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A onda lunar de Alexandre GM

A onda lunar de Alexandre GM começa na capa do álbum que leva o mesmo nome. Em um espaço lunático, com músicas que misturam realidade e ficção, o músico leva o ouvinte para viajar em diversos gêneros musicais, que relembram os momentos que já passamos.


O EP, lançado na última quarta-feira, 1 de fevereiro, é consequência da sua dedicação pela música. Desde que aprendeu a tocar instrumentos sozinho, Alexandre pensava em criar um álbum contando suas vivências, histórias e análises de um mundo que caótico, que segue em ritmo acelerado.


"Onda Lunar" conta com a participação de outros músicos do Selo Parafuso. Nele, Alexandre coloca em prática suas inspirações que variam entre Incubus, Eyedress, Mac Demarco e Charlie Brown Jr.


Como foi a construção do EP e quando você decidiu gravá-lo?

Como músico, sempre fui conhecendo daqui e ali. Conheci os jogos, aquela época do guitar hero, que era uma febre… E aí me deu vontade de tocar. Eu aprendi tudo sozinho. A partir dos quinze anos, eu já fazia algumas composições, mas deixava guardado na gaveta. Deixei o tempo passar e o tempo foi passando - eu fiz faculdade, trabalhava… Meio que ficava nessa oscilação e não sobrava tempo para realmente gravar algo, né. Aí em 2020, quando a pandemia veio, aí falei: "meu, preciso gravar alguma coisa". Foi algo [que surgiu] de muito tempo guardado… Foi tudo uma mistura e isso foi bem prazeroso, porque foi passando tanto tempo e eu fui deixando [as composições] na gaveta… Teve um dia que eu não tinha nenhuma ideia, mas de repente, surgiu algo.

Como foi esse despertar? E por conta da pandemia ser obrigado a rever esse projeto e colocar a mão na massa?

Com música mesmo, já fiz algumas participações em alguns projetos, desde a época de jovem. Como eu terminei o colegial e já entrei na faculdade e também já trabalhando, teve alguns projetos que eu fiz, algumas músicas, mas nada tocante, mas gravar uma música do jeito que eu queria, foi algo genial. Após a pandemia, deu tempo para fazer as coisas que você gostava, algo para fazer para acabar a procrastinação, sabe? Acho que [a pandemia] foi uma das coisas que me deu mais criatividade para realizar esse projeto.


Você encontrou conforto na música durante o período de isolamento?

Pra mim, a música foi a maior paz, foi o meu reencontro com a paz de muitos anos atrás. Quando eu aprendi a tocar, lá pelos meus 14 anos, eu tocava o dia inteiro, mas era muito prazeroso, o que me distraía, sabe? Na pandemia, na situação que tava, [tocar] era um momento de paz, muito bom, porque eu voltei a praticar e conforme eu fui praticando, aprendi coisas novas. Isso foi mudando o caminho, sabe? Não era só tocar a mesma coisa, eu já tinha uma bagagem e [agora] era uma coisa que eu tava aprendendo e evoluindo cada dia que passava. Eu continuo aprendendo e é isso que eu gosto da música, ela dá liberdade e também te ensina.


Qual o significado do título? “Onda Lunar” tem diversas interpretações.

Tanto da onda do mar, quanto do espaço. É bem legal pensar nisso porque, a primeira música que eu já tinha escrito, "Estrellar", uma música meio que remete a espaço, mas foi algo que aconteceu real - era meio real e meio fictício, sabe? A história é real, mas contada de um modo meio que espacial. Quando eu pensei [no título], eu tinha a ideia de uma lua e algumas linhas. O som é uma frequência, uma onda - então, "Onda Lunar". Foi daí que tirei essa ideia. Aí eu passei essa ideia para o Lucas Aielo e ele meio que fez um rascunho pra mim e eu passei para o Rodrigo Eugênio e aí ele cuidou do final da arte.


Achei interessante o título, porque tem uma música chamada "Estrellar". Rolou essa brincadeira da questão lunática ou foi coincidência?

Eu acredito que a primeira música "Estrellar" a ideia foi essa, mas como foi misturando tudo e virando um ep, pensei "vamos nessa vibe", juntar o real com essa onda de brisa, de viajar. São histórias que algumas coisas são reais, por exemplo, "Estrellar" é o nome de uma pessoa, mas também é o espaço e remete à ele; é a história de uma pessoa que vai atrás de outra pessoa, que vai até o espaço e quando chega lá, ela não está mais lá. Às vezes, a gente conhece pessoas que com o passar do tempo vão para alguns lugares, para outros Estados e outros países, é uma circunstância da vida.

A música me soa, além de encontrar uma pessoa, uma tentativa para também se reencontrar nesse mundo tão caótico e também tem aquela coisa do sair da juventude e se tornar um adulto.

Exatamente. É uma situação difícil, né? Hoje eu tenho 24 anos, mas quando eu tinha 18, era outro mundo, tudo evoluiu muito rápido. As coisas vão mudando e a gente tem que se adaptar a elas. Eu amadureci muito cedo e algumas coisas ficaram para trás e hoje em dia, elas fazem parte e me trazem essa força, esse grande motivo da vida, que é muito importante, ainda mais depois de 2020.



Você falou que as músicas são reais. Por que fazer uma música autobiográfica? Ao abordar questões que foram parte da sua história, não é complicado para se apresentar ao público?

Sim, eu concordo com você. Muito complicado, principalmente pra mim, que sempre fui uma pessoa muito fechado, muito tímido. É muito difícil falar de si mesmo ou sobre situações que você já viveu.

Fora a exposição. Você tá dando a sua cara pra bater.

Totalmente. É uma coisa muito sentimental, é algo que escrevo com sentimento, querendo trazer uma música boa. Posso escrever sobre mim, posso escrever sobre outras pessoas. Posso tocar de uma maneira, outras vezes não… A música que eu escrevo hoje pode não ser a mesma que escrevo amanhã.


Na música "Onda Lunar", você canta "deixa o som me levar". Para onde você deseja ir? Além disso, para onde a onda pretende levar o ouvinte?

Primeiro, deixar as frequências do som, a guitarra, a bateria, o baixo me levarem. Depois, a música me leva para essa viagem longa que eu não sei onde vai parar [risos]. Quando chega no sol, o sol é a luz, né? É sobre essa iluminação que a gente precisa, tanto como força, quanto para viver, criar uma expectativa. Então, eu quero deixar essa vibe, do "vamos viajar", curtindo as frequências sonoras.


Você se juntou com o Pedro Silveira [do Selo Parafuso] que é louco nesse ramo e o EP traz uma mistura muito boa. Como foi trabalhar com ele?

Tinha falado sobre a ideia com ele e ele falou "vamos fazer". O Pedro deu essa ideia de ajudar no "Onda Lunar" que traz, um pouco, referência do Tom Morello, é [um disco] cheio de referências.

É interessante essa junção de gêneros musicais, pois lembra bastante os anos 90 e 2000…

Eu lembro que naquele tempo, eu assistia pela TV muitas bandas underground e do mainstream também. Ouvi muito os anos 80… Então, todas essas cenas serviu como referência, fui criando em cima disso


O álbum traz diversos gêneros musicais. Quais foram as influências para a criação dele?

Vish… [risos]. É meio complicado dizer, porque eu tenho muitas referências que me trouxeram bons sons, boas coisas. Desde criança eu variava um pouco na guitarra, depois cantando… Eu tocava grunge, depois fui para o heavy metal, depois trash metal, depois algo mais tranquilo… Eu tenho muitas referências de bandas antigas, bandas novas e indie rock. Pra ser sincero, tenho um pouco de cada estilo, mas nesse álbum, eu quis trazer algo de Tame Impala, que é uma brisa da pessoa sentir a frequência, de sentir o som. Mas no geral, eu gosto muito de instrumentos.


O álbum traz a vibe de uma onda, ou seja, ela ganha velocidade, arremete o nadador - que é o ouvinte - e depois volta para o ritmo normal. Esse conceito foi pensado literalmente no mar?

No início, eu pensava como frequências, não só como ondas. No decorrer do que fui escrevendo, a "Onda Lunar" - acho que foi a quarta música que escrevi - foi escrita meio que pensando nisso. Eu aprendi isso: cada som remete a uma frequência e faz uma onda, né. Conforme fui pensando: "a gente tá no espaço, as frequências do som… É uma onda lunar!". Me perguntaram também de onde tirei isso e eu falei que simplesmente pensei, saiu do nada, sabe? De tanto pensar em uma ideia e ter essa conexão - eu gosto bastante de ficar olhando o céu -, daí que também saiu [a ideia].


O que me chamou atenção no EP, é que a última música foge do tom do álbum, ela é mais agitada. Por que apenas uma música é desse tom?

Eu queria fazer música, então, quando eu pensei em fazer música, tinha algumas que eu já tinha prontas, outras eu só falei "deixa essa onda lunar me levar". Normalmente, eu ia escrevendo e tocando e vendo o que tava ficando legal… Eu queria dizer que tinha algumas partes que tinham momentos bons e momentos ruins durante a nossa vida, momentos agitados e outros não. Eu sou essa mistura de ser agitado e querer ficar mais calmo, mais tranquilo - tanto como sonoramente e como pessoa. Tem que ter esse equilíbrio.


É difícil alcançar o equilíbrio, mas com a música fica mais fácil, afinal, ela salva.


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