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  • Foto do escritorMichele Costa

A doçura de Flávia Bittencourt

Em "Sentido" (2005), seu primeiro álbum, Flávia Bittencourt apresentou suas raízes culturais. Com o passar dos anos, ela continua celebrando o Brasil com suas interpretações únicas folclóricas, típicas do Maranhão, o seu Estado. Além disso, a artista favorece o trabalho de grandes compositores, como Dominguinhos e Renato Braz.


Nesse sentido, Flávia acaba de lançar "Só Ouvir" (2023), EP composto por canções de grandes sucessos da música popular brasileira, gravado ao vivo. Fazendo um medley com as canções "Por Causa de Você, Menina" / "Mar de Rosas", a cantora traz novos arranjos, conectando-se com as letras. No entanto, é em "Comentários a Respeito de John", do cearense Belchior, que Bittencourt eleva a emoção, sob os aplausos e gritos da plateia.


Concebido durante a pandemia de Covid-19, "Só Ouvir" é o resultado das questões filosóficas de Flávia Bittencourt com o produtor João Simas. As letras escolhidas são resultados das reflexões: "Eu e João Simas nos questionamos muito em nossas conversas sobre tudo o que estava acontecendo na pandemia, e do porquê de estarmos neste planeta, porque tantas vidas ceifadas… Pensamos então em regravar uma trilha a partir dessa ideia, com músicas que trazem essa reflexão em suas letras também. Acho que era algo que perpassava a cabeça de todos naquele momento e além disso nosso ponto de partida foi a reflexão presente no trecho inicial de "Cajuína", do Caetano: "Existirmos a que será que se destina?", revela.


Com o objetivo de compartilhar sua trajetória, a artista lançou as canções de "Só Ouvir", assim como outras faixas autorais, capturadas no Lightland, em São Luís do Maranhão, em dezembro de 2021. Assim, o ouvinte se aproxima da cantora que ilumina o palco.


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O EP “Só Ouvir” foi concebido durante a pandemia. Como foi o processo de criação durante o isolamento social?

“Só Ouvir” foi uma espécie de catarse, uma válvula de escape que eu e o produtor e amigo João Simas, encontramos de liberarmos de alguma forma todo aquele tempo de isolamento e todos aqueles pensamentos acerca de tanto sofrimento. O repertório foi escolhido com esse intuito, de externar todos os sentimentos de angústia, tristeza e também de questionamentos humanos sobre o sentido da vida, a importância do acolhimento, os ciclos constantes de alegrias e tristezas presentes na vida de qualquer pessoa.


Qual foi o significado das músicas durante o isolamento e agora, pós-vacinação?

São músicas reflexivas sobre o sentido da vida, desde o nascimento de uma pessoa, propósito de vida, o olhar de cada um, no caso, de cada compositor sobre as nuances de momentos nas mais variadas situações como a chegada de um filho, como é o caso da música “Leve” [single lançado em 2020] ou a forma de como encaramos fechamento de ciclo de um relacionamento e ainda, os estereótipos sobre a mulher, como é o caso da composição “Bruxas” [lançado em 2021] e por aí vai. Então, gravamos músicas que falam da nossa estada aqui na terra e temas comuns entre nós, seres humanos. E sim, durante a pandemia o significado da vida foi bem mais intenso, acredito que pra todos nós.


As músicas escolhidas são consequências das reflexões realizadas durante o período conturbado. Os pensamentos seguem os mesmos ou foram alterados?

O show “Só Ouvir” foi lançado em EP e show ao vivo disponível no YouTube. O show ao vivo em vídeo, conta com mais faixas, inclusive as autorais e as pessoas entenderão melhor o contexto de cada escolha, percorreram conosco o início, meio e fim desta odisseia terrestre. Eu sempre escrevi sobre temas reflexivos, como a música “Vazio” [disponível em “Sentido”], “Leve” e “No Movimento” [presente no álbum com o mesmo nome] que também estão neste show. Então, sim, os pensamentos e encantamento pelo sentido da vida já era muito intenso em mim e continua sendo, o olhar curioso, da busca pela tradução através da poesia, de acontecimentos no dia a dia, perdurou (antes) e depois da pandemia.


Como foi dar voz a grandes sucessos da música brasileira?

Construímos uma história através do repertório com começo, meio e fim. E o conteúdo da letra e a beleza da melodia foram primordiais para que pudéssemos contar essa história, desta forma. O questionamento do sentido da existência em “Cajuína”, se dá através da música belíssima de Caetano Veloso e que amo cantar, assim como a última canção “Eva”; além de todos os ciclos presentes na vida de todos que compõem esta nossa jornada aqui neste planeta terra.



Em seus trabalhos, você sempre traz suas raízes maranhenses. Como foi dar esse tom, com novos arranjos em “Só Ouvir”?

Eu e João trabalhamos para que fosse o mais intimista, até porque a pandemia tinha “cessado” recentemente, mas andávamos ainda apavorados, então a ideia era que fizéssemos um show só eu e ele, assim como um número bem restrito de público. Sendo assim, alguns ritmos se fazem presentes através das bases eletrônicas, mas a maioria das músicas se dá com pouquíssimos instrumentos que o João e eu tocamos, como podemos assistir no show ao vivo disponível em minha página no Youtube.


A doçura de Flávia Bittencourt é entregue no sotaque nordestino e na rosa que carrega dentro de si, que desabrocha a cada apresentação.

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