do cinema? A forma de fazer um filme será alterada? Marina: Na minha opinião, tudo mudou e continuará a mudar, não somente por causa da pandemia, mas também porque a arte e o fazer cinematográfico é muito dinâmico. Não existe uma única maneira de fazer filmes, essa forma muda muito, por exemplo, por conta de tecnologias. Antes, as produções eram filmadas em películas e agora o mundo digital dominou tudo, no cinema inclusive! Para mim, seria um sonho filmar em película, por mais que a tecnologia seja incrível e muito mais inclusiva, eu gostaria muito de filmar em película. A pandemia mudou, por exemplo, a forma como as pessoas assistem aos filmes. E isso é algo que leva a uma outra discussão - como a forma que se contabiliza a audiência de um filme. Antes, a contagem do público era feita pelo número de ingressos vendidos, mas com os streamings, cada vez mais fortes, essa contagem já não representa mais a realidade do público de determinada produção. Gustavo: Eu acho que a passagem da película para o digital não mudou tanto quanto as imagens geradas por computador. Eu acho que o cinema mudou muito em razão das possibilidades digitais, que acabaram por deixar o cinema mais caro, mas ao mesmo tempo mais livre com a utilização de efeitos especiais. O casal continua trabalhando, dando ênfase à cultura. Filmes, séries e outros projetos estão na lista deles. Para o futuro em breve, Gustavo lançará dois filmes assim que a pandemia permitir: "Cora" e "Ela e Eu". Toda vez em que falo ou ouço sobre cinema, lembro do livro "Esculpir o Tempo" (Martins Fontes, 2010) de Andrei Tarkovisky. Na introdução, o diretor russo escreve: "(...) O que me impediu de desistir de tudo, porém, foi a convicção, cada vez maior, de que havia pessoas interessadas no meu trabalho, e que na verdade esperavam ansiosamente pelos meus filmes." Nunca foi fácil fazer cinema - e quando é possível falar, conversar, debater, como Marina e Gustavo fazem, precisamos ouvir, dar atenção, afinal a arte salva. Os episódios são semanais, ou seja, toda sexta-feira tem um novo filme para ser debatido. O "Nosso Podcast de Cinema" pode ser ouvido na Orelo que está disponível na Apple Store e Google Play.

Marina Person e Gustavo Moura: a necessidade de falar sobre filmes