Pedro Aníbal de Oliveira Gomes é o seu nome completo, mas foi com o apelido, Pepeu Gomes, que o músico ficou conhecido pelo Brasil. Guitarrista, compositor, cantor e produtor, Pepeu descobriu a música na infância. Inclusive, aprendeu a tocar violão de ouvido. Quando tinha 11 anos, influenciado pela Jovem Guarda, Pepeu Gomes formou sua primeira banda, "Los Gatos" tocando contrabaixo. Pepeu se dedicou ao baixo até ter contato com a coletânea "Smash Hits" de Jimi Hendrix. A partir desse momento, o músico troca o baixo pela guitarra e começa a buscar o seu ritmo. Em 1969, já como guitarrista, surge os Novos Baianos. Ao lado de Moraes Moreira, Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor e Baby do Brasil, a banda se apresentou pela primeira vez no Teatro Vila Velha, em Salvador, com o espetáculo "O Desembarque dos Bichos Depois do Delírio Universal". No ano seguinte, os Novos Baianos lançaram o primeiro long play, "É Ferro na Boneca", canção que carrega uma mistura de gêneros. Foi só em 1972 que a banda recebeu a devida atenção. "Acabou Chorare" é lançado, álbum que teve como mentor João Gilberto. Aqui, a banda encontra seu ritmo e Pepeu Gomes se dedica para outros instrumentos - o bandolim que recebeu de presente de Paulinho da Viola é um deles. Os solos de guitarra chamam atenção, mas quando o cavaquinho recebia atenção, descobrimos um novo Brasil, aquele que aceita tudo e cria uma grande mistura. Pepeu também tocou craviola no disco, mostrando a revolução que faria na música brasileira. Moraes Moreira explicou o nascimento do álbum em uma entrevista: "Estávamos influenciados pelo rock, ouvíamos muito Jimi Hendrix, Janis Joplin, as bandas dos anos 70. Mas foi ali, com o João Gilberto, que a gente acordou para o samba. Quando ele nos mostrou "Brasil Pandeiro" do Assis Valente ["chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar o seu valor"], entendemos qual era a mensagem dele. Começamos a incorporar no nosso som o cavaquinho, o pandeiro, sem perder a pegada do rock. Era samba com energia de rock". A banda chegou ao fim em 1979 e foi nesse momento que Pepeu Gomes, já consagrado como um dos melhores músicos brasileiros, resolveu seguir carreira solo. Leia também: A revolução artística de Paula Gaitán Desalinhando Luiz Melodia: a pérola negra do Brasil Marcela Brandão e sua nova música popular brasileira "Geração de Som" (1978) inicia sua carreira solo. Pepeu Gomes continua misturando diversos gêneros musicais com sua guitarra elétrica - a primeira vez que ouvimos o álbum, é possível identificar o pagode, funk carioca e o frevo que ganham destaque nas mãos do mestre. Com a criatividade em alta, descobrimos um Pepeu maduro e pronto para inovar mais ainda, se possível, a música. Autodidata em instrumentos de corda, Pepeu Gomes busca aproximar o bandolim da guitarra, entregando um som rítmico que lembra o samba, gênero musical que foi apresentado pelo mestre João Gilberto. Desde então, ao descobrir que é possível misturar diversos ritmos, nunca mais parou. O músico continua impactando ao tocar sua guitarra, mostrando que não tem medo de inovar. Em 1985, o músico foi convidado para tocar no Rock in Rio, no mesmo dia em que o Whitesnake tocou. O público estava hostil, mas Pepeu conseguiu acalmar os ânimos assim que começou a dedilhar as cordas de sua guitarra. Assim que finalizou seu show, foi ovacionado e (re)consagrado. Três anos depois, o músico foi considerado um dos melhores guitarristas do mundo pela revista Guitar World. Pepeu Gomes ainda tem muito a nos ensinar. Com sua alma jovem, ele continua conquistando novos fãs e aplausos por onde passa.

Desalinhando Pepeu Gomes: o guitarrista revolucionário